Em busca da redenção
Nos dois planos da vida não há conquista sem esforço.
Assim, para nós, encarnados, a cruz não é qualquer
dificuldade, mas aquela que nos aprimora o espírito:
seja uma doença, um relacionamento difícil ou qualquer
obstáculo que nos leve a privilegiar as coisas do
espírito.
Já para os desencarnados, a cruz são os vícios não
superados, os resgates não realizados, os deveres
descumpridos, a culpa e o remorso pelas dificuldades não
enfrentadas — ou mal sofridas — enquanto militavam no
corpo carnal.
Se buscamos, portanto, a nossa redenção, o caminho é
único: tomar a nossa cruz e seguir o Mestre Jesus. Foi
este o ensinamento que Ele nos deixou para alcançarmos a
libertação almejada: a paz.
Paulo (I Coríntios, 1:18) nos ensina que Cristo utilizou
o episódio da crucificação entre ladrões para indicar o
caminho da vida eterna, que jamais nos conduzirá a Deus
sem o aprimoramento e a sublimação de nós próprios. Por
isso, advertiu:
“Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome
a sua cruz e siga-me...”. (Mateus,
16:24)
Assim, esclareceu a necessidade de experiências
edificantes no círculo individual.
Noutra oportunidade, ensinou o Mestre que “cada um será
recompensado segundo as suas obras”. Logo, todos temos
de carregar a própria cruz, ou seja, as nossas
dificuldades. Não nos livraremos de nossas
responsabilidades pelo sacrifício de outros, muito menos
pelo sacrifício de Jesus, que veio mostrar-nos a Justiça
Divina.
Por essa Justiça Maior, sabemos que a razão de ser de
nossa existência é o aperfeiçoamento moral. O pecado não
se perdoa, não se lava, não se apaga: sublima-se pela
mudança de comportamento, pelas escolhas que fazemos e
pelo esforço com que nos superamos.
Esse processo será depurado em nossas vidas terrenas, na
pauta da lei justa e equitativa das existências
sucessivas — das reencarnações —, nas quais se cumprem
as leis de causa e efeito.
O interesse próprio e a causa do Cristo são
incompatíveis. Sempre haverá necessidade de renúncias,
pois, sem cruz — isto é, sem dificuldades e sacrifícios
— não há progresso do Espírito em busca da felicidade
suprema.
Jesus não impôs aos homens a sua autoridade: ensinou-a
na vivência de cada dia, exibindo sua envergadura na
simplicidade e no amor ao próximo.
A cruz é instrumento do que almejamos: o resgate de
nossos débitos, para que tenhamos paz. Tão logo tenhamos
consciência de que buscamos a paz, igualmente
descobriremos a cruz que nos conduzirá ao
aperfeiçoamento íntimo e à conquista dessa grande meta.
Figurativamente, deixou para a escolha de cada um, pelo
livre-arbítrio, diversas cruzes, e apenas uma que cada
qual entenderá suportável, colocando-a sobre os ombros,
em caminho para o mais alto.
Fontes:
O Livro dos Espíritos e A
Gênese, ambos de Allan Kardec. Brasília: FEB.