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por Roni Ricardo Osorio Maia

 

O encontro de Jesus com a mulher samaritana


O Mestre dos Mestres seguiu um roteiro pela Galileia (sinagogas), pela Síria (povo doente e sofrido); foi seguido por turbas com suas aflições (possessos e lunáticos); foi acompanhado por deformados e paralíticos (carregados), pela Decápolis, pela Judeia (principalmente em Jerusalém) e além da divisa do rio Jordão.

Conforme a divulgação do Evangelho de João, capítulo 4, versículos 4 a 42, sabemos que Jesus, em peregrinações, passou pela Samaria, onde aconteceu o exemplar encontro com a mulher samaritana. Sobre esse caso, inseriremos nossos comentários, enfatizando que o Messias ignorou os preconceitos e as inimizades entre samaritanos e judeus e por lá compareceu.

Destacamos que o singular encontro à beira do poço de Jacó, na cidade de Sicar, libertou a mulher de seus receios. Jesus lhe afirmou detalhes particulares de sua vida pessoal (sobre os cinco maridos que ela tivera e o companheiro com quem convivia), algo que o credenciou como profeta perante a mulher e a comunidade samaritana. Nesse ensinamento não houve cura; contudo, ocorreu a exposição acerca da projeção do ser imortal à “água viva”, aquela que sacia a sede — água viva que é fonte inesgotável de conhecimentos profícuos perante a eternidade.

O autor Carlos Torres Pastorino frisou o encontro de Jesus com essa mulher da Samaria em seu livro Sabedoria do Evangelho, volume 2, no capítulo “A Samaritana”¹. Ele destacou a universalidade dos ensinos transmitidos àquela mulher; da mesma forma, fez menção a Teresa d’Ávila, pois a monja possuía grande veneração pelo Cristo de Deus. Torna-se interessante realçar que, no livro biográfico da mística espanhola², há detalhes surpreendentes de que ela, em seu aposento, no claustro em que vivia, orava constantemente perante uma tela de Jesus e a Samaritana à beira do poço.

No meio samaritano, povo considerado herético pelos judeus, o Mestre permaneceu por dois dias, ao perpassar pelos bastidores da vida íntima daquela mulher que conversara com o estrangeiro — fato incomum à época e à cultura.

Assim é Jesus.

Veio para os excluídos, aflitos, sofridos e atormentados.

Grande Médico das Almas.

A pedido do Cristo, a Doutrina Espírita estabeleceu-se de forma organizada no mundo há dois séculos; bem como sua vasta literatura sedimentou-se nos preceitos cristãos, assaz profícuos para nutrirem as almas sofridas de todo jaez.

Allan Kardec respaldou-se por meio das orientações dos luminares liderados pelo Espírito Verdade; o mestre lionês esfacelou dogmas e municiou-se com argumentos robustos. Além disso, seus textos desdiziam as penas eternas com um estandarte que estampava a realidade de que ninguém morre; muito pelo contrário, o Espírito vivifica e tem um propósito evolutivo.

Porquanto, cintilou, em meados do século XIX, em Paris, França, a luz que açambarcou corações aflitos e sedentos de uma água viva — tal qual aquela fonte que foi oferecida pelo Messias à mulher samaritana.

O Espiritismo sacia a sede de todos aqueles que estão sedentos de boas novas.

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¹ Editora Sabedoria.

² Livro da Vida/ Santa Teresa de Jesus – Editora Paulus.

 

Roni Ricardo Osorio Maia reside em Volta Redonda (RJ).


  
    

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita