Esforço e oração
“E despedida a multidão subiu ao Monte a fim
de orar, à parte. E chegada já a tarde estava
ali só.” Mt,14:23.
Esforço e oração são dois pilares fundamentais
para o nosso equilíbrio de vigilância e atenção
ao trabalho que precisamos realizar e a
capacidade de perceber as circunstâncias que a
vida nos traz para que realizemos a vontade de
Deus a cada dia.
Quando Mateus diz: E despedida a multidão subiu
ao monte, a que multidão ele se referia? A
multidão que está dentro ou fora de nós?
É uma análise mais íntima do nosso dia, da nossa
jornada. É o nosso momento interior.
Assim como Jesus ficava consigo mesmo e com Deus
em alguns momentos, nós também precisamos dessa
solidão, dessa quietude interior, para a nossa
reflexão. É não nos deixar distrair com as
coisas do mundo, mas entrar em nós, no nosso
mundo íntimo, para o nosso burilamento íntimo.
Isso não significa que devamos nos isolar, nos
afastar da sociedade, senão não evoluiríamos e
voltaríamos à animalidade, pois a vida social é
uma lei da Natureza, essencial para o progresso
intelectual e moral. O isolamento é considerado
contra a natureza, pois o homem precisa de união
para desenvolver suas faculdades e auxiliar o
próximo. O objetivo é que, ao viver em
sociedade, o indivíduo supere o egoísmo e
desenvolva o amor e a caridade.
A vida social é a pedra de toque que vai aferir
nossas virtudes. Longe da sociedade ninguém
alcança a iluminação. É o florescer das virtudes
através das diferenças e dificuldades da vida.
O Cristo nos mostra como nos conciliar através
do trabalho, o esforço e a oração em nosso
caminhar. Jesus, nosso maior exemplo,
mostrou-nos que junto aos aflitos, aos
sofredores, descemos aos vales e nos iluminamos.
Lembremos sempre que Jesus abraçou os filhos do
Calvário com a indulgência, o perdão, o amparo a
todos, sempre com a prece como caminho, direção,
rota a seguir.
A prece nos dá a sustentação para o que tivermos
de fazer; ainda que alguns não a busquem, tudo
vem do Alto. Por essa razão precisamos tirar um
tempo para parar, meditar, dialogar com o Pai no
santuário da nossa consciência; assim alcançamos
a paz para colher as luzes do aprendizado.
No recolhimento estamos com Deus. Não é apenas o
silêncio exterior, mas principalmente o silêncio
interior, que é feito através da prece – um
estudo de nós mesmos para que possamos ouvir a
voz do silêncio e o que Ele nos orienta.
Temos como exemplo Santo Agostinho (espírito),
que relatou em O Livro dos Espíritos, na
questão 919a, que aproveitava o silêncio da
noite para que por meio da prece pudesse fazer
uma autoavaliação e, assim, corrigir suas
imperfeições.
Santo Agostinho diz que o meio mais seguro de
ascensão é a nossa ligação com o Pai.
Na matéria, ou seja, quando reencarnados, viemos
para trabalhar e temos metas e realizações que
precisamos completar. A vida na Terra é o bom
aproveitamento das horas e minutos, agindo com
intenção nobre, com santificação, ou seja,
buscando dignificar a ação, dar sentido à vida,
através da oração e desse modo entrar em
harmonia com Deus.
Primeiramente vamos nos enriquecer aos pés do
Cristo à luz da oração para depois partirmos
para a ação. Aí sim, fortalecidos, teremos uma
ação equilibrada e bem pensada.
Podemos entender então que devemos buscar
primeiro a Deus para que a nossa ação seja de
equilíbrio e harmonia. Aí estaremos bem
sustentados: vida interior mais vida exterior é
a fusão mais bonita do Evangelho.
Não é só trabalhar com aflição, ou só ficar
orando sem ação – isso
seria paralisia da alma. A oração ilumina o
trabalho, e a ação e o esforço caminham juntos
como luz na vida espiritualizada.
O trabalho e a prece são duas características da
atividade diária de Jesus.
Ele jamais ficou distante, à parte das
criaturas, para permanecer na contemplação
absoluta dos quadros divinos que Lhe iluminavam
o coração.
Depois do Seu dia, do Seu esforço diário, Ele
fazia uma pausa para meditar a sós, comungando
com o Pai na oração solitária e sublime.
Em O Livro dos Espíritos, na questão 657,
Kardec pergunta aos Espíritos se têm perante
Deus algum mérito os que se consagram à vida
contemplativa, uma vez que nenhum mal fazem e só
em Deus pensam. E os Espíritos responderam: Não!
Porquanto, se é certo que não fazem o mal,
também não fazem o bem e são inúteis.
Podemos resumir da seguinte maneira: Quem passa
o tempo todo na meditação e na contemplação nada
faz de meritório aos olhos de Deus, porque sua
vida se torna inútil.
Então, devemos, além de não fazer o mal, fazer o
bem através do trabalho interligado com Deus,
com atitudes cristãs, fortalecendo-nos por meio
da prece.
Bibliografia:
XAVIER, Francisco Cândido -
Ditado pelo Espírito Emmanuel - Caminho,
Verdade e Vida - Editora FEB - 1ª edição-
Brasília/DF- lição 06 - 2013.
KARDEC, Allan - O Livro dos
Espíritos- Editora FEESP - 16 edição- São
Paulo-SP - questões 766 e 775 - 2015.