Tema: A lei de Deus está na consciência
O menino, o velho e o burro
Seguiam por um caminho um menino, um velho e um burro. O
velho ia caminhando, enquanto o menino montava o animal.
Haviam saído cedo, pois a caminhada era longa e queriam
aproveitar bem o dia.

Tonico tinha muita vontade de conhecer a cachoeira e
nadar no Lago das Águas Cristalinas, que era famoso em
toda a região. Seu avô, o Sr. Dimas, havia prometido que
quando ele fizesse aniversário o levaria, e agora
cumpria sua promessa.
O velho andava devagar e o burrinho, ao seu lado,
acompanhava seu ritmo. Quando passaram por certo trecho
do caminho, escutaram uma pessoa dizer:
– Que absurdo! O menino, que é saudável e cheio de
energia vai montado, enquanto o velho cansado tem que
caminhar.
Ao ouvir aquilo, Tonico, que gostava muito do seu avô,
achando que ele pudesse estar cansado, pediu para trocar
de posição com ele.
Sr. Dimas disse que não era necessário, mas acabou
concordando e seguindo o caminho montado.
Tonico estava animado. Logo conheceria aquela beleza da
natureza, da qual tanto ouvira falar. Ele andava rápido
e o burro o acompanhava.
Pouco tempo depois eles passaram por outro grupo de
pessoas e novo comentário ouviram:
– Que é isso? O velho, que é adulto, vai montado,
enquanto a criança, com as pernas mais curtas, tem que
andar a pé, correndo risco de cair ou pisar em algo
indevido. Onde já se viu?
O avô, então, para proteger o neto, puxou-o para a
garupa do burro e assim os dois, montados, seguiram pelo
caminho. Mas não por muito tempo, visto que mais
comentários vieram:
– Pobre burro, sobrecarregado, levando duas pessoas ao
mesmo tempo! Animal também se cansa! Eles também
deveriam carregar um pouco o burro para verem se é
fácil!
Ouvindo isso, Tonico e Sr. Dimas se constrangeram.
Desceram do animal e passaram a andar a pé. Mas, mesmo
assim, as críticas não pararam.
– Por que não vai pelo menos o velho em cima do burro?
Imagine um homem nessa idade ter que caminhar quando
poderia ir montado!
– Para que um velho e um menino se distanciarem tanto
assim da vila? Precisavam fazer isso?
Sr. Dimas e Tonico foram ficando aborrecidos com os
comentários que ouviam durante todo o trajeto e, aos
poucos, a animação que estavam no começo da jornada foi
dando lugar a dúvidas e desânimo.
Apesar disso, continuaram caminhando, pois já estavam
bem próximos.
Andaram um pouco mais e finalmente chegaram. Primeiro
começaram a ouvir o barulho da cachoeira. Depois
avistaram a queda d’água de longe, o que fez a animação
de Tonico voltar imediatamente. E quando ele viu o lago
e toda a beleza daquela paisagem, deu um grito de
alegria.
– Que lindo, vovô! É muito mais bonito do que eu
imaginava!
Nesse momento as dúvidas do Sr. Dimas também se foram e
ele teve certeza de que havia agido bem ao levar seu
neto até o Lago das Águas Cristalinas.
Eles se divertiram muito juntos: nadaram, secaram-se ao
sol, comeram o lanche que haviam levado e passearam ao
redor das pedras da cachoeira. O burrinho também ficou
bem satisfeito, bebeu água fresca, pastou à vontade e
descansou bastante na sombra. Sr. Dimas contou para
Tonico muitas histórias e mostrou para ele plantas e
bichinhos curiosos que viviam ali.
Tonico adorou conhecer tudo.
Em determinado momento, Sr. Dimas avisou que já estava
na hora de voltarem e Tonico se entristeceu. Em parte,
porque havia acabado o passeio, mas também porque já
imaginava ouvir novamente os comentários e críticas
desagradáveis da vinda.
– Vovô, e agora? Como vamos fazer? – perguntou o menino.
– O que é o certo? Eu ir montado ou o senhor? Ou nenhum
de nós?
Sr. Dimas, que já era mais experiente e havia tido tempo
para refletir um pouco sobre o que acontecera na vinda,
respondeu:
– Tonico, o certo é fazermos o que a nossa consciência
mandar. Nós não fizemos nada de errado na vinda! A não
ser termos ouvido demais as opiniões dos outros.
– Eu fiz bem em o trazer – continuou ele. – Apesar de
velho, ainda sou saudável e conheço bem a região. Nosso
burrinho é forte e acostumado a trabalhar. Esse percurso
não foi nenhum exagero para ele. Agora nós vamos voltar,
com alegria e segurança. Se alguém comentar alguma coisa
nós vamos avaliar e decidirmos se há algo que possamos
melhorar, ou não. Só isso!
Tonico sorriu. Com as sábias palavras do avô ele
sentiu-se bem mais confiante.
A volta foi tranquila. O menino e o velho se revezaram
na montaria do burro e também caminharam ao lado do
animal em alguns trechos. Pararam para um breve descanso
quando acharam necessário, oferecendo água e deixando o
burrinho pastar um pouco. Cumprimentaram gentilmente
outras pessoas e chegaram felizes ao lar.
Naquele dia, Tonico não apenas conheceu a cachoeira do
Lago das Águas Cristalinas, mas também aprendeu que o
que deve nos guiar é a nossa consciência e não a opinião
dos outros.
(Adaptação de conhecido conto
popular.)