Os
fundamentos do Espiritismo têm sido fortalecidos
e não enfraquecidos com o passar dos anos
Uma leitora escreveu-nos o seguinte:
“Qual é, na verdade, a posição de Allan Kardec
com relação aos ensinamentos espíritas face ao
avanço da ciência? Se a doutrina dos espíritos
ficar estagnada no que foi estabelecido em
meados do século 19, existe algum perigo de se
ver ridicularizada ou paralisada no tempo, como
acontece com determinadas igrejas que parecem
agir na contramão do progresso científico?"
São duas as proposições apresentadas pela
leitora.
Quanto à posição de Kardec com relação ao avanço
científico, eis o que ele escreveu:
“O Espiritismo (...) não estabelece como
princípio absoluto senão o que se acha
evidentemente demonstrado, ou o que ressalta
logicamente da observação. Entendendo com todos
os ramos da economia social, aos quais dá o
apoio das suas próprias descobertas, assimilará
sempre todas as doutrinas progressivas, de
qualquer ordem que sejam, desde que hajam
assumido o estado de verdades práticas e
abandonado o domínio da utopia, sem o que ele se
suicidaria. Deixando de ser o que é, mentiria à
sua origem e ao seu fim providencial. Caminhando
de par com o progresso, o Espiritismo jamais
será ultrapassado, porque, se novas descobertas
lhe demonstrassem estar em erro acerca de um
ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto.
Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.”
(A Gênese, cap. I, item 55.)
O entendimento acima foi reiterado pelo
codificador da doutrina espírita em outro
momento da mesma obra, quando, linhas adiante,
afirmou que as religiões, e não apenas a
doutrina espírita, devem caminhar lado a lado
com a Ciência.
Em um texto que ele inseriu no cap. IV, Kardec
lembra que as religiões jamais ganharam coisa
alguma em sustentar erros manifestos.
O raciocínio é muito simples. A missão da
Ciência é descobrir as leis da Natureza. Ora,
sendo essas leis obra de Deus, não podem ser
contrárias às religiões que se baseiem na
verdade. Dessa forma, lançar anátema ao
progresso, por atentatório à religião, é
lançá-lo à própria obra de Deus.
Trata-se, aliás, de um trabalho inútil porque
nem todos os anátemas do mundo são capazes de
obstar a que a Ciência avance e a verdade abra
caminho. Se a Religião se nega a avançar com a
Ciência, esta avançará sozinha.
Somente as religiões estacionárias podem, pois,
temer as descobertas da Ciência, as quais só são
funestas àquelas que se deixam distanciar pelas
ideias progressistas, imobilizando-se no
absolutismo de suas crenças. Agindo assim,
demonstram fazer mesquinha ideia da Divindade,
visto que não compreendem que assimilar
as leis da Natureza, que a Ciência revela, é
glorificar a Deus em suas obras. (Cf. A
Gênese, cap. IV, itens 9 e 10.)
Quanto à segunda proposição, entendemos que é um
exagero dizer que o Espiritismo possa ser um dia
ridicularizado pela Ciência, uma vez que seus
fundamentos, ao contrário, têm sido fortalecidos
e não enfraquecidos com o passar dos anos.
Imortalidade da alma, pluralidade das
existências, comunicação com os mortos,
existência de vida em outros mundos – são
princípios fundamentais do Espiritismo que
ganham a cada dia novos adeptos, pela força dos
fenômenos e pelo avanço do conhecimento
científico. As pesquisas conduzidas seriamente,
os filmes, as novelas, as séries de TV, livros
de autores encarnados e desencarnados, tanto
quanto os congressos na área médico-espírita,
provam isso.
Não podemos ignorar que a Doutrina Espírita foi
codificada há mais de 160 anos em uma época em
que nem luz elétrica havia. Surgiram depois
disso a eletrônica, a teoria da relatividade, a
física quântica, o avião, as viagens espaciais,
a TV, o cinema, o rádio, o computador, a
internet...
Nada, porém, foi capaz de balançar um só dos
fundamentos espíritas, contrariamente ao que
ocorre com as chamadas religiões dogmáticas, que
têm dificuldade em conciliar seus dogmas com o
avanço vertiginoso do conhecimento científico e
tecnológico.