Uma lágrima de Allan Kardec
Conta-nos o espírito Hilário Silva no livro O
Espírito da Verdade,
por diversos autores espirituais, psicografados ora por
Francisco Cândido Xavier (mensagens ímpares) ora por
Waldo Viera (mensagens pares) na de número 52 – Há um
século, que em uma manhã gelada de
1860 o Codificador da Doutrina dos Espíritos
encontrava-se esgotado e preocupado. O dinheiro
escasseava para as obras a ele confiadas; a pressão
eclesiástica aumentara, numerosas cartas com retaliações
ao seu trabalho se reuniam sobre a mesa.
Nesse ínterim, sua esposa, Amélie Boudet, entregou-lhe
um embrulho – era uma encomenda. Kardec abriu-a e
deparou-se com uma carta e leu-a. Nela, seu autor
revelava-lhe sua gratidão por ter-se deparado com O
Livro do Espíritos em ocasião muito difícil, quando,
uma vez viúvo e desiludido diante das adversidades da
vida, resolvera suicidar-se, jogando-se de uma das
pontes que atravessam o rio Sena, em Paris.
Desse modo, ele escolhera a ponte Marie; ao fixar-se na
amurada para se atirar nas caudalosas águas fluviais,
tocou em um objeto molhado pelo orvalho, o qual caiu
sobre os seus pés. Surpreendido, ele resolveu tomar
conhecimento do que se tratava, buscou a iluminação do
poste mais próximo e leu: “Esta obra salvou-me a vida.
Leia com atenção e tenha bom proveito. – A. Laurent”.
O Codificador leu na missiva que o livro salvara a vida
de alguém desiludido, e deparou-se com outro relato, na
sequência daqueles registros: “Salvou-me também. Deus
abençoe as almas que cooperaram em sua publicação –
Joseph Perrier.”
O remetente havia reencadernado o livro e, agradecido,
enviava-o ao Emissário da Luz, que, após aquela
dedicatória de gratidão, experimentou nova aragem
benfeitora a nutri-lo intimamente.
Kardec aconchegou o livro no peito, raciocinou em
detrimento ao desânimo que que lhe apossara frente aos
detratores habituais relativos às imperfeições humanas,
naquele confronto do materialismo com a luz e a
verdade; no entanto, ele esperançou-se, porque era
sabedor de que seria preciso continuar... Desculpar os
ataques, os insultos, os dissabores, com a certeza de
que as pedradas que lhe atirariam seriam dissolvidas
no ar.
O respeitável Mensageiro dos Espíritos respirou bem
fundo, e antes de retomar as suas tarefas rotineiras,
levantou-se da poltrona, alcançou sua janela, vislumbrou
a via pública; logo, acompanhou o movimento habitual de
pedestres, vendo crianças, jovens e idosos a transitarem
habitualmente.
“O notável obreiro da Grande revelação respirou a longos
haustos e, antes de retomar a caneta para o serviço
costumeiro, levou o lenço aos olhos e limpou
uma lágrima...”.
De nossa parte, como no comentário suprarreferido,
reportamo-nos à nossa base: Allan Kardec, com a nossa
profunda admiração e imenso respeito ao seu hercúleo
labor, que a ele fora destinado naquele tempo
encarnatório na Terra – 3/10/1804 a 31/3/1869, como
“Mensageiro da Luz e da
Verdade”.
Roni Ricardo Osorio Maia reside em Volta
Redonda (RJ).