Estão chegando
as Folias de
Momo!
Embora também
sejam
comemoradas em
outros países,
as festividades
referentes aos
dias de Carnaval
atingem seu
clímax no
Brasil, sendo
consideradas a
principal festa
popular do país.
Essa estatística
poderia
representar um
indicador
positivo, talvez
até motivo de
orgulho para os
brasileiros,
caso não
soubéssemos o
que está por
trás dos
inocentes
desfiles e dos
despretensiosos
bailes de salão.
Se tais
manifestações
populares fossem
benéficas para a
nossa evolução,
na forma como
hoje se
apresentam nos
grandes centros
urbanos, o
Espiritismo não
teria
descortinado
tantas
informações
advertindo os
foliões —
espíritas e não
espíritas — dos
perigos
envolvidos
nessas
supostamente
inofensivas
festividades.
Ressalve-se que,
no passado —
costume que
ainda se mantém
em certas
regiões
interioranas —
as festas se
caracterizavam
por gracejos,
brincadeiras e
folguedos nas
ruas, reunindo
amigos, vizinhos
e familiares.
Fantasiavam-se,
buscando cada um
mostrar-se mais
original e
chamativo,
aproveitando
também para
apresentar, sob
as luzes da
sátira e da
alegria,
questões sociais
e problemas do
cotidiano.
Era uma época de
inocência.
Entretanto, hoje
em dia, quanta
diferença!
O que se vê é
uma necessidade
cada vez maior
de
comercialização
insaciável em
torno da festa,
buscando lucros
exorbitantes,
bem como o
extravasamento
do instinto
sexual e da
sensualidade. O
Carnaval sofre,
infelizmente, a
predominância da
viciação —
álcool, fumo e
drogas ilícitas
—, da violência
e da
pornografia, em
parte também em
função dos
Espíritos
pervertidos que
participam
alegremente
dessa
generalizada
loucura.
Para aqueles
talvez surpresos
com essa visão,
sugere-se, de
início, a
leitura de um
livro publicado
em 1939, de
autoria de
Humberto de
Campos. Nessa
obra, o autor já
advertia: “O
Carnaval é a
maçã podre do
Rio de
Janeiro.”¹
Essa afirmação
foi motivada
pela lembrança
de antiga lenda
dos tempos
romanos. Muitos
estavam
preocupados com
os desvios do
Império e com a
penosa
decadência de
seus costumes
familiares —
qualquer
semelhança entre
o que ocorreu
com os romanos e
a nossa triste
realidade não é
mera
coincidência.
Após debates
sobre o tema,
alguém tomou uma
grande maçã
podre,
comparando-a ao
Império,
advertindo que
não seria mais
possível
recuperar as
antigas
tradições,
exceto quando a
maçã voltasse a
ser bela — o
que, obviamente,
era impossível.
Contudo, o mais
velho e sábio
discordou
daquela
conclusão,
sugerindo que,
se as sementes
daquela maçã
fossem lançadas
na terra
generosa e
cuidadas com
zelo, novas
maçãs frescas e
saborosas
poderiam ser
colhidas.
Advertiu, assim,
que se fizesse o
mesmo com as
novas gerações
de romanos:
cuidando das
crianças e dos
jovens — as
sementes —,
educando-os
dentro dos
princípios
sagrados das
antigas
tradições e
hábitos romanos.
Dessa forma,
toda a podridão
desapareceria, e
o futuro do
idealismo romano
estaria
resguardado.
Essa magnífica
lição, tudo
indica, se foi
lida, foi
esquecida por
muitos de nós.
Observa-se que,
mesmo no seio
dos adeptos do
Espiritismo,
alguns
incentivam seus
filhos a
participarem dos
folguedos,
lançando,
surpreendentemente,
a semente da
continuidade
desse costume
entre as novas
gerações —
conduta que vai
de encontro ao
que foi ensinado
no passado.
É curioso
observar esse
comportamento
entre nós,
considerando
que, segundo
pesquisa da
Confederação
Nacional do
Transporte (CNT)
e do Instituto
Sensus, de
fevereiro de
2004,
verificou-se que
41,2% dos
brasileiros
gostavam do
Carnaval,
enquanto 57,4%
não queriam nem
ouvir falar do
assunto. Dessa
forma, por qual
razão a festa
parece atingir a
grande maioria?²
Cremos que isso
ocorra por conta
da mídia, pois,
muito antes do
início das
festividades,
ela já começa
sua propaganda
enganosa do
evento, como se
fosse a oitava
maravilha do
mundo. A
superexposição
do tema nos
meios de
comunicação dá a
impressão de que
o Brasil é o
“País do
Carnaval”.
Como se não
bastasse,
espíritas que
deveriam dar o
exemplo
juntam-se às
festas,
participando dos
desfiles nas
avenidas, seja
como
espectadores —
sob a alegação
de que desejam
conhecer de
perto a “maior
festa do mundo”
—, seja
fantasiando-se e
desfilando
alegremente nas
escolas de
samba.
Isso sem falar
naqueles que se
integram aos
blocos que se
multiplicam como
ervas daninhas,
infernizando o
sossego dos
57,4% que nem
querem saber de
Carnaval.
É uma realidade.
E para aqueles
que ainda não se
convenceram de
que não devem
incentivar a
participação de
suas sementes —
seus diletos
filhos — nos
folguedos
momescos e, por
isso, se sentem
pressionados por
outros que
afirmam não
haver nada
demais nisso,
façam como
Thereza de
Brito, na obra Vereda
Familiar,
orientando os
pais a dizer,
nessa hora:
“Demais nada há
no Carnaval; só
há ‘de menos’.”³
Finalizando,
lembremos, mais
uma vez, Paulo
ao registrar: “Tudo
me é lícito, mas
nem tudo me
convém.” (I
Coríntios,
10:23)
Referências:
1. XAVIER,
Francisco
Cândido. Novas
mensagens,
pelo Espírito
Humberto de
Campos. 3. ed.
Rio de Janeiro:
FEB, 1945. Cap.:
“O Carnaval no
Rio”.
2. Informação
originalmente
publicada em
pesquisa
CNT/Sensus (fev.
2004).
Atualmente,
disponível
apenas em
arquivos
jornalísticos,
como o portal
do Estadão,
mediante
assinatura.
3. TEIXEIRA,
Raul. Vereda
Familiar,
pelo Espírito
Thereza de
Brito. 2. ed.
Niterói (RJ):
Fráter, 1991.
Cap.: “As Folias
de Momo”.
Nota: Este texto
foi escrito
antes do
carnaval de
2026.