Especial

por Juan Carlos Orozco

Transição planetária: breves reflexões

 

Vivemos um processo de mudança do ciclo evolutivo da Terra e da Humanidade, denominado transição planetária, passando de mundo de expiação e provas para mundo regenerado. Essa transição da Terra decorre da lei do progresso.

Em vez de sinalizar o fim do mundo, revela o começo de uma nova era de evolução moral e espiritual, sob a égide da verdade, do amor, da paz e da fraternidade universal.

Tem data e hora para isso ocorrer?

Textos evangélicos respondem a essa pergunta:

“Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai.” (Mateus, 24:36)

“Portanto, vigiai, porque não sabeis em qual dia vem o vosso Senhor.” (Mateus, 24:42)

“Senhor, Senhor, abre-nos a porta! Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço. Portanto, vigiai, porque não sabeis nem o dia, nem a hora.” (Mateus, 25:13)


Momentos de perseverar, orar e vigiar

Pela parábola das dez virgens (Mateus, 25:1-13), quem não se preparar para esses tempos perderá o início das bodas, quando se fecharem as portas, de um momento para outro. Bodas representam a união dos seres humanos com o Criador.

Por isso, é importante perseverar no caminho do bem mediante oração e vigilância, para não cair em tentação, pois não se pode precisar o momento em que as portas se fecharão.

Ademais, é preciso cautela quando alguém apresentar data e hora.


O porquê dessas mudanças?

O Universo está em movimento e evoluindo, porquanto o progresso é lei da Natureza, e todos os seres estão submetidos a ele. Nada está parado.

O mundo, ao progredir, oferece morada mais agradável a seus habitantes, à medida que eles também progridem. Paralelamente, marcham os progressos dos homens, dos animais, dos vegetais e dos mundos que eles habitam.

Há bilhões de anos, a Terra não existia, nem o sistema solar. Mas já havia sóis iluminando o Universo. Planetas davam vida à imensidão de seres que precederam a Humanidade terrestre. Fenômenos da Natureza estavam sob outros olhares.

Antes e depois de nós: a eternidade e o infinito. A eterna providência divina ocorre em perfeita harmonia; nada é por acaso.

“Na casa de meu Pai há muitas moradas.” (João, 14:2)

Em relação à Terra, há mundos inferiores, da mesma categoria e superiores.

A Terra, mundo de expiação e provas, já foi primitivo. Hoje, prepara-se para atingir grau mais avançado. Para o progresso da Terra, é preciso que a povoem Espíritos bons, encarnados e desencarnados.

As principais transformações serão de natureza moral, convidando o ser humano à mudança de comportamento.

A Humanidade tem realizado grande progresso, chegando a resultados jamais alcançados sob o ponto de vista das Ciências. Resta, porém, imenso progresso a realizar: fazer com que reine a caridade, a fraternidade e a solidariedade, assegurando o bem-estar moral de todos os seus habitantes.

Quando a Humanidade está madura para subir um degrau, pode-se dizer que “os tempos são chegados”.

Se a época está designada para realizar certas coisas, é porque estas têm razão de ser na marcha do conjunto universal.

A transformação moral ocorrerá pela depuração dos Espíritos encarnados e desencarnados. Não se trata de mudança parcial, renovação limitada a região, povo ou raça. Trata-se de movimento universal, que se opera no sentido do progresso moral.

A geração futura, formada de elementos mais depurados, achar-se-á possuída de ideias e sentimentos muito diversos dos da atual geração.


Sinais dos tempos

As profecias de Jesus referem-se às provações da Humanidade, consoante a lei de progresso. A predição de calamidades e flagelos que assolarão a Humanidade será decorrente da luta entre o bem e o mal, a fé e a incredulidade, as ideias novas e as retrógradas.

Haverá difusão do Evangelho restaurado em sua pureza originária. Depois, instaurar-se-á o reinado do bem, da paz e da fraternidade universais.

As causas dos sofrimentos da Humanidade devem-se ao atraso moral e à ignorância das leis de Deus. Guerras, calamidades e tribulações de toda ordem têm origem na imperfeição moral e intelectual.

Ocorrem duas formas de destruição: a natural e a abusiva. A natural garante a diversidade biológica e a manutenção da vida no planeta, fazendo parte do processo de transformação, renovação e melhoria dos seres vivos. A abusiva acontece porque o homem se deixa governar pela natureza animal e pelas paixões.

Jesus aconselha a não temer tais momentos: “Não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça.” (Mateus, 24:6)

A dor e o sofrimento são mecanismos educativos permitidos por Deus, quando o homem se revela rebelde à Sua lei.

O ser moralizado compreende o valor das expiações e provações, vendo nelas o remédio amargo, mas útil à sua melhoria espiritual. Por isso, não se deve temer o sofrimento, mas enfrentá-lo com bom ânimo e fé, extraindo de suas lições o devido aprendizado.


Características da transição

Algumas características da transição são flagelos destruidores, naturais ou provocados pelo homem, como terremotos, maremotos, erupções vulcânicas, acidentes de graves proporções, guerras e demais conflitos bélicos, epidemias ou pandemias etc.

As calamidades são acompanhadas pela degradação moral e pela dissolução dos bons costumes, típica dos conflitos morais nos momentos de transformação social.

Porém, almas generosas e caridosas estarão presentes no momento de transição, empenhadas em minorar o sofrimento de seus irmãos em humanidade.


A ação das trevas e os falsos profetas

Surgirão aproveitadores que se alimentarão do sofrimento no planeta. São Espíritos inescrupulosos.

É preciso agir com cuidado para não ser envolvido e enganado por eles, porque, submetidos ao peso das provações, estaremos mais expostos e fragilizados.

A despeito do sofrimento nesse período, é momento de aferição de valores morais.

Falsos profetas e cristos provocarão desordens e desarmonias, testando o caráter dos verdadeiramente bons, os escolhidos.


A vitória do bem

Haverá a inequívoca vitória do Cristo.

Passado o período de transição, os Espíritos que permanecerem fiéis ao bem receberão morada com uma Humanidade desejosa de progredir, transformada pela força do amor. “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra.” (Mateus, 5:5)

Pela prática do Evangelho, haverá melhora no estado moral, trazendo o reinado do bem e acarretando a queda do mal.

Na regeneração, a Humanidade se encontrará mais feliz; contudo, o progresso espiritual não estará completo, pois a caminhada evolutiva é longa.


A nova geração

Chegado o tempo, ocorrerá grande emigração.

Os que insistem em praticar o mal, não tocados pelo bem e indignos do planeta transformado, emigrarão para mundos inferiores e de raças atrasadas, levando seus conhecimentos e tendo por missão fazê-las avançar, a exemplo dos Espíritos degradados de Capela que aqui vieram em auxílio, dando origem à raça adâmica.

Esses Espíritos serão substituídos por outros melhores, que farão reinar a justiça, a paz e a fraternidade.

A nova geração realizará as ideias humanitárias compatíveis com o grau de adiantamento a que houver chegado.

Pela natureza das disposições morais, torna-se fácil distinguir a qual das duas gerações pertence cada indivíduo.

A nova geração distinguir-se-á pela inteligência e razão geralmente precoces, aliadas ao sentimento inato do bem e às crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior. Não se comporá de Espíritos superiores, mas daqueles que, tendo progredido, estarão aptos a apoiar o movimento de regeneração.

Haverá auxílio de Espíritos benevolentes aos retardatários, esclarecendo-os e mostrando-lhes o caminho correto.

A regeneração da Humanidade não exige a renovação integral dos Espíritos: a busca da perfeição é longo processo.


Reflexões necessárias

Como seres espirituais imortais, temos por destino a perfeição relativa à condição humana, tendo Jesus como modelo e guia, pois Ele é o caminho, a verdade e a vida em direção ao Pai. Ninguém chegará ao Criador senão seguindo as pegadas do Mestre Jesus, por meio de seus ensinamentos e exemplos. Todos, sem exceção, cedo ou tarde, atingirão a perfeição, cada um em seu ritmo evolutivo de progresso moral e espiritual.

Apesar dos alertas do Céu, a Humanidade continua relutante em seguir o caminho do bem, negligenciando a gravidade desse momento de transição planetária.

As ondas negativas da ação das trevas, por meio do desamor, egoísmo, orgulho, arrogância, soberba, prepotência, descrença, indiferença, falta de piedade, sexualidade desvirtuada, entre outras, assolam o planeta, buscando a sintonia de muitos e tornando-os transmissores de energias de inferioridade moral.

Diante de tantos escândalos — sinais dos tempos — que deixam a todos indignados, até os escolhidos estão sob a ameaça das tentações, o que implicará aumento da vigilância e da oração para não cair nas armadilhas do mal.

Esses tempos exigem fé, coragem e perseverança no caminho do bem, sabendo que tudo isso passará e que, após a transição planetária, a regeneração chegará à Humanidade.

A era do Espírito pede a inadiável conquista de si mesmo mediante reforma íntima, para seguir novo rumo pela renovação que liberta, substituindo sentimentos inferiores por sentimentos mais elevados, por meio da luta incessante do bem contra o mal, com fé, coragem, confiança, trabalho, esforço, responsabilidade, obras edificantes e méritos para galgar o degrau de evolução que se apresenta.
 

Bibliografia:
BÍBLIA SAGRADA.
IRMÃO VIRGÍLIO (Espírito), na psicografia de Antonio Demarchi. A Nova Jerusalém. 1ª ed. São Paulo/SP: Intelítera Editora, 2015.
KARDEC, Allan; tradução de Evandro Noleto Bezerra. A Gênese. 2ª ed. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2013.
KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª ed. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.
KARDEC, Allan; tradução de Guillon Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª ed. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.
LUCIUS (Espírito), na psicografia de André Luiz de Andrade Ruiz. Herdeiros do Novo Mundo. 2ª ed. Araras/SP: IDE, 2023.

    

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita