Esfriamento da fé
“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos
esfriará.” — Mateus
24:12
O esfriamento da fé não ocorre de repente. Insinua-se em
nossa vida devagarzinho, aproveitando-se da
invigilância, quando passamos a fazer apenas o que a
nossa tendência aos gozos materiais estimula e agrada ao
ego.
Devemos estar atentos às sutis propensões, muitas vezes
não detectadas pelo nosso ser consciente, que contribuem
para a derrocada da oportunidade reencarnatória.
Vejamos alguns sinais de esfriamento da fé:
— Estudar a religião, sem aplicar seus ensinamentos no
dia a dia; Estar religioso, sem ser religioso; Aceitar a
religião, sem cultivar religiosidade; Ouvir as mensagens
de líderes religiosos, sem vivenciá-las; Justificar
vícios e comportamentos negativos com a justificativa de
que “um dia” vai mudar de vida; Criticar os outros, sem
fazer autocrítica; Participar de casas religiosas apenas
por hábito, sem real envolvimento moral ou
doutrinário.
Lembremo-nos de que a crença não nos exime da
responsabilidade. Apenas saber qual é a conduta ideal
não basta. O cristão que não progride em três anos está
estacionário. Se eu analisar minha versão de três anos
atrás, encontrarei alguma mudança? Ou permanecerei na
mesma situação daquela época? Não está na hora de eu
acender o sinal de alerta para que não perca a atual
existência? Será que já não entrei no círculo vicioso
das existências de baixo teor espiritual em que a alma
insiste em repetir erros pretéritos por falta de esforço
renovador?
Como vencer o amornamento? Fazendo autocrítica diária e
perguntando-se com sinceridade:
— Feri alguém com palavras ou ações? Estou melhor hoje
do que fui ontem? Estou tratando melhor as pessoas?
Estou encontrando espaço no meu tempo para frequentar
uma atividade religiosa? Negligenciei alguma
oportunidade de ajuda? Agi, em algum momento, por
orgulho ou vaidade? Estou em constante oração e
vigilância, capaz de sintonizar anjos espirituais que
vão me auxiliar a identificar e corrigir falhas?
Depois desse balanço existencial — aliás, recomendado
por Santo Agostinho — poderemos responder a nós mesmos
se estamos “mornos” ou ativos, na vivência dos
ensinamentos do Cristo.