Tema: Paciência com os erros
O quebra-cabeça
Lucas começou a montar o quebra-cabeça novo que ganhara
da madrinha. Ela sabia o quanto ele apreciava esse tipo
de passatempo — e ele já havia montado vários.
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O garoto estava empolgado com o desafio, pois aquele
quebra-cabeça era maior do que todos os outros que já
fizera.
Além disso, a imagem estampada na caixa — a de
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um belo pastor-alemão — era justamente de um
animal que Lucas adorava: cachorros. |
Ele levou a caixa para a sala, abriu-a, rasgou o saco
plástico que continha as peças e despejou-as sobre a
mesinha onde faria a montagem.
Eram muitas peças. Lucas, porém, tinha prática e sabia
por onde começar: virou todas para cima, separou as que
formavam a borda e agrupou as de cores semelhantes.
E começou a montar.
Com as peças pretas, formou o focinho e as costas do
cachorro. As marrons compunham partes do corpo; as
verdes, o gramado.
Aos poucos, a figura começou a surgir, deixando-o ainda
mais animado. Até a irmãzinha, ao ver o progresso do
trabalho, se entusiasmou:
— Lucas, deixa eu ajudar? Quero colocar as pecinhas.
Está ficando tão bonito!
— Não, Silvinha. Prefiro montar sozinho.
— Ah, deixa! Eu também quero fazer.
Diante da insistência da irmã, Lucas acabou cedendo e
permitiu que ela brincasse um pouco, enquanto fazia uma
pausa para lanchar.
Silvinha encaixou algumas peças, mas o quebra-cabeça era
difícil; logo se cansou e foi brincar de outra coisa.
Quando Lucas voltou, percebeu que a ajuda da irmã fora
pequena — e que uma das peças estava encaixada no lugar
errado.
— Mãe, olha o que a Silvinha fez! Forçou a peça no lugar
errado — gritou. — Se meu quebra-cabeça ficar com
defeito, ela vai ver só!
— Calma, filho. Ela não fez por mal. Da próxima vez,
vamos pedir que preste mais atenção ao formato e às
cores de cada peça — disse a mãe.
— Não haverá próxima vez! Acho melhor eu mesmo fazer
sozinho — respondeu Lucas.
Silvinha, que estava por perto, ouviu tudo e ficou
magoada.
— Lucas, eu escutei. Achei muito chato você reclamar de
mim — disse, quase chorando. — Eu me esforcei para
acertar, mas esse quebra-cabeça é muito difícil.
— Está bem, desculpa, Silvinha. Quando você quiser me
ajudar de novo, podemos montar juntos. É difícil mesmo,
mas vai ficar bonito. Vai valer a pena.
Lucas retomou a montagem e encaixou mais algumas peças.
De repente, percebeu algo estranho: havia duas peças
aparentemente iguais. Tratava-se de uma peça de cor bem
diferente, parte da língua do cachorro, que já estava
completa.
— Mamãe, olha o que encontrei! Parece que há uma peça
repetida.
A mãe observou com atenção e confirmou:
— Nossa, é verdade, filho. Mas não tem problema. É
melhor sobrar uma peça do que faltar, não é? Se não
estiver substituindo outra, está tudo bem.
Lucas continuou o trabalho e, depois de algum tempo,
terminou de encaixar quase todas as peças. Infelizmente,
porém, ao final percebeu que faltava uma.
— Mamãe! Está faltando uma peça! — gritou. — A última,
que completa a orelha do pastor-alemão!
Ele e a mãe procuraram debaixo da mesinha, pelo chão da
sala e até na cozinha, onde ele havia feito o lanche.
Nada.
Lucas começou a chorar e a reclamar:
— Esforcei-me tanto, e não adiantou! Esse quebra-cabeça
veio errado! Veio uma peça repetida e está faltando
outra! Ninguém faz nada direito!
— Lucas, meu filho — chamou a mãe com calma —, erros
acontecem. Isso é normal. Em vez de reclamar, vamos
pensar em como resolver. Vou telefonar para a loja,
explicar a situação e perguntar se podemos trocar o
quebra-cabeça. Que tal? Guarde as peças na caixa, por
favor.
Ainda emburrado, Lucas abriu a caixa e estendeu a mão
para desfazer o trabalho. Nesse momento, algo lhe chamou
a atenção.
Dentro do saquinho plástico que protegera as peças havia
uma última pecinha esquecida.
Ele a pegou rapidamente e percebeu que era justamente a
que faltava para completar o desenho.
— Mamãe! Achei a última peça! Completei o quebra-cabeça.
Formei o pastor-alemão! — disse, radiante.
A mãe também se alegrou. Depois que Lucas explicou que a
peça ficara dentro do saquinho, ela aproveitou a ocasião
para ensinar-lhe:
— Está vendo, Lucas, como os enganos acontecem?
Precisamos ter paciência com os erros dos outros, porque
nós também podemos errar, mesmo sem querer.
Lucas ficou pensativo e reconheceu que a mãe tinha
razão. Por pouco o quebra-cabeça não ficara incompleto —
e não por erro de Silvinha ou da loja, mas por descuido
dele próprio, que não retirara todas as peças do saco
plástico.
No fim, tudo deu certo. O quebra-cabeça ficou completo e
muito bonito. E, acima de tudo, Lucas aprendeu uma
importante lição.