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De: José Estênio Gomes Negreiros (Fortaleza, CE)
Segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, às 09:02
Assunto: O que acontece com o espírito logo após o desencarne?
Bom dia, amigo.
Gostaria que você me esclarecesse as seguintes dúvidas:
a) o que ocorre com o espírito logo após a morte por acidente violento?
b) todo e qualquer espírito é 'obrigado' a ser assistido pelos benfeitores espirituais?
c) por que os espíritos que ficam vagando entre nós não são conduzidos ao umbral ou a uma colônia espiritual?
Antecipando-lhe os meus agradecimentos, abraço-o fraternalmente.
José Estênio Gomes Negreiros
Resposta do Editor:
As questões apresentadas pelo estimado leitor já foram examinadas em várias ocasiões nesta Revista e, por isso, entendemos que seria importante para ele e demais interessados no assunto acessar as matérias que aqui publicamos, clicando nos links adiante citados:
edição 60 - Espiritismo-60
edição 82 - Espiritismo-82
edição 146 - Espiritismo-146
edição 539 - Espiritismo-539
Indo direto ao assunto, confirmamos sim que é verdade que muitos Espíritos, em face da perturbação que ocorre depois da morte corpórea, costumam vagar e alguns passam a frequentar o mesmo lar onde viviam anteriormente.
A perturbação pós-morte é comum a todos os Espíritos, mas sua duração depende do grau de elevação de cada um. O Espírito já purificado se reconhece quase imediatamente, enquanto o homem carnal, cuja consciência ainda não está pura, guarda por muito mais tempo a impressão da matéria.
Em nota aposta em seguida à questão 165 d’ O Livro dos Espíritos, Allan Kardec explica que por ocasião da morte tudo, a princípio, é confuso e a alma precisa de algum tempo para entrar no conhecimento de si mesma.
Ela se acha como que aturdida, no estado de uma pessoa que despertou de profundo sono e procura orientar-se sobre sua situação. A lucidez das ideias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se apaga a influência da matéria que ela acaba de abandonar e se dissipa a espécie de névoa que lhe obscurece os pensamentos.
É, pois, variável o tempo que dura o estado de perturbação e nisso tem também grande influência o gênero de morte. Nos casos de morte violenta, por suicídio, acidente, apoplexia e acontecimentos assemelhados, o Espírito fica surpreendido, espantado e não acredita estar morto. Se alguém lhe disser que seu corpo morreu, não acreditará e sustentará, de forma veemente, que continua vivo.
Existe, como se vê, uma limitação normal à ação dos protetores e amigos, pois há casos em que o Espírito tão perturbado está, que nem enxerga os familiares desencarnados que dele se aproximam. Nesse estado, há situações em que ele vê os familiares e as pessoas a quem estima, fala-lhes, mas não entende por que elas não lhe dão importância e parece que o ignoram. Se levado pelo seu protetor espiritual a uma sessão mediúnica, é exatamente isso que diz ao atendente, imaginando que seus familiares não querem conversar com ele por algum motivo que ele ignora.
Essa ilusão prolonga-se até que se dê o completo desprendimento do Espírito. Só então ele se reconhece como tal e passa a compreender que não pertence mais ao número dos chamados vivos.
Vemos, portanto, que nesse processo é indispensável o concurso do tempo e, embora a assistência espiritual jamais lhe falte, o desprendimento completo da influência da matéria é um trabalho individual que depende fundamentalmente do Espírito. |