Cinco-marias

por Eugênia Pickina

 

Brincar no quintal…


“As crianças não brincam de brincar. Brincam de verdade.” 
Mário Quintana


Brinquei muito no quintal: de casinha, amarelinha, esconde-esconde, bola e contação de histórias — inventadas ou revisitadas pela minha imaginação…

Precisamos confiar as crianças aos nossos quintais, varandas, ao tempo livre destinado a brincadeiras singelas, imaginadas, todas projetadas para favorecer o desenvolvimento infantil.

Mais do que nunca — sobretudo nesta época —, pouca tela, pouca parede e, em abundância, árvores e pracinhas: elementos capazes de ajudar no processo de formação da criança, que precisa testar habilidades diversas durante as brincadeiras ao ar livre.

Se você tem um filho pequeno, incentive-o a aventurar-se no quintal… De manhã, logo após o desjejum, ou no entardecer, quando a criança tem vontade de correr, jogar bola, desenhar no chão com giz branco ou amarelo… A vida se enriquece com a alegria fácil da descoberta.

Manoel de Barros, poeta entendido de infância, foi muito certeiro quando nos contou:

“Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade.”

Brincar no quintal, de muitas maneiras, favorece nossa aproximação com o mundo, estimulando um gradual entendimento sobre as pessoas e as coisas.

É importante permitir que a criança — o nosso filho — experimente isso sem pressa e de maneira constante, rotineira…

E você? Brincou muito no quintal? Incentiva seu filho pequeno a arriscar aventuras longe das telas e das paredes?
 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita