|
Quando fundaram o Grupo Espírita da Paz, a generosidade
de um amigo de Adelino Silveira possibilitou a doação do
terreno, do material e da mão de obra. Adelino dizia que
sua única participação fora indicar, de modo simples,
como gostaria que o Centro fosse: um pequeno salão, uma
câmara de passes e uma pequena cozinha.
Entretanto, outro amigo, habituado a grandes construções,
ampliou o projeto. O salão passaria a ter sete por doze metros;
haveria uma sala de passes, um escritório, uma cozinha maior,
outra sala e uma despensa.
Ao ver a planta, Adelino começou a reclamar, dizendo que o
Centro ficaria grande demais e que não desejava algo daquela
proporção. Argumentou que Allan Kardec recomendara que os
Centros Espíritas fossem numerosos e pequenos, em vez de poucos
e grandes. Acrescentou que ouvira Chico Xavier afirmar que “em
casa que muito cresce, o amor desaparece”.
Diante da insistência de Adelino, o amigo generoso propôs:
— Então, vamos levar a planta ao Chico Xavier. O que ele disser,
faremos. Concorda?
Adelino respondeu:
— Não estou tão louco a ponto de discordar do Chico.
E lá foram eles.
Após examinar atentamente a planta e ouvir as explicações do
amigo, Chico considerou adequado o tamanho, fez algumas
observações e, em seguida, voltou-se para Adelino:
— Sabe, Deco, o rei Gustavo, ao assumir o trono da Suécia,
lembrou-se de um amigo de infância que havia seguido a carreira
religiosa. Mandou chamá-lo e disse que pretendia nomeá-lo pastor
em Estocolmo. O amigo, porém, não se mostrou disposto a aceitar.
O rei insistia, e a resposta continuava sendo negativa. Depois
de algum tempo, o rei perguntou: “Está bem. Não vou obrigá-lo.
Diga-me, então, o que deseja. O que posso fazer por você?”
O religioso respondeu:
— O senhor se lembra daquele lugar onde brincávamos na infância,
com um bosque e um pequeno riacho?
Diante da confirmação do rei, prosseguiu:
— Ali se formou uma pequena aldeia. É um lugar bonito e
tranquilo. Gostaria que o senhor me nomeasse pastor daquela
localidade.
O rei replicou:
— Ah! Se eu pudesse, gostaria de ser o carteiro dessa aldeia.
Chico encerrou a narrativa.
Adelino, sem compreender, comentou:
— Chico, não entendi.
— Não? — respondeu ele. — O religioso estava com preguiça. Não
queria uma cidade grande, onde seria muito procurado e teria de
atender muita gente, assumindo grande volume de trabalho.
Adelino sentiu tamanha vergonha que teve vontade de sair dali
imediatamente. Na viagem de volta, disse ao amigo:
— Se quiser, pode fazer um Centro de dois ou três andares.
Do livro Kardec Prossegue, de
Adelino Silveira.
|