Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: A lei de Deus está na consciência


O menino, o velho e o burro


Seguiam por um caminho um menino, um velho e um burro. O velho ia caminhando, enquanto o menino montava o animal. Haviam saído cedo, pois a caminhada era longa e queriam aproveitar bem o dia.

Tonico tinha muita vontade de conhecer a cachoeira e nadar no Lago das Águas Cristalinas, que era famoso em toda a região. Seu avô, o Sr. Dimas, havia prometido que quando ele fizesse aniversário o levaria, e agora cumpria sua promessa.

O velho andava devagar e o burrinho, ao seu lado,  acompanhava seu ritmo. Quando passaram por certo trecho do caminho, escutaram uma pessoa dizer:

– Que absurdo! O menino, que é saudável e cheio de energia vai montado, enquanto o velho cansado tem que caminhar.

Ao ouvir aquilo, Tonico, que gostava muito do seu avô, achando que ele pudesse estar cansado, pediu para trocar de posição com ele.

Sr. Dimas disse que não era necessário, mas acabou concordando e seguindo o caminho montado.

Tonico estava animado. Logo conheceria aquela beleza da natureza, da qual tanto ouvira falar. Ele andava rápido e o burro o acompanhava.

Pouco tempo depois eles passaram por outro grupo de pessoas e novo comentário ouviram:

– Que é isso? O velho, que é adulto, vai montado, enquanto a criança, com as pernas mais curtas, tem que andar a pé, correndo risco de cair ou pisar em algo indevido. Onde já se viu?

O avô, então, para proteger o neto, puxou-o para a garupa do burro e assim os dois, montados, seguiram pelo caminho. Mas não por muito tempo, visto que mais comentários vieram:

– Pobre burro, sobrecarregado, levando duas pessoas ao mesmo tempo! Animal também se cansa! Eles também deveriam carregar um pouco o burro para verem se é fácil!

Ouvindo isso, Tonico e Sr. Dimas se constrangeram. Desceram do animal e passaram a andar a pé. Mas, mesmo assim, as críticas não pararam.

– Por que não vai pelo menos o velho em cima do burro? Imagine um homem nessa idade ter que caminhar quando poderia ir montado!

– Para que um velho e um menino se distanciarem tanto assim da vila? Precisavam fazer isso?

Sr. Dimas e Tonico foram ficando aborrecidos com os comentários que ouviam durante todo o trajeto e, aos poucos, a animação que estavam no começo da jornada foi dando lugar a dúvidas e desânimo.

Apesar disso, continuaram caminhando, pois já estavam bem próximos.

Andaram um pouco mais e finalmente chegaram. Primeiro começaram a ouvir o barulho da cachoeira. Depois avistaram a queda d’água de longe, o que fez a animação de Tonico voltar imediatamente. E quando ele viu o lago e toda a beleza daquela paisagem, deu um grito de alegria.

– Que lindo, vovô! É muito mais bonito do que eu imaginava!

Nesse momento as dúvidas do Sr. Dimas também se foram e ele teve certeza de que havia agido bem ao levar seu neto até o Lago das Águas Cristalinas.

Eles se divertiram muito juntos: nadaram, secaram-se ao sol, comeram o lanche que haviam levado e passearam ao redor das pedras da cachoeira. O burrinho também ficou bem satisfeito, bebeu água fresca, pastou à vontade e descansou bastante na sombra. Sr. Dimas contou para Tonico muitas histórias e mostrou para ele plantas e bichinhos curiosos que viviam ali.

Tonico adorou conhecer tudo.

Em determinado momento, Sr. Dimas avisou que já estava na hora de voltarem e Tonico se entristeceu. Em parte, porque havia acabado o passeio, mas também porque já imaginava ouvir novamente os comentários e críticas desagradáveis da vinda.

– Vovô, e agora? Como vamos fazer? – perguntou o menino. – O que é o certo? Eu ir montado ou o senhor? Ou nenhum de nós?

Sr. Dimas, que já era mais experiente e havia tido tempo para refletir um pouco sobre o que acontecera na vinda, respondeu:

– Tonico, o certo é fazermos o que a nossa consciência mandar. Nós não fizemos nada de errado na vinda! A não ser termos ouvido demais as opiniões dos outros.

– Eu fiz bem em o trazer – continuou ele. – Apesar de velho, ainda sou saudável e conheço bem a região. Nosso burrinho é forte e acostumado a trabalhar. Esse percurso não foi nenhum exagero para ele. Agora nós vamos voltar, com alegria e segurança. Se alguém comentar alguma coisa nós vamos avaliar e decidirmos se há algo que possamos melhorar, ou não. Só isso!

Tonico sorriu. Com as sábias palavras do avô ele sentiu-se bem mais confiante.

A volta foi tranquila. O menino e o velho se revezaram na montaria do burro e também caminharam ao lado do animal em alguns trechos. Pararam para um breve descanso quando acharam necessário, oferecendo água e deixando o burrinho pastar um pouco. Cumprimentaram gentilmente outras pessoas e chegaram felizes ao lar.

Naquele dia, Tonico não apenas conheceu a cachoeira do Lago das Águas Cristalinas, mas também aprendeu que o que deve nos guiar é a nossa consciência e não a opinião dos outros.


(Adaptação de conhecido conto popular.)


 


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O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita