Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: O mundo espiritual


A rainha desencarnada

 

Era uma vez uma boa rainha. Ela cumpria bem suas funções, cuidava da sua família e tratava com educação todas as pessoas.

A rainha Astrid viveu feliz em seu reino por

muitos anos, mas a idade foi  chegando e sua saúde enfraquecendo.

Os médicos do reino passaram a visitá-la com mais frequência, prescrevendo remédios e muitos cuidados.

Adoentada e idosa, a rainha já não saía mais do castelo e certo dia, depois de um período em que não conseguia sequer se alimentar, ela sentiu-se muito cansada. Pediu ajuda para se acomodar em sua cama e fechou seus olhos, sentindo-se desfalecer.

Quando ela despertou, não conseguia pensar em nada. Não se lembrava bem do que havia acontecido. Estava em um local diferente, que ela não reconhecia. Mas, uma moça com olhar bondoso estava ao seu lado e sorria para ela.

- Olá, Astrid! Como está se sentindo? Sou a Beatrice. Estou aqui para ajudá-la – disse a moça.

- Estou bem, mas um pouco confusa – respondeu Astrid. - Por favor, que lugar é este? O que aconteceu comigo?

- Não se preocupe! Aos poucos você vai compreender tudo. O importante agora é você se fortalecer. Mas fique tranquila, o pior já passou. Agora, a cada dia você vai estar melhor.

Beatrice não podia contar ainda, mas Astrid não era mais rainha. Ela não estava mais encarnada na Terra. Seu corpo físico, doente e cansado, havia morrido. A ex-rainha estava agora no mundo espiritual e precisaria acostumar-se à sua nova realidade.

Algumas pessoas entraram no quarto.

- Astrid, minha querida, seja bem-vinda! Que Deus a abençoe! – disse com carinho uma senhora chamada Amelie.

- Recebemos mentalmente o aviso de Beatrice de que você havia acordado. Estamos contentes em tê-la conosco – falou Leopold.

Astrid sorriu e agradeceu. Seu coração se encheu de felicidade por encontrar aquelas pessoas tão gentis. Envolvida pelo carinho deles ela sentiu-se em paz.

Aquelas pessoas eram na verdade familiares amigos, com quem ela tinha ligações desde o passado distante. Eles se revezaram, ajudando Astrid a se recuperar. Ofereceram conforto e depois encorajaram-na a levantar-se e caminhar com eles para conhecer o ambiente.

Pouco a pouco Astrid foi sentindo-se melhor e assim, recuperando as forças físicas, sua mente também foi-se equilibrando e ela começou a lembrar-se das coisas.

- Oh, meu Deus! Onde estará o rei, meu marido? Será que ele sabe onde estou? Deve estar preocupado! Deve ter colocado os soldados da guarda real à minha procura. Onde estarão meus filhos..., meus netos..., meus serviçais?

Com esses pensamentos a ex-rainha começou a se desesperar e, aflita, procurou Beatrice:

- Por favor, Beatrice, ajude-me, por misericórdia. Vocês têm sido muito amáveis, mas não sei se você sabe, sou uma rainha. Preciso voltar para meu reino e para minha família. Não lembro como vim parar aqui. Talvez me haja perdido durante alguma viagem. Em que reino estamos? Ajude-me, por Deus, ajude-me - implorava Astrid chorando.

Beatrice, então, após acalmá-la com palavras gentis, passou a contar toda a verdade e Astrid, apesar da surpresa que a notícia lhe causava, compreendeu o que estava acontecendo.

- Meu Deus! Quer dizer que estou morta? E você também? E todos aqui?

- Não, minha querida! Como você está vendo, estamos todos vivos, porém sem os corpos que utilizávamos na Terra.    

- Mas e agora? Será que todos aqui sabem que sou rainha? Talvez tenham que fazer algumas mudanças nas acomodações e nos serviços.

Beatrice sorriu e com bondade explicou para Astrid que a mudança necessária seria apenas a de sua parte, pois ela não era mais rainha, e que o reino onde elas se encontravam era o Reino de Deus e nele todos são iguais, pois todos são seus filhos.

Astrid ficou um pouco assustada com aquelas declarações. Mas ela era uma boa pessoa. Apesar da sua vivência como soberana, já tinha conquistado uma virtude muito importante chamada humildade e isso ajudou bastante para que ela conseguisse adaptar-se à sua nova vida.

Com o tempo a ex-rainha, antes acostumada a ser servida, percebeu que o trabalho no bem é necessário para quem quer ter méritos e felicidade, e assim começou a participar de tarefas dignas, que lhe eram propostas e que ela aprendia a realizar com dedicação.

Muitas vezes, ela ainda estranhava não ser tratada de maneira especial. Em certas ocasiões ela se surpreendia, por reencontrar pessoas que haviam sido seus humildes servidores na Terra e que, devido à bondade dos seus corações,  estavam, no mundo espriritual, em condições bem mais elevadas que ela.

De vez em quando, como é natural, Astrid sentia saudades do seu reino e dos familiares que ainda estavam na Terra. Mas ao invés de ficar triste, ela agradecia a Deus por todas as experiências da sua última encarnação.

Aquela vivência havia-lhe ensinado, com bastante firmeza, que o poder e o dinheiro da Terra não valem nada no mundo espiritual e que a humildade e a bondade são os verdadeiros tesouros que podemos levar para lá.


 


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O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita