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por Temi Mary F. Simionato

 

Esforço e oração


E despedida a multidão subiu ao Monte a fim de orar, à parte. E chegada já a tarde estava ali só.” Mt,14:23.


Esforço e oração são dois pilares fundamentais para o nosso equilíbrio de vigilância e atenção ao trabalho que precisamos realizar e a capacidade de perceber as circunstâncias que a vida nos traz para que realizemos a vontade de Deus a cada dia.

Quando Mateus diz: E despedida a multidão subiu ao monte, a que multidão ele se referia? A multidão que está dentro ou fora de nós?

É uma análise mais íntima do nosso dia, da nossa jornada. É o nosso momento interior.

Assim como Jesus ficava consigo mesmo e com Deus em alguns momentos, nós também precisamos dessa solidão, dessa quietude interior, para a nossa reflexão. É não nos deixar distrair com as coisas do mundo, mas entrar em nós, no nosso mundo íntimo, para o nosso burilamento íntimo.

Isso não significa que devamos nos isolar, nos afastar da sociedade, senão não evoluiríamos e voltaríamos à animalidade, pois a  vida social é uma lei da Natureza, essencial para o progresso intelectual e moral. O isolamento é considerado contra a natureza, pois o homem precisa de união para desenvolver suas faculdades e auxiliar o próximo. O objetivo é que, ao viver em sociedade, o indivíduo supere o egoísmo e desenvolva o amor e a caridade.

A vida social é a pedra de toque que vai aferir nossas virtudes. Longe da sociedade ninguém alcança a iluminação. É o florescer das virtudes através das diferenças e dificuldades da vida.

O Cristo nos mostra como nos conciliar através do trabalho, o esforço e a oração em nosso caminhar. Jesus, nosso maior exemplo, mostrou-nos que junto aos aflitos, aos sofredores, descemos aos vales e nos iluminamos.

Lembremos sempre que Jesus abraçou os filhos do Calvário com a indulgência, o perdão, o amparo a todos, sempre com a prece como caminho, direção, rota a seguir.

A prece nos dá a sustentação para o que tivermos de fazer; ainda que alguns não a busquem, tudo vem do Alto. Por essa razão precisamos tirar um tempo para parar, meditar, dialogar com o Pai no santuário da nossa consciência; assim alcançamos a paz para colher as luzes do aprendizado.

No recolhimento estamos com Deus. Não é apenas o silêncio exterior, mas principalmente o silêncio interior, que é feito através da prece  um estudo de nós mesmos para que possamos ouvir a voz do silêncio e o que Ele nos orienta.

Temos como exemplo Santo Agostinho (espírito), que relatou em O Livro dos Espíritos, na questão 919a, que aproveitava o silêncio da noite para que por meio da prece pudesse fazer uma autoavaliação e, assim, corrigir suas imperfeições.

Santo Agostinho diz que o meio mais seguro de ascensão é a nossa ligação com o Pai.

Na matéria, ou seja, quando reencarnados, viemos para trabalhar e temos metas e realizações que precisamos completar. A vida na Terra é o bom aproveitamento das horas e minutos, agindo com intenção nobre, com santificação, ou seja, buscando dignificar a ação, dar sentido à vida, através da oração e desse modo entrar em harmonia com Deus.

Primeiramente vamos nos enriquecer aos pés do Cristo à luz da oração para depois partirmos para a ação. Aí sim, fortalecidos, teremos uma ação equilibrada e bem pensada.

Podemos entender então que devemos buscar primeiro a Deus para que a nossa ação seja de equilíbrio e harmonia. Aí estaremos bem sustentados: vida interior mais vida exterior é a fusão mais bonita do Evangelho.

Não é só trabalhar com aflição, ou só ficar orando sem ação  isso seria paralisia da alma. A oração ilumina o trabalho, e a ação e o esforço caminham juntos como luz na vida espiritualizada.

O trabalho e a prece são duas características da atividade diária de Jesus.

Ele jamais ficou distante, à parte das criaturas, para permanecer na contemplação absoluta dos quadros divinos que Lhe iluminavam o coração.

Depois do Seu dia, do Seu esforço diário, Ele fazia uma pausa para meditar a sós, comungando com o Pai na oração solitária e sublime.

Em O Livro dos Espíritos, na questão 657, Kardec pergunta aos Espíritos se têm perante Deus algum mérito os que se consagram à vida contemplativa, uma vez que nenhum mal fazem e só em Deus pensam. E os Espíritos responderam: Não! Porquanto, se é certo que não fazem o mal, também não fazem o bem e são inúteis.

Podemos resumir da seguinte maneira: Quem passa o tempo todo na meditação e na contemplação nada faz de meritório aos olhos de Deus, porque sua vida se torna inútil.

Então, devemos, além de não fazer o mal, fazer o bem através do trabalho interligado com Deus, com atitudes cristãs, fortalecendo-nos por meio da prece.

Bibliografia
:

XAVIER, Francisco Cândido - Ditado pelo Espírito Emmanuel - Caminho, Verdade e Vida -  Editora FEB - 1ª edição- Brasília/DF- lição 06 - 2013.

KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos- Editora FEESP - 16 edição- São Paulo-SP - questões 766 e 775 - 2015.



 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita