O encontro de Jesus com a mulher
samaritana
O Mestre dos Mestres seguiu um roteiro pela Galileia
(sinagogas), pela Síria (povo doente e sofrido); foi
seguido por turbas com suas aflições (possessos e
lunáticos); foi acompanhado por deformados e paralíticos
(carregados), pela Decápolis, pela Judeia
(principalmente em Jerusalém) e além da divisa do rio
Jordão.
Conforme a divulgação do Evangelho de João, capítulo 4,
versículos 4 a 42, sabemos que Jesus, em peregrinações,
passou pela Samaria, onde aconteceu o exemplar encontro
com a mulher samaritana. Sobre esse caso, inseriremos
nossos comentários, enfatizando que o Messias ignorou os
preconceitos e as inimizades entre samaritanos e judeus
e por lá compareceu.
Destacamos que o singular encontro à beira do poço de
Jacó, na cidade de Sicar, libertou a mulher de seus
receios. Jesus lhe afirmou detalhes particulares de sua
vida pessoal (sobre os cinco maridos que ela tivera e o
companheiro com quem convivia), algo que o credenciou
como profeta perante a mulher e a comunidade samaritana.
Nesse ensinamento não houve cura; contudo, ocorreu a
exposição acerca da projeção do ser imortal à “água
viva”, aquela que sacia a sede — água viva que é fonte
inesgotável de conhecimentos profícuos perante a
eternidade.
O autor Carlos Torres Pastorino frisou o encontro de
Jesus com essa mulher da Samaria em seu livro Sabedoria
do Evangelho, volume 2, no capítulo “A Samaritana”¹.
Ele destacou a universalidade dos ensinos transmitidos
àquela mulher; da mesma forma, fez menção a Teresa
d’Ávila, pois a monja possuía grande veneração pelo
Cristo de Deus. Torna-se interessante realçar que, no
livro biográfico da mística espanhola², há detalhes
surpreendentes de que ela, em seu aposento, no claustro
em que vivia, orava constantemente perante uma tela de
Jesus e a Samaritana à beira do poço.
No meio samaritano, povo considerado herético pelos
judeus, o Mestre permaneceu por dois dias, ao perpassar
pelos bastidores da vida íntima daquela mulher que
conversara com o estrangeiro — fato incomum à época e à
cultura.
Assim é Jesus.
Veio para os excluídos, aflitos, sofridos e
atormentados.
Grande Médico das Almas.
A pedido do Cristo, a Doutrina Espírita estabeleceu-se
de forma organizada no mundo há dois séculos; bem como
sua vasta literatura sedimentou-se nos preceitos
cristãos, assaz profícuos para nutrirem as almas
sofridas de todo jaez.
Allan Kardec respaldou-se por meio das orientações dos
luminares liderados pelo Espírito Verdade; o mestre
lionês esfacelou dogmas e municiou-se com argumentos
robustos. Além disso, seus textos desdiziam as penas
eternas com um estandarte que estampava a realidade de
que ninguém morre; muito pelo contrário, o Espírito
vivifica e tem um propósito evolutivo.
Porquanto, cintilou, em meados do século XIX, em Paris,
França, a luz que açambarcou corações aflitos e sedentos
de uma água viva — tal qual aquela fonte que foi
oferecida pelo Messias à mulher samaritana.
O Espiritismo sacia a sede de todos aqueles que estão
sedentos de boas novas.
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¹ Editora Sabedoria.
² Livro da Vida/ Santa Teresa de Jesus –
Editora Paulus.
Roni Ricardo Osorio Maia reside em Volta
Redonda (RJ).