A música é aliada da infância
“Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não
começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos
juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os
instrumentos que fazem a música.” —
Rubem Alves
A música, com seu poder inspirador, pode ser uma das
maiores aliadas no desenvolvimento infantil — sobretudo
na primeira infância, fase decisiva para a aprendizagem
e para a formação do cérebro.
Para a criança, a exposição à música desde cedo não
constitui mero entretenimento, mas importante estímulo à
formação de conexões cerebrais fundamentais. Ela
favorece o desenvolvimento das áreas responsáveis pela
fala, pela atenção e pela capacidade de resolver
problemas. Além disso, estimula a memória, a coordenação
motora e a inteligência emocional, ao ativar
simultaneamente diversas regiões do cérebro.
Crianças que mantêm uma rotina permeada pela música — em
casa e na escola — desenvolvem maior compreensão das
palavras e apresentam progresso linguístico mais rápido,
o que contribui para o domínio do próprio idioma.
Para os bebês, recomendam-se ritmos suaves, como a
música clássica, capazes de criar um ambiente tranquilo
e relaxante.
Já para crianças em fase de desenvolvimento da
linguagem, músicas com letras simples são as mais
indicadas, pois incentivam a ampliação do vocabulário, o
aprimoramento da fala e o reconhecimento de diferentes
sons.
De modo geral, a música contribui para reduzir o
estresse e a ansiedade infantis, criando uma atmosfera
de calma e segurança. Por outro lado, canções com
batidas mais animadas — rítmicas ou dançantes — podem
estimular o movimento, a criatividade e até favorecer a
socialização.
Quem tem filhos pequenos pode instituir uma rotina
musical em casa, promovendo momentos de canto em família
— excelente forma de fortalecer os laços afetivos e, ao
mesmo tempo, estimular o desenvolvimento da linguagem e
da expressão emocional.
Ouvi muita música e cantei bastante na infância. Fiz o
mesmo com minhas filhas. Ambas gostam de música e sabem,
pela experiência cotidiana, que “quem canta seus males
espanta”.
Notinha
A origem do ditado “quem canta seus males espanta”
remonta a tempos antigos, quando a música era
compreendida como forma de cura e libertação. A ideia
por trás da expressão é simples: ao cantar, a pessoa
exterioriza emoções e sentimentos de maneira positiva, o
que contribui para aliviar o estresse e a ansiedade. A
música sempre foi linguagem universal, capaz de unir
pessoas e oferecer consolo nos momentos difíceis.