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por Temi Mary F. Simionato

 

Nossas idas e vindas na escola terrestre


“Portanto, tudo quanto vos disserem, fazei e observai; mas não façais de acordo com as suas obras, pois dizem e não fazem.”
 (Mateus, 23:3)


Nesta passagem, encontramos a questão do ensino e da prática. Se o ensino adverte e orienta, descortinando novos horizontes à mente do aprendiz — que somos todos nós —, somente a prática é capaz de consolidar nossa transformação na grande ascensão vibratória rumo à perfeição.

As revelações sempre surgiram na Terra provenientes das esferas mais evoluídas da Vida Espiritual e também por meio de profetas, filósofos e religiosos, em diversas culturas e regiões do planeta.

Foi um grande equívoco julgar como bárbaros e pagãos os povos que ainda não conheciam as lições sublimes do Seu Evangelho de redenção, porquanto Sua desvelada assistência sempre acompanhou — como ainda acompanha — a evolução das criaturas em todas as latitudes do Orbe.

Cada raça recebeu seus instrutores, que chegaram trazendo as resplandecências de Sua Glória Divina.

Todas elas, conhecendo intuitivamente a palavra das profecias, arquivaram a história de Seus enviados sob os moldes de Sua Vinda futura, em virtude das lembranças latentes que guardavam no coração acerca de Sua palavra nos espaços, impregnada de esclarecimento e amor.

Os ensinos vão tomando formas e contornos conforme as épocas e os interesses culturais em vigor; contudo, por expressarem a Verdade Divina, aprofundam-se no tempo e retornam à sua beleza essencial, conforme Jesus nos demonstrou ao viver a Lei de Amor do Pai.

Isso porque a Lei Divina está inscrita na própria Lei da Natureza, e o homem pode conhecê-la sempre que desejar buscá-la.

Exatamente por isso, seus princípios foram proclamados, em todos os tempos, pelos homens de bem, encontrando-se também seus elementos na doutrina moral de todos os povos que já saíram da barbárie — ainda que, por vezes, incompletos ou alterados pela ignorância e pela superstição.

Examinemos diariamente nossa lavoura afetiva. Observemos se estamos exigindo flores prematuras ou frutos antecipados. Coloquemo-nos na posição de planta em jardim alheio, reparando os cuidados que ela exige e, dessa forma, não desdenhemos resgatar nossas dívidas de amor para com os outros.

Lembremo-nos do apóstolo Paulo, na Carta aos Hebreus (6:1):

“Deixando os rudimentos da Doutrina de Jesus, prossigamos até a perfeição, abstendo-nos de repetir muitos arrependimentos, porque então não passaremos de autores de obras mortas.”

O livre-arbítrio expressa o respeito do Criador em relação a Seus filhos, mas é pelo seu uso irrefletido que os seres se equivocam, gerando malefícios para si e para seus semelhantes.

O determinismo divino constitui-se de uma única Lei: a do Amor para a comunidade universal. Todavia, confiando mais em si mesmo do que em Deus, o homem transforma sua fragilidade em foco de ações contrárias a essa Lei, efetuando, desse modo, intervenção na harmonia divina. Eis o mal.

A mais alta aquisição íntima do ser é seu poder de decisão, destacando-se de grupos afins com os quais, em regime de comunhão compulsória e inconsciente, exercitou a sobrevivência elementar, desenvolvendo, assim, os alicerces de sua projeção mental, passando a escolher e a seguir o que lhe aprouver. Por isso, as revelações sérias e bem fundamentadas em exemplos e testemunhos constituem caminhos de luz abertos a todos.

“Esqueçamos todas as expressões inferiores do dia de ontem e avancemos para os dias iluminados que nos esperam.”

Eis a essência do aviso fraternal de Paulo à comunidade de Filipos (3:13–14).

Se Moisés abriu a era da consciência desperta para os homens, inaugurando, com a divulgação das Tábuas da Lei, a fase de expiação e provas da Terra em sentido universal, aqueles que se apoderaram de sua competência e de seu dom nem sempre corresponderam, pois ambicionavam o poder e a respeitabilidade do grande legislador.

Indiscutivelmente, a atualidade reclama ensinos edificantes, mas nada compreenderá sem demonstrações práticas. Desde a Antiguidade, considera a sabedoria que a realização mais difícil do homem encarnado é viver e morrer fiel ao supremo bem.

O Espiritismo oferece os meios de comprovação, indicando os caracteres pelos quais se reconhecem os bons Espíritos, que se revelam sempre pela moral e jamais por manifestações materiais. É no discernimento entre os bons e os maus Espíritos que podem ser aplicadas as palavras de Jesus:

“Reconhece-se a qualidade da árvore pelo fruto; uma boa árvore não pode produzir maus frutos, nem a árvore má produzir bons frutos.”

Quando a mensagem do Evangelho, à luz da Revelação Espírita, adentrar os corações humanos, o jogo das vaidades e das ambições indignas não mais encontrará almas desprevenidas, pois a simplicidade do Mestre, em Espírito e Verdade, fará triunfar o sentimento verdadeiro da fé em sua legítima expressão de fraternidade.

O Espiritismo tornar-se-á crença comum e marcará nova era na História da Humanidade. Contudo, haverá grandes lutas a sustentar, mais contra os interesses do que contra a convicção.

As ideias modificam-se pouco a pouco, e serão necessárias gerações para que os traços dos velhos hábitos se apaguem completamente. Cada coisa a seu tempo.

Somos todos chamados, pela bênção do Cristo, a fazer luz no mundo das consciências, começando por nós mesmos. Dissipemos as trevas do materialismo ante a Verdade, não pelo espírito de força, mas pela força do Espírito a expressar-se em serviço, fraternidade, entendimento e educação.

Em tudo o que sentirmos, pensarmos, falarmos ou fizermos, doemos aos outros o melhor de nós mesmos, reconhecendo que as árvores são valorizadas pelos próprios frutos. Cada árvore recebe — e receberá invariavelmente — atenção e auxílio do pomicultor conforme os frutos que venha a produzir.


Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Editora IDE, 365ª ed., Araras/SP, 2009. Cap. 21, item 7.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Editora FEESP, 16ª ed., São Paulo/SP, 2015. Questões 626, 798, 800 e 801.

XAVIER, Cândido Francisco (pelo Espírito Emmanuel). A Caminho da Luz. Editora FEB, 38ª ed., Brasília/DF. Cap. 9 — “A Gênese das Religiões”.

 

 

     
     

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 Revista Semanal de Divulgação Espírita