Nas provas da senda
A Natureza, por livro divino da Sabedoria Celeste,
ensina, em toda parte, que a persistência é o sinal
luminoso da evolução.
O sol não se faz menos brilhante quando ilumina o vasto
espelho do deserto sem água.
A flor não esconde o perfume que lhe é próprio, porque
surjam emanações pestilenciais do charco em que foi
situada.
A fonte não cessa de correr porque o leito em que se
movimenta se constitua de pedras.
A árvore não recolhe os seus galhos porque os vermes
considerados venenosos lhe venham sugar os frutos.
As estrelas fulguram no seio imenso da noite.
A catarata é a força divina da Terra a despenhar-se no
abismo.
O pântano drenado é chão proveitoso.
Só o homem dá curso ao desânimo e à desconfiança, ante
os reservatórios inesgotáveis da paciência e da bondade
divina do Senhor.
Só o homem duvida, dilacera-se, dorme e recua, perdendo,
por vezes, benditas oportunidades de elevação para os
cimos deslumbrantes da vida. E, na indisciplina e na
intemperança, no desespero e na negação a que se
entrega, comumente procura fugir ao quadro de obrigações
que lhe cabem, mas, ainda que se projete aos confins do
Universo, não encontrará senão a si mesmo, com as suas
realidades conscienciais, com o impositivo de tudo
recapitular e tudo recomeçar, para reaprender e refazer.
Assim, pois, em nossas lutas naturais do caminho
regenerativo e santificante, aceitemos o cálice de
nossas provações, seja qual for, sorvendo-lhe
corajosamente o conteúdo, lembrando que nada vale para
nós a fuga dos deveres fundamentais que nos competem,
porque, em nos afastando dos aguilhões salvadores dentro
da vida, estamos simplesmente recusando em vão o
programa sagrado de Deus.
Do livro Marcas do caminho, obra
psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.
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