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por Wellington Balbo

 

Mérito


Há uma palavra que é pouco lembrada no movimento espírita e, quando lembrada, muitas vezes produz uma visão bem distorcida. Essa palavra é: mérito. Parece que falar em mérito é desmerecer quem não o teve, criar barreiras e excluir.

Mas o mérito não se trata disso. Quem poderá negar o mérito de alguém que estudou e superou a si tirando uma nota maior na escola? Quem poderá negar o mérito de um trabalho bem feito, do controle emocional exercido num momento hostil? Por que não reconhecer o mérito do sujeito que venceu sua impaciência e superou suas crises de ciúme?

O mérito produz tantas discussões porque o vinculam a questões sociais, o que é empobrecer seu significado e toda experiência da alma.

Há vida e horizontes para além das posições sociais ocupadas no mundo, creiamos.

Os Espíritos nos trazem uma lição interessante: ao vencermos o orgulho e o egoísmo ficará a desigualdade do mérito. Portanto, sempre haverá desigualdade a ser produzida pelas opções que a alma faz neste mundo.

A ninguém são vedadas, dentro de seu campo de ação, as possibilidades do progresso. Ocorre que se faz a conexão estabelecida por comparações:

"Mas fulano começou atrás de beltrano".

O tema é muito mais profundo no campo do mérito. Não é estabelecer comparação entre A e B, mas de si para consigo. Serei melhor hoje do que fui ontem. Quando coloco o assunto “mérito” exclusivo ao segmento da posição social, alimento a comparação com os outros e a inveja.

A comparação produz dois elementos. Caso eu olhe para baixo posso me sentir superior a todos. Caso olhe para cima posso me sentir inferior. Naturalmente que, como um observador, noto as diferenças, mas eis aí uma tarefa a cumprir, uma oportunidade para desenvolver a capacidade de analisar cenários.

Os cenários dos outros, suas necessidades, experiências e virtudes adquiridas são diferentes das minhas, o que me leva ao raciocínio seguinte: não devo me preocupar com a vida alheia, suas conquistas, oportunidades, pois compará-las ao meu contexto é injusto comigo mesmo.

Essa ideia coloca meu pé na realidade: sou alma em trânsito por este mundo com o objetivo de aprender e melhorar, a situação alheia não me diz respeito, as ações dos outros não são desafios meus. Isso liberta. Desvincular-se de comparações ajuda muito na melhora de nossas emoções e sentimentos, colabora para um sentir mais ajustado às leis naturais e seu cumprimento.

Eis, então, na paz de consciência a sensação do mérito que alivia o mundo íntimo da alma.

É para além deste mundo, não apenas aquém...


 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita