Há um momento na sua trajetória milenária que a criatura
humana desperta, enfim, para a transcendentalidade da
vida. Geralmente extenuada pelos inúmeros erros e
equívocos decisórios e/ou emocionalmente abalada por
insucessos no campo dos sentimentos sente, afinal, a
necessidade de se conectar com algo mais profundo que
possa lhe preencher o vazio d’alma e, concomitantemente,
trazer respostas. E movida por tal estado de espírito
tende a buscar, com sofreguidão, se reencontrar com o
Deus.
Mas por onde começar esse processo depurador? Não há
outro meio possível a não ser olhando friamente para
dentro de si à luz do ideal divino ao qual – aceitemos
ou não - todos estamos submetidos. Nesse sentido, o
Evangelho fornece-nos o mais perfeito arcabouço moral
para o qual devemos nos mirar. De fato, a mensagem de
Jesus Cristo “é de vida eterna, que penetra as densas
sombras do desconhecimento e desalgema as suas vítimas,
trazendo-as à luz da verdade e do Bem...” (ênfase
minha), conforme lemos no livro Pelos Caminhos de
Jesus, ditado pelo Espírito Amélia Rodrigues (psicografia
de Divaldo Franco). Portanto, não há nada superior a
essa fonte de luz e esclarecimento na face da Terra. A
sua origem é celestial e o seu conteúdo é libertador à
medida que instruí a humanidade quanto aos passos
indispensáveis para que alcance a felicidade plena.
Ademais, como observa Amélia Rodrigues, “Jesus, porém,
na imensa Transjordânia em que a Terra se transformou,
continua ensinando e aguardando aqueles que o queiram
seguir, para alcançarem, ditosos, a vida eterna com
plena liberdade”. Assim sendo, já alcançamos um estágio
civilizatório que nos proporciona ampla
instrumentalização para que nos iluminemos.
Consoante as diretrizes da Espiritualidade Maior, é
chegada a hora de mudanças planetárias profundas para
que nos consolidemos como raça civilizada. Nesse cenário
crucial, os rebeldes e perversos contumazes não serão
mais admitidos. Para eles outros remédios estão sendo já
aplicados, como o degredo para mundos ainda mais
atrasados do que o nosso, a fim de que se ajustem às
leis universais. O Criador, ao que sabemos, não abandona
os seus filhos – até mesmo os mais renitentes ao seu
amor. E como Pai amoroso propicia aos seus filhos
infelizes experiências educativas para que se recuperem
e voltem conscientemente ao seu Reino.
Aos que já acordaram para a importância do cultivo do
ideal divino, mas ainda receiam ou não sabem o que
fazer, alguns passos são deveras fundamentais. Não
vislumbramos medida inicial mais apropriada do que o arrependimento dos
erros e males causados aos outros. Afinal de contas, o
arrependimento é o despertamento efetivo da consciência
que, após submetida a um severo autoexame, encontra, nos
quadros da vida nos quais o indivíduo percorreu, os
momentos em que se perdeu através do abuso das suas
prerrogativas, poder, papel, influência, omissões e
conduta, de modo geral.
O arrependimento é também uma espécie de fel a brotar
das entranhas da alma. Sob tal feito, o infrator
acusa-se incessantemente pelos seus delitos ou desvios
realizados. Ao implementar uma autoanálise, as suas ações,
atitudes, decisões, pensamentos e palavras infelizes
provavelmente serão identificadas como espectro
avassalador a subtrair-lhe a paz e tranquilidade
interior. Tal material mental precisa ser expelido para
que o bem-estar seja reconquistado.
A propósito, n’O Evangelho Segundo o Espiritismo, de
autoria de Allan Kardec, há uma mensagem de Santo
Agostinho na qual ele assevera: “Admirai, no entanto, a
bondade de Deus, que nunca fecha a porta ao
arrependimento. Vem um dia em que ao culpado, cansado de
sofrer, com o orgulho afinal abatido, Deus abre os
braços para receber o filho pródigo que se lhe lança aos
pés [...]”. Já n´O Livro dos Espíritos (questão
992) lemos também que a consequência do arrependimento
na vida atual proporciona ao Espírito oportunidade de
progresso, contanto que tenha tempo suficiente tempo
para efetuar a reparação das faltas. Esclarecerem
igualmente os Espíritos de luz, na aludida questão, que,
“Quando a consciência o exprobra e lhe mostra uma
imperfeição o homem pode sempre melhorar-se”.
Como explicou o Mestre, na obra Pelos
Caminhos de Jesus, “...o
inimigo, o adversário do homem, não é outro homem, mas
ele mesmo, são as suas paixões e mesquinhezas, seu
egoísmo, seu amor-próprio, e esses cruéis verdugos devem
ser frenados, corrigidos ...” (ênfase minha). Diante
disso, é preciso, pois, apegar-se a Deus rogando-lhe
forças, inspiração e coragem para o enfrentamento dos
males criados voluntariamente – cabe frisar. Por
conseguinte, muita paciência deverá ser requerida ao
aspirante da posse de saúde espiritual.
Começando por uma atitude sincera de humildade, o
indivíduo outrora algoz deve procurar – como primeiro
passo efetivo - as suas vítimas e lhes rogar sincero
perdão – algo extremamente difícil para muitos, mas de
efeito espiritual extraordinário. Entretanto, não se
deve acalentar a ilusão de que todos os prejudicados
aceitarão tal pedido de imediato, pois cada um de nós
tem as suas próprias limitações e convicções. Assim, é
preciso compreender que nem todos estarão dispostos a
prontamente proferir o perdão. Seja como for, tal
iniciativa é vital para que os elos perdidos possam ser
trabalhados mesmo que gradualmente rumo à normalidade.
Como elucida Jesus, na obra acima citada, “[...] Aqueles
que se arrependem e buscam ensejo de redenção,
encontram-no. Há sempre um lugar no rebanho do amor para
as ovelhas que retornam e desejam avançar”.
Por fim, é muito raro passar pela vida sem ter dado
passos errados, particularmente em relação aos outros.
Assim sendo, é preciso ter em mente que agir com
humildade e pedir perdão não são demonstrações de
fraqueza, mas de extrema coragem moral. Portanto, se
ainda temos pendências nesse aspecto, é preciso
resolvê-las para conquistarmos a paz de espírito.
Se esse for caso, não percamos mais tempo, pois
certamente Deus abençoará o nosso esforço!