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A imprensa abriu espaço para a polêmica envolvendo Chico
Xavier e o caso Humberto de Campos. E ele voltou às
páginas dos grandes
jornais com estardalhaço ao lado de notícias sobre a
Segunda Guerra Mundial. As
bombas caíam sobre a Europa, e aqui a mediunidade de
Chico era vasculhada mais uma vez pelos jornalistas.
O escritor Mário Donato assinou um texto nada imparcial em O
Estado de S. Paulo,
no dia 12 de agosto de 1944. Não tinha dúvidas:
"Ou se aceita Humberto subsistindo no outro mundo ou se aceita
Chico Xavier valendo
por um Humberto e mais meia dúzia de cérebros arquiprivilegiados".
A mãe de Humberto de Campos, Anna Veras, tomou partido do réu em
entrevista ao
jornal O
Globo: Li
emocionada o livro Crônicas de Além-Túmulo e verifiquei que o
estilo é o mesmo de
Humberto. Se os juízes decidirem que a obra não é dele, mas de Chico,
acho que os intelectuais
patriotas fariam ato de justiça se aceitassem Francisco Xavier
na Academia Brasileira
de Letras [...].
Um acadêmico, o crítico Raimundo Magalhães Júnior, entrou na
roda em A Noite. De
olho nos poemas de Parnaso de Além-Túmulo, deu o
veredicto: "Se Chico Xavier é um embusteiro,
é um embusteiro de talento. Para um homem que fez apenas o curso primário,
sua ri
queza vocabular é surpreendente".
O cronista Edmundo Lins também se debruçou sobre o livro de
poemas para julgar a
capacidade de Chico escrever ou não textos ditados pelo espírito
de Humberto de Campos.
Em artigo em O Globo, ele confessou-se impressionado com
os poemas atribuídos a
Belmiro Braga. O poeta de Juiz de Fora passou a vida escrevendo quadrinhas, trovas de
sabor popular, e ressuscitou no Parnaso de Além-Túmulo como
autor de sextilhas,
sem perder o tom lírico e satírico, singelo e espontâneo. Se
Chico quisesse
imitá-lo,
por que não adotou a forma habitual do poeta?
Foi necessário um escândalo jurídico para a crítica literária
analisar com rigor a obra de
Chico Xavier.
Do livro As vidas de Chico Xavier,
de Marcel Souto Maior.
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