Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Paciência com os erros


O quebra-cabeça


Lucas começou a montar o quebra-cabeça novo que ganhara da madrinha. Ela sabia o quanto ele apreciava esse tipo de passatempo — e ele já havia montado vários.

O garoto estava empolgado com o desafio, pois aquele quebra-cabeça era maior do que todos os outros que já fizera.

Além disso, a imagem estampada na caixa — a de

um belo pastor-alemão — era justamente de um animal que Lucas adorava: cachorros.

Ele levou a caixa para a sala, abriu-a, rasgou o saco plástico que continha as peças e despejou-as sobre a mesinha onde faria a montagem.

Eram muitas peças. Lucas, porém, tinha prática e sabia por onde começar: virou todas para cima, separou as que formavam a borda e agrupou as de cores semelhantes.

E começou a montar.

Com as peças pretas, formou o focinho e as costas do cachorro. As marrons compunham partes do corpo; as verdes, o gramado.

Aos poucos, a figura começou a surgir, deixando-o ainda mais animado. Até a irmãzinha, ao ver o progresso do trabalho, se entusiasmou:

— Lucas, deixa eu ajudar? Quero colocar as pecinhas. Está ficando tão bonito!

— Não, Silvinha. Prefiro montar sozinho.

— Ah, deixa! Eu também quero fazer.

Diante da insistência da irmã, Lucas acabou cedendo e permitiu que ela brincasse um pouco, enquanto fazia uma pausa para lanchar.

Silvinha encaixou algumas peças, mas o quebra-cabeça era difícil; logo se cansou e foi brincar de outra coisa.

Quando Lucas voltou, percebeu que a ajuda da irmã fora pequena — e que uma das peças estava encaixada no lugar errado.

— Mãe, olha o que a Silvinha fez! Forçou a peça no lugar errado — gritou. — Se meu quebra-cabeça ficar com defeito, ela vai ver só!

— Calma, filho. Ela não fez por mal. Da próxima vez, vamos pedir que preste mais atenção ao formato e às cores de cada peça — disse a mãe.

— Não haverá próxima vez! Acho melhor eu mesmo fazer sozinho — respondeu Lucas.

Silvinha, que estava por perto, ouviu tudo e ficou magoada.

— Lucas, eu escutei. Achei muito chato você reclamar de mim — disse, quase chorando. — Eu me esforcei para acertar, mas esse quebra-cabeça é muito difícil.

— Está bem, desculpa, Silvinha. Quando você quiser me ajudar de novo, podemos montar juntos. É difícil mesmo, mas vai ficar bonito. Vai valer a pena.

Lucas retomou a montagem e encaixou mais algumas peças. De repente, percebeu algo estranho: havia duas peças aparentemente iguais. Tratava-se de uma peça de cor bem diferente, parte da língua do cachorro, que já estava completa.

— Mamãe, olha o que encontrei! Parece que há uma peça repetida.

A mãe observou com atenção e confirmou:

— Nossa, é verdade, filho. Mas não tem problema. É melhor sobrar uma peça do que faltar, não é? Se não estiver substituindo outra, está tudo bem.

Lucas continuou o trabalho e, depois de algum tempo, terminou de encaixar quase todas as peças. Infelizmente, porém, ao final percebeu que faltava uma.

— Mamãe! Está faltando uma peça! — gritou. — A última, que completa a orelha do pastor-alemão!

Ele e a mãe procuraram debaixo da mesinha, pelo chão da sala e até na cozinha, onde ele havia feito o lanche. Nada.

Lucas começou a chorar e a reclamar:

— Esforcei-me tanto, e não adiantou! Esse quebra-cabeça veio errado! Veio uma peça repetida e está faltando outra! Ninguém faz nada direito!

— Lucas, meu filho — chamou a mãe com calma —, erros acontecem. Isso é normal. Em vez de reclamar, vamos pensar em como resolver. Vou telefonar para a loja, explicar a situação e perguntar se podemos trocar o quebra-cabeça. Que tal? Guarde as peças na caixa, por favor.

Ainda emburrado, Lucas abriu a caixa e estendeu a mão para desfazer o trabalho. Nesse momento, algo lhe chamou a atenção.

Dentro do saquinho plástico que protegera as peças havia uma última pecinha esquecida.

Ele a pegou rapidamente e percebeu que era justamente a que faltava para completar o desenho.

— Mamãe! Achei a última peça! Completei o quebra-cabeça. Formei o pastor-alemão! — disse, radiante.

A mãe também se alegrou. Depois que Lucas explicou que a peça ficara dentro do saquinho, ela aproveitou a ocasião para ensinar-lhe:

— Está vendo, Lucas, como os enganos acontecem? Precisamos ter paciência com os erros dos outros, porque nós também podemos errar, mesmo sem querer.

Lucas ficou pensativo e reconheceu que a mãe tinha razão. Por pouco o quebra-cabeça não ficara incompleto — e não por erro de Silvinha ou da loja, mas por descuido dele próprio, que não retirara todas as peças do saco plástico.

No fim, tudo deu certo. O quebra-cabeça ficou completo e muito bonito. E, acima de tudo, Lucas aprendeu uma importante lição.
 


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O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita