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por Roque Roberto Pires de Carvalho

 

Em busca da redenção


Nos dois planos da vida não há conquista sem esforço. Assim, para nós, encarnados, a cruz não é qualquer dificuldade, mas aquela que nos aprimora o espírito: seja uma doença, um relacionamento difícil ou qualquer obstáculo que nos leve a privilegiar as coisas do espírito.

Já para os desencarnados, a cruz são os vícios não superados, os resgates não realizados, os deveres descumpridos, a culpa e o remorso pelas dificuldades não enfrentadas — ou mal sofridas — enquanto militavam no corpo carnal.

Se buscamos, portanto, a nossa redenção, o caminho é único: tomar a nossa cruz e seguir o Mestre Jesus. Foi este o ensinamento que Ele nos deixou para alcançarmos a libertação almejada: a paz.

Paulo (I Coríntios, 1:18) nos ensina que Cristo utilizou o episódio da crucificação entre ladrões para indicar o caminho da vida eterna, que jamais nos conduzirá a Deus sem o aprimoramento e a sublimação de nós próprios. Por isso, advertiu:

“Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me...”. (Mateus, 16:24)

Assim, esclareceu a necessidade de experiências edificantes no círculo individual.

Noutra oportunidade, ensinou o Mestre que “cada um será recompensado segundo as suas obras”. Logo, todos temos de carregar a própria cruz, ou seja, as nossas dificuldades. Não nos livraremos de nossas responsabilidades pelo sacrifício de outros, muito menos pelo sacrifício de Jesus, que veio mostrar-nos a Justiça Divina.

Por essa Justiça Maior, sabemos que a razão de ser de nossa existência é o aperfeiçoamento moral. O pecado não se perdoa, não se lava, não se apaga: sublima-se pela mudança de comportamento, pelas escolhas que fazemos e pelo esforço com que nos superamos.

Esse processo será depurado em nossas vidas terrenas, na pauta da lei justa e equitativa das existências sucessivas — das reencarnações —, nas quais se cumprem as leis de causa e efeito.

O interesse próprio e a causa do Cristo são incompatíveis. Sempre haverá necessidade de renúncias, pois, sem cruz — isto é, sem dificuldades e sacrifícios — não há progresso do Espírito em busca da felicidade suprema.

Jesus não impôs aos homens a sua autoridade: ensinou-a na vivência de cada dia, exibindo sua envergadura na simplicidade e no amor ao próximo.

A cruz é instrumento do que almejamos: o resgate de nossos débitos, para que tenhamos paz. Tão logo tenhamos consciência de que buscamos a paz, igualmente descobriremos a cruz que nos conduzirá ao aperfeiçoamento íntimo e à conquista dessa grande meta.

Figurativamente, deixou para a escolha de cada um, pelo livre-arbítrio, diversas cruzes, e apenas uma que cada qual entenderá suportável, colocando-a sobre os ombros, em caminho para o mais alto.


Fontes:

O Livro dos Espíritos e A Gênese, ambos de Allan Kardec. Brasília: FEB.


  
    

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita