Um minuto
com Chico Xavier

por Regina Stella Spagnuolo

   

Quando fundaram o Grupo Espírita da Paz, a generosidade de um amigo de Adelino Silveira possibilitou a doação do terreno, do material e da mão de obra. Adelino dizia que sua única participação fora indicar, de modo simples, como gostaria que o Centro fosse: um pequeno salão, uma câmara de passes e uma pequena cozinha.

Entretanto, outro amigo, habituado a grandes construções, ampliou o projeto. O salão passaria a ter sete por doze metros; haveria uma sala de passes, um escritório, uma cozinha maior, outra sala e uma despensa.

Ao ver a planta, Adelino começou a reclamar, dizendo que o Centro ficaria grande demais e que não desejava algo daquela proporção. Argumentou que Allan Kardec recomendara que os Centros Espíritas fossem numerosos e pequenos, em vez de poucos e grandes. Acrescentou que ouvira Chico Xavier afirmar que “em casa que muito cresce, o amor desaparece”.

Diante da insistência de Adelino, o amigo generoso propôs:
— Então, vamos levar a planta ao Chico Xavier. O que ele disser, faremos. Concorda?

Adelino respondeu:
— Não estou tão louco a ponto de discordar do Chico.

E lá foram eles.

Após examinar atentamente a planta e ouvir as explicações do amigo, Chico considerou adequado o tamanho, fez algumas observações e, em seguida, voltou-se para Adelino:

— Sabe, Deco, o rei Gustavo, ao assumir o trono da Suécia, lembrou-se de um amigo de infância que havia seguido a carreira religiosa. Mandou chamá-lo e disse que pretendia nomeá-lo pastor em Estocolmo. O amigo, porém, não se mostrou disposto a aceitar. O rei insistia, e a resposta continuava sendo negativa. Depois de algum tempo, o rei perguntou: “Está bem. Não vou obrigá-lo. Diga-me, então, o que deseja. O que posso fazer por você?”

O religioso respondeu:
— O senhor se lembra daquele lugar onde brincávamos na infância, com um bosque e um pequeno riacho?

Diante da confirmação do rei, prosseguiu:
— Ali se formou uma pequena aldeia. É um lugar bonito e tranquilo. Gostaria que o senhor me nomeasse pastor daquela localidade.

O rei replicou:
— Ah! Se eu pudesse, gostaria de ser o carteiro dessa aldeia.

Chico encerrou a narrativa.

Adelino, sem compreender, comentou:
— Chico, não entendi.

— Não? — respondeu ele. — O religioso estava com preguiça. Não queria uma cidade grande, onde seria muito procurado e teria de atender muita gente, assumindo grande volume de trabalho.

Adelino sentiu tamanha vergonha que teve vontade de sair dali imediatamente. Na viagem de volta, disse ao amigo:

— Se quiser, pode fazer um Centro de dois ou três andares.


Do livro Kardec Prossegue, de Adelino Silveira.


 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita