Manipulando
memórias
Não seria útil
apagar as
lembranças que
envenenam nossas
vidas, por
exemplo, aquelas
que causam
estresse
pós-traumático
nos veteranos de
guerra, ou que
decorrem da
violência
sexual?
O domínio que
têm os
cientistas dos
circuitos
envolvidos na
memória é tal
que já não
estamos tão
longe desse
sonho. Esse tipo
de manipulação
foi executado em
camundongos pela
equipe de um
vencedor do
Prêmio Nobel, o
professor Susumu
Tonegawa. Se
valendo de
técnicas bem
sofisticadas, os
cientistas
conseguiram
apagar memórias
ruins de
ratinhos.[i] Nada
parecido foi
feito em
humanos, mas já
foi dado um
primeiro passo.
Manipular
memórias parece
ser algo
aplicável na
dimensão
espiritual, se
considerarmos a
literatura
mediúnica de
André Luiz. Pelo
menos em duas
oportunidades
isso foi
relatado.
Em uma delas, o
Espírito Laura,
dialogando com
André Luiz, na
colônia
espiritual Nosso
Lar, esclarece
que ela e o
esposo pouco se
recordavam de
suas existências
anteriores.
Foi-lhes então
proposto
determinado
recurso de
revivescência
das memórias.
Segue o relato
de Laura:
[...] “quando se
me aclarou a
visão interior,
as lembranças
vagas me
causavam
perturbações de
vulto. Coincidiu
que meu marido
partilhava o
mesmo estado
d’alma.
Resolvemos ambos
consultar o
assistente
Longobardo. Esse
amigo, depois de
minucioso exame
das nossas
impressões, nos
encaminhou aos
magnetizadores
do Ministério do
Esclarecimento.
Recebidos com
carinho, tivemos
acesso em
primeiro lugar à
Seção do
Arquivo, onde
todos nós temos
anotações
particulares.
Aconselharam-nos
a ler nossas
próprias
memórias,
durante dois
anos, abrangendo
o período de
três séculos.”
Ante a
explicação do
Espírito, André
indagou:
– “E bastou a
leitura para que
se sentisse na
posse das
reminiscências?
”
E Laura, então
explicou:
– “Não. A
leitura apenas
informa. Depois
de longo período
de meditação
para
esclarecimento
próprio, e com
surpresas
indescritíveis,
fomos submetidos
a determinadas
operações
psíquicas, a fim
de penetrar os
domínios
emocionais das
recordações. Os
espíritos
técnicos no
assunto nos
aplicaram passes
no cérebro,
despertando
certas energias
adormecidas...
Ricardo e eu
ficamos, então,
senhores de
trezentos anos
de memória
integral. ” [ii]
O outro relato
de manipulação
de memória
difere do
primeiro, pois
relaciona-se ao
esquecimento e
não à recordação
de fatos
vividos.
Trata-se de
Beatriz, alma
generosa,
recentemente
desencarnada
que, ao tomar
ciência da
traição do
marido, sofre
grava
perturbação
psíquica.
Segundo o relato
de André Luiz,
diante do
sucedido, “um
dos orientadores
da equipe médica
recomendou a
internação da
enferma em
hospital
adequado, a fim
de que se lhe
aplicasse a
sonoterapia, com
algum exercício
de narcoanálise,
para que se lhe
exumassem as
recordações
possíveis da
existência
anterior, com a
cautela devida,
de modo a que se
não precipitasse
em mergulhos de
memória,
alusivos a
períodos
precedentes. O
parecer foi
acatado. ”[iii]
Considerando os
relatos
espirituais e as
experiências
exitosas em
animais, é
possível, que em
futuro, talvez
não muito
longínquo, a
ciência médica
desenvolva
tecnologia para
agir de forma
equivalente.
[i] É
assim
que
aprendemos,
Stanislas
Dehaene
[ii] Nosso
Lar,
André
Luiz/Chico
Xavier
[iii] Sexo
e
destino,
André
Luiz/Chico
Xavier/
Waldo
Vieira