|
Para onde vão, ao
morrerem, as crianças
não batizadas?
Um amigo nos pede
informações sobre o
limbo, qual seu
significado teológico e
como o Espiritismo vê a
questão.
Originária do latim, a
palavra limbo – limbu,
'orla' – tem vários
significados, mas, no
âmbito da religião, é o
nome que se dá ao lugar
onde, segundo a teologia
católica, se
encontrariam as almas
das crianças que, embora
não tivessem alguma
culpa pessoal, morreram
sem o batismo que as
livrasse do pecado
original.
Considerado um espaço
circunscrito fora das
cercanias do Céu, o
limbo foi idealizado
pelos religiosos da
época com a finalidade
de abrigar crianças que
não haviam sido
batizadas e também os
que haviam morrido antes
do advento da chegada do
Cristo. Essa ideia foi
incorporada aos
ensinamentos católicos
como sendo um local
destituído de
sofrimento, uma vez que
as crianças nada fizeram
para merecer o castigo,
mas também não seria um
paraíso, em face da
ausência do batismo, um
dos sete sacramentos
adotados pela Igreja.
Allan Kardec tratou do
assunto em seu livro O
Céu e o Inferno, em
que lemos:
“É verdade que a Igreja
admite uma posição
especial em casos
particulares. As
crianças falecidas em
tenra idade, sem fazer
mal algum, não podem ser
condenadas ao fogo
eterno. Mas, também, não
tendo feito bem, não
lhes assiste direito à
felicidade suprema.
Ficam nos limbos,
diz-nos a Igreja, nessa
situação jamais
definida, na qual, se
não sofrem, também não
gozam da
bem-aventurança. Esta,
sendo tal sorte
irrevogavelmente fixada,
fica-lhes defesa para
sempre. Tal privação
importa, assim, um
suplício eterno e tanto
mais imerecido, quanto é
certo não ter dependido
dessas almas que as
coisas assim sucedessem.
O mesmo se dá quanto ao
selvagem que, não tendo
recebido a graça do
batismo e as luzes da
religião, peca por
ignorância, entregue aos
instintos naturais.
Certo, este não tem a
responsabilidade e o
mérito cabíveis ao que
procede com conhecimento
de causa.” (O Céu e o
Inferno, Primeira
Parte, cap. IV, itens 7
e 8.)
Concluindo suas
considerações, Kardec
escreveu:
“A simples lógica repele
uma tal doutrina em nome
da justiça de Deus, que
se contém integralmente
nestas palavras do
Cristo: ‘A cada um,
segundo as suas obras’.
Obras, sim, boas ou más,
porém praticadas
voluntária e livremente,
únicas que comportam
responsabilidade. Neste
caso não podem estar a
criança, o selvagem e
tampouco aquele que não
foi esclarecido.” (O
Céu e o Inferno,
Primeira Parte, cap. IV,
itens 7 e 8.)
O entendimento da Igreja
Católica sofreu, no
entanto, radical mudança
em abril de 2007, quando
foi publicado o
documento "A esperança
de salvação para bebês
que morrem sem serem
batizados", no qual a
Comissão Teológica
Internacional da Igreja
Católica considerou
inadequado o conceito de
limbo.
O texto aprovado pelo
Vaticano “diz que a
graça tem preferência
sobre o pecado, e a
exclusão de bebês
inocentes do céu não
parecia refletir o amor
especial que Cristo
tinha pelas crianças". O
documento considera que
o conceito de limbo
refletia uma "visão
excessivamente
restritiva da salvação".
Segundo seus autores,
"Deus é piedoso e quer
que todos os seres
humanos sejam salvos". E
aduziram: "Nossa
conclusão é que os
vários fatores que
analisamos fornecem uma
base teológica e
litúrgica séria para
esperar que os bebês não
batizados que morrerem
sejam salvos".
Em face deste novo
entendimento da Igreja,
os bebês que morrem sem
batismo são considerados
inocentes e sua
destinação, portanto,
passa a ser o céu,
verificando-se o mesmo
com os chamados infiéis,
ou não batizados, desde
que tenham levado uma
vida justa.
O Espiritismo trata,
porém, de modo diverso a
questão que envolve a
situação pós-morte das
pessoas, sejam elas
crianças, jovens ou
idosos, sendo importante
lembrar que o conceito
espírita de céu, inferno
e purgatório é, de igual
modo, diferente do que a
Igreja ensina.
|