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por Roni Ricardo Osorio Maia

 

Uma lágrima de Allan Kardec


Conta-nos o espírito Hilário Silva no livro O Espírito da Verdade[1], por diversos autores espirituais, psicografados ora por Francisco Cândido Xavier (mensagens ímpares) ora por Waldo Viera (mensagens pares) na de número 52 – Há um século, que em uma manhã gelada de 1860 o Codificador da Doutrina dos Espíritos encontrava-se esgotado e preocupado. O dinheiro escasseava para as obras a ele confiadas; a pressão eclesiástica aumentara, numerosas cartas com retaliações ao seu trabalho se reuniam sobre a mesa.

Nesse ínterim, sua esposa, Amélie Boudet, entregou-lhe um embrulho – era uma encomenda. Kardec abriu-a e deparou-se com uma carta e leu-a. Nela, seu autor revelava-lhe sua gratidão por ter-se deparado com O Livro do Espíritos em ocasião muito difícil, quando, uma vez viúvo e desiludido diante das adversidades da vida, resolvera suicidar-se, jogando-se de uma das pontes que atravessam o rio Sena, em Paris.

Desse modo, ele escolhera  a ponte Marie; ao fixar-se na amurada para se atirar nas caudalosas águas fluviais, tocou em um objeto molhado pelo orvalho, o qual caiu sobre os seus pés. Surpreendido, ele resolveu tomar conhecimento do que se tratava, buscou a iluminação do poste mais próximo e leu: “Esta obra salvou-me a vida. Leia com atenção e tenha bom proveito. – A. Laurent”.

O Codificador leu na missiva que o livro salvara a vida de alguém desiludido, e deparou-se com outro relato, na sequência daqueles registros: “Salvou-me também. Deus  abençoe as almas que cooperaram em sua publicação – Joseph Perrier.”

O remetente havia reencadernado o livro e, agradecido, enviava-o ao Emissário da Luz, que, após aquela dedicatória de gratidão, experimentou nova aragem benfeitora a nutri-lo intimamente.

Kardec aconchegou  o livro no peito, raciocinou em detrimento ao desânimo que que lhe apossara frente aos detratores habituais relativos às imperfeições humanas, naquele confronto  do materialismo com a luz  e a verdade; no entanto, ele esperançou-se, porque era  sabedor de que seria preciso continuar... Desculpar os ataques, os insultos, os dissabores, com a certeza de que as pedradas que lhe atirariam seriam dissolvidas no ar.

O respeitável Mensageiro dos Espíritos respirou bem  fundo, e antes de retomar as suas tarefas rotineiras, levantou-se da poltrona, alcançou sua janela, vislumbrou a via pública; logo, acompanhou  o movimento habitual de pedestres, vendo crianças, jovens e idosos a transitarem habitualmente.

“O notável obreiro da Grande revelação respirou a longos haustos e, antes de retomar a caneta para o serviço costumeiro, levou o lenço aos olhos e limpou uma lágrima[2]...”.

De nossa parte, como no comentário suprarreferido, reportamo-nos à nossa base: Allan Kardec, com a nossa profunda admiração e imenso respeito ao seu hercúleo labor, que a ele fora destinado naquele tempo encarnatório na Terra – 3/10/1804 a 31/3/1869, como “Mensageiro da Luz e da Verdade”.


 


[1] O Espírito da Verdade -13 ed. (FEB).

[2] Grifo do autor.


 

Roni Ricardo Osorio Maia reside em Volta Redonda (RJ).


  
    

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita