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por Rogério Miguez

 

Estão chegando as Folias de Momo!


Embora também sejam comemoradas em outros países, as festividades referentes aos dias de Carnaval atingem seu clímax no Brasil, sendo consideradas a principal festa popular do país. Essa estatística poderia representar um indicador positivo, talvez até motivo de orgulho para os brasileiros, caso não soubéssemos o que está por trás dos inocentes desfiles e dos despretensiosos bailes de salão.

Se tais manifestações populares fossem benéficas para a nossa evolução, na forma como hoje se apresentam nos grandes centros urbanos, o Espiritismo não teria descortinado tantas informações advertindo os foliões — espíritas e não espíritas — dos perigos envolvidos nessas supostamente inofensivas festividades.

Ressalve-se que, no passado — costume que ainda se mantém em certas regiões interioranas — as festas se caracterizavam por gracejos, brincadeiras e folguedos nas ruas, reunindo amigos, vizinhos e familiares. Fantasiavam-se, buscando cada um mostrar-se mais original e chamativo, aproveitando também para apresentar, sob as luzes da sátira e da alegria, questões sociais e problemas do cotidiano.

Era uma época de inocência.

Entretanto, hoje em dia, quanta diferença!

O que se vê é uma necessidade cada vez maior de comercialização insaciável em torno da festa, buscando lucros exorbitantes, bem como o extravasamento do instinto sexual e da sensualidade. O Carnaval sofre, infelizmente, a predominância da viciação — álcool, fumo e drogas ilícitas —, da violência e da pornografia, em parte também em função dos Espíritos pervertidos que participam alegremente dessa generalizada loucura.

Para aqueles talvez surpresos com essa visão, sugere-se, de início, a leitura de um livro publicado em 1939, de autoria de Humberto de Campos. Nessa obra, o autor já advertia: “O Carnaval é a maçã podre do Rio de Janeiro.”¹

Essa afirmação foi motivada pela lembrança de antiga lenda dos tempos romanos. Muitos estavam preocupados com os desvios do Império e com a penosa decadência de seus costumes familiares — qualquer semelhança entre o que ocorreu com os romanos e a nossa triste realidade não é mera coincidência.

Após debates sobre o tema, alguém tomou uma grande maçã podre, comparando-a ao Império, advertindo que não seria mais possível recuperar as antigas tradições, exceto quando a maçã voltasse a ser bela — o que, obviamente, era impossível.

Contudo, o mais velho e sábio discordou daquela conclusão, sugerindo que, se as sementes daquela maçã fossem lançadas na terra generosa e cuidadas com zelo, novas maçãs frescas e saborosas poderiam ser colhidas. Advertiu, assim, que se fizesse o mesmo com as novas gerações de romanos: cuidando das crianças e dos jovens — as sementes —, educando-os dentro dos princípios sagrados das antigas tradições e hábitos romanos. Dessa forma, toda a podridão desapareceria, e o futuro do idealismo romano estaria resguardado.

Essa magnífica lição, tudo indica, se foi lida, foi esquecida por muitos de nós. Observa-se que, mesmo no seio dos adeptos do Espiritismo, alguns incentivam seus filhos a participarem dos folguedos, lançando, surpreendentemente, a semente da continuidade desse costume entre as novas gerações — conduta que vai de encontro ao que foi ensinado no passado.

É curioso observar esse comportamento entre nós, considerando que, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e do Instituto Sensus, de fevereiro de 2004, verificou-se que 41,2% dos brasileiros gostavam do Carnaval, enquanto 57,4% não queriam nem ouvir falar do assunto. Dessa forma, por qual razão a festa parece atingir a grande maioria?²

Cremos que isso ocorra por conta da mídia, pois, muito antes do início das festividades, ela já começa sua propaganda enganosa do evento, como se fosse a oitava maravilha do mundo. A superexposição do tema nos meios de comunicação dá a impressão de que o Brasil é o “País do Carnaval”.

Como se não bastasse, espíritas que deveriam dar o exemplo juntam-se às festas, participando dos desfiles nas avenidas, seja como espectadores — sob a alegação de que desejam conhecer de perto a “maior festa do mundo” —, seja fantasiando-se e desfilando alegremente nas escolas de samba.

Isso sem falar naqueles que se integram aos blocos que se multiplicam como ervas daninhas, infernizando o sossego dos 57,4% que nem querem saber de Carnaval.

É uma realidade.

E para aqueles que ainda não se convenceram de que não devem incentivar a participação de suas sementes — seus diletos filhos — nos folguedos momescos e, por isso, se sentem pressionados por outros que afirmam não haver nada demais nisso, façam como Thereza de Brito, na obra Vereda Familiar, orientando os pais a dizer, nessa hora: “Demais nada há no Carnaval; só há ‘de menos’.”³

Finalizando, lembremos, mais uma vez, Paulo ao registrar: “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.” (I Coríntios, 10:23)

 

Referências:

1. XAVIER, Francisco Cândido. Novas mensagens, pelo Espírito Humberto de Campos. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1945. Cap.: “O Carnaval no Rio”.

2. Informação originalmente publicada em pesquisa CNT/Sensus (fev. 2004). Atualmente, disponível apenas em arquivos jornalísticos, como o portal do Estadão, mediante assinatura.

3. TEIXEIRA, Raul. Vereda Familiar, pelo Espírito Thereza de Brito. 2. ed. Niterói (RJ): Fráter, 1991. Cap.: “As Folias de Momo”.

 

Nota: Este texto foi escrito antes do carnaval de 2026.


 

 

     
     

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 Revista Semanal de Divulgação Espírita