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por Ricardo Baesso de Oliveira

 

Manipulando memórias


Não seria útil apagar as lembranças que envenenam nossas vidas, por exemplo, aquelas que causam estresse pós-traumático nos veteranos de guerra, ou que decorrem da violência sexual?

O domínio que têm os cientistas dos circuitos envolvidos na memória é tal que já não estamos tão longe desse sonho. Esse tipo de manipulação foi executado em camundongos pela equipe de um vencedor do Prêmio Nobel, o professor Susumu Tonegawa. Se valendo de técnicas bem sofisticadas, os cientistas conseguiram apagar memórias ruins de ratinhos.[i] Nada parecido foi feito em humanos, mas já foi dado um primeiro passo.

Manipular memórias parece ser algo aplicável na dimensão espiritual, se considerarmos a literatura mediúnica de André Luiz. Pelo menos em duas oportunidades isso foi relatado.

Em uma delas, o Espírito Laura, dialogando com André Luiz, na colônia espiritual Nosso Lar, esclarece que ela e o esposo pouco se recordavam de suas existências anteriores. Foi-lhes então proposto determinado recurso de revivescência das memórias.

Segue o relato de Laura:

[...] “quando se me aclarou a visão interior, as lembranças vagas me causavam perturbações de vulto. Coincidiu que meu marido partilhava o mesmo estado d’alma. Resolvemos ambos consultar o assistente Longobardo. Esse amigo, depois de minucioso exame das nossas impressões, nos encaminhou aos magnetizadores do Ministério do Esclarecimento. Recebidos com carinho, tivemos acesso em primeiro lugar à Seção do Arquivo, onde todos nós temos anotações particulares. Aconselharam-nos a ler nossas próprias memórias, durante dois anos, abrangendo o período de três séculos.”

Ante a explicação do Espírito, André indagou:

– “E bastou a leitura para que se sentisse na posse das reminiscências? ”

E Laura, então explicou:

– “Não. A leitura apenas informa. Depois de longo período de meditação para esclarecimento próprio, e com surpresas indescritíveis, fomos submetidos a determinadas operações psíquicas, a fim de penetrar os domínios emocionais das recordações. Os espíritos técnicos no assunto nos aplicaram passes no cérebro, despertando certas energias adormecidas... Ricardo e eu ficamos, então, senhores de trezentos anos de memória integral. ” [ii]

O outro relato de manipulação de memória difere do primeiro, pois relaciona-se ao esquecimento e não à recordação de fatos vividos.

Trata-se de Beatriz, alma generosa, recentemente desencarnada que, ao tomar ciência da traição do marido, sofre grava perturbação psíquica.

Segundo o relato de André Luiz, diante do sucedido, “um dos orientadores da equipe médica recomendou a internação da enferma em hospital adequado, a fim de que se lhe aplicasse a sonoterapia, com algum exercício de narcoanálise, para que se lhe exumassem as recordações possíveis da existência anterior, com a cautela devida, de modo a que se não precipitasse em mergulhos de memória, alusivos a períodos precedentes. O parecer foi acatado. ”[iii]

Considerando os relatos espirituais e as experiências exitosas em animais, é possível, que em futuro, talvez não muito longínquo, a ciência médica desenvolva tecnologia para agir de forma equivalente.

 

 

[i] É assim que aprendemos, Stanislas Dehaene

[ii] Nosso Lar, André Luiz/Chico Xavier

[iii] Sexo e destino, André Luiz/Chico Xavier/ Waldo Vieira


 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita