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por Martha Triandafelides Capelotto

 

Carências


Sempre extraindo de obras importantes a inspiração para cada texto, hoje quero abordar um tema, claro, sempre de maneira muito sucinta, sobre o significado de carência, que todos nós, de alguma maneira, experimentamos.

Primeiramente, poderíamos defini-la como um estado íntimo de manifestação que surge da privação de alguma necessidade pessoal, cujo principal reflexo é o sentimento de infelicidade.

Sob a ótica espiritual, poderia ser um fluxo energético de vibrações não compensadas reclamando o dinamismo da complementação para gerar bem-estar e equilíbrio na vida do ser.

Pelo lado afetivo, é um processo de desnutrição que pode ter-se iniciado na infância ou até mesmo em outras reencarnações, como, por exemplo, desejos recalcados, expectativas não colimadas, frustrações não superadas, dando azo a uma descompensação emocional pelas experiências traumáticas mal elaboradas, gerando episódios de conflitos e sofrimentos no automatismo da vida mental.

Dentre todas as carências, a maior é a de afeto e carinho, sem os quais ninguém se sente humanizado, levando a criatura à exteriorização de seus sentimentos mais primitivos, que estimulam a ganância e a crueldade proveniente do instinto de conservação exacerbado, segundo bem preleciona Ermance Dufaux em sua obra Mereça Ser Feliz. No estágio espiritual da Terra, a carência de afeto, quase sem exceções, está atrelada aos ditames da lei de retorno.

É importante ressaltar que nem tanto do amor alheio precisam os carentes, porque a carência não está somente nessa ausência de ser amado, mas existem outros mecanismos bloqueadores, compostos por processos emocionais e psíquicos do Espírito, que, mesmo amado, tais mecanismos não permitem esse reconhecimento.

Outra abordagem trazida por Ermance, que deve ser mencionada, diz respeito à origem, ou seja, às matrizes profundas da carência que podem ser encontradas no subconsciente, que é o vício milenar de exigir e esperar ser amado sem disposição altruísta suficiente para amar, resultante de uma construção lenta e gradual com bases no egoísmo. O carente, em verdade, é um doente que deseja ardentemente amar sem conseguir e, não o conseguindo, passa a exigir ser amado, criando situações complicadas e frágeis; é alguém à míngua do amor, um constante cultivador da esperança de ser compensado.

Assim, solidão, ciúme, dependência, escassa autoestima, complexo de inferioridade, depressões, patologias corporais e outros tantos quadros de sofrimento podem decorrer dessa tormentosa vivência da “prisão emocional”, reflexos fiéis de atitudes inconsequentes e levianas de outrora. E quem se encontra nos bastidores de toda essa tormenta? O “espírito carente” passando atestado de sua incapacidade de amar, exigindo atenção e cristalizando-se no apego ou alimentando o ciúme, em conflituosas crises de possessividade.

Por outro lado, também carências surgem como ilusões da vida moderna estimuladas pela mídia e pelos costumes, exigindo de cada um verdadeiro processo de reeducação e controle para não experimentar padecimentos desnecessários.

Infelizmente, observamos uma grande parcela das pessoas que não estão aceitando, em nenhuma hipótese, a possibilidade de fazer cada conquista a seu tempo.

Querem tudo para já, custe o que custar, vivendo a filosofia do imediatismo, sem obediência alguma à prova da resistência moral pela paciência e perseverança. Consequentemente, em assim agindo, percorrem os caminhos largos da precipitação e da imprudência, estimulando ainda mais o egoísmo feroz, que é o outro nome da carência.

Desse modo, com muito ainda a tecer de comentários sobre o assunto, o primeiro passo para a superação é buscar um controle emocional para aferirmos as nossas reais necessidades.


 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita