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Criamos e passamos pelo que temos que
viver
A vida vai acontecendo e, com ela, os difíceis problemas
com que nos deparamos.
Por vezes a escuridão, que permitimos que nos envolva,
faz com que esqueçamos os princípios mais básicos do
Cristianismo e da Doutrina Espírita.
Qual o maior princípio e o mais forte de todos? Kardec
coloca as questões logo nas primeiras perguntas, pois é
a base de tudo.
Pergunta número 1 de O Livro dos Espíritos:
1. Que é Deus?
“Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas
as coisas.”
Podemos dizer que nada acontece no Universo sem passar
por Deus. Isso faz muita confusão a quem vê Deus como
uma entidade, uma individualidade, mas não é isso que
Deus é. É a inteligência suprema em si, a causa de todas
as coisas.
Nas religiões cristãs, pelo menos as que eu conheço,
colocam um atributo a Deus de Omnipotência, ou seja, “a
qualidade de ser todo-poderoso, significando poder
ilimitado, absoluto e supremo”. Nada acontece sem que
Deus permita ou comande.
Podemos concluir que os problemas que nos acontecem na
vida, por mais difíceis que sejam e alguns são bem
difíceis, são um movimento dentro da “jurisdição” de
Deus, pois nada acontece despercebidamente para Ele.
Perdoem-me usar adjetivos humanos, mas não temos outra
hipótese na transmissão da linguagem.
Por que Deus permite que tenhamos problemas e alguns bem
graves?
Deus não os cria, mas permite que aconteçam porque eles
são necessários à nossa educação.
Nós atuamos de forma errada, influenciados pelas
conquistas e pelos desejos temporários terrenos, porque
ainda mantemos em nós esta forma de ser egocêntrica, e a
melhor forma de a abandonarmos é experimentarmos “na
pele” o que fizemos ou causamos no passado.
Chamamos a isso de Carma e somos nós, portanto, que
fazemos o nosso futuro; não fosse assim, não existiria
livre-arbítrio.
Podemos afirmar que de um mal nascerá um bem maior, ou
seja, o mal que nos acontece é uma forma de nos levar ao
crescimento espiritual.
Quando é um mal que envolve pessoas na ação, causando
esse mal, funcionará de forma diferente?
Não; é igual. Para nós, que sofremos o mal, continua a
ser algo por que temos de passar, nascido num ato ou
numa forma de estar que mantemos ou tivemos no passado,
mesmo que distante, como noutra vida.
Nossos irmãos, por ainda se apegarem a determinadas
ações negativas, tal como nós, embora possam ser
diferentes, na altura certa são tentados a uma ação que
nos pode prejudicar, para passarmos pelo que
necessitamos de passar. Instrumentos de Deus, no nosso
aprendizado.
Podemos afirmar que o que nos aconteceu foi culpa de
algum irmão ou de vários?
Na visão terrena, parece-nos que sim, mas na realidade,
não. Nós somos os responsáveis por nosso carma, temos de
enfrentar a consequência do que plantamos no passado;
assim, fazemos o nosso “filme” na Terra.
Nossos irmãos adquirem as suas dívidas em suas infelizes
ações, mas o que tenho de enfrentar ou sofrer, se não
viesse dele, viria de outro. Nosso irmão, por suas
aptidões negativas, torna-se - involuntariamente - um
instrumento de Deus e não um ser que ludibriou Deus e
conseguiu fazer-nos um mal que não estava previsto.
Por não percebermos isso como realidade, levamos as
ações de forma pessoal e ganhamos mágoas em vez de
compaixão, por ter sido tal fato a porta de entrada para
a nossa evolução.
Se formos ver em retrospetiva, podemos ver o seguinte
movimento:
- Alguém teve uma má atitude connosco, que nos deixou
numa situação desagradável ou complicada. Isto é o mais
próximo de nós, o que nós vemos na Terra.
- Se voltarmos um pouco atrás, percebemos que nada
acontece sem permissão de Deus, logo, tudo o que me está
a acontecer não é por acaso, teria de acontecer
independentemente dos intervenientes.
. Se voltarmos mais atrás, à raiz do que está a
acontecer, podemos perceber, pela Justiça de Deus, que
não nos acontece nada aleatoriamente e logo vamos
encontrar o movimento de causa e efeito, que chamamos
vulgarmente de carma. No nosso passado encontramos a
criação da dívida ao mal do presente.
Com quem nos devemos zangar?
Com o nosso irmão, o instrumento que somou novas dívidas
em sua ação, motivado por uma cegueira idêntica à nossa,
e nos deu agora a oportunidade de diminuirmos as nossas?
Com Deus que permitiu o acontecimento para nossa
educação e crescimento espiritual?
Ou connosco, que fomos a raiz do mal que sofremos hoje?
É muito comum culparmos os outros por nossas faltas. Um
dia destes, vi um jogo de futebol que acabou empatado.
Um jogador de uma das equipas, quase no final do jogo,
falhou em um penalty e sofreu todo o peso da acusação e
ter a equipa perdido o jogo por sua causa. Eu achei
incrível por que um ato, em 90 minutos, que dura no
máximo 30 segundos, tapa a incapacidade que toda a
equipa teve, durante os outros 89 minutos, de marcar um
golo.
Nós somos iguais na nossa vida. Culpamos os outros pelas
dívidas que vamos acumulando ao longo das diversas
reencarnações.
Fazemos o mesmo nas obsessões, em que a nossa moral é a
chave de tudo.
Se temos uma moral baixa, abrimos portas e convidamos os
obsessores a se ligarem a nós, por dívidas do passado ou
forma de viver do presente.
Se temos uma moral alta, não chamamos a atenção e somos
autênticas paredes para os nossos irmãos desencarnados
que sofrem de uma baixa moral, para além de nos
rodearmos de irmãos com moral idêntica à nossa.
No entanto tentamos curar o obsidiado “correndo” com o
obsessor, quando este está próximo pela moral do
obsidiado.
A causa é o obsidiado e não o obsessor, o que devemos
tratar?
O mal que nos acontece
são necessidades de aprendizado, com base em nosso
passado, e para tal atrai os irmãos necessários,
encarnados e desencarnados, para acontecer o que temos
de viver.
Bruno Abreu reside em Lisboa, Portugal.
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