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por Nubor Orlando Facure

 

Histórias da vida mais além


Ali, no Centro Espírita de uma cidadezinha de Minas Gerais, três médiuns frequentam assiduamente a reunião noturna de sexta-feira sob a direção de dona Zoraide.

A prece inicia os trabalhos e é lida uma página do Evangelho versando sobre as mesmas palavras das bem-aventuranças: "Mas os mansos herdarão a Terra e se deleitarão na abundância da paz" (Salmo 37:11).

Inicia-se o diálogo com primeiro Espírito:

– Nunca imaginei passar por isso. Estou completamente perdido no meio de uma multidão de gente ignorante e desesperada.

A todo instante alguém corre atrás de mim pedindo socorro. Estão mais aflitos que eu. Pedem ajuda. Me levem de volta para o hospital. Não me sinto bem. Não deviam ter-me dado alta.

Eu então pergunto: Onde está o Céu? ou o inferno? Isto aqui parece uma cidade sem ordem e sem Lei.

Por que tanta gente aflita, desorientada, pedindo ajuda? Andam em bandos como se fossem guiados para andar eternamente sem rumo.

O inferno aqui não tem endereço. Cada um sofre o mesmo castigo: andar perdido e sem rumo.

Novo manifestante:

– Quero os meus direitos. Contribuí com a igreja para garantir meu lugar no Céu e estão me mantendo preso no meio dessa gente horrível.

Não pedi para vir até aqui.

Por que vocês me forçam a falar? Não tenho nada a dizer. Minha esposa é testemunha da generosidade com que sempre atendi os pedidos do Padre Bentinho. Fiz doações expressivas para a Igreja.

E meu confessor? por que não me responde? Ele soube me perdoar com carinho. Não deixei de lhe confessar todos meus pecados.

Não tenho do que me arrepender. Recebi as garantias de que teria meu lugar no Céu.

Terceiro comunicante:

– O que significa isto? Fui levado para um hospital onde não posso receber visitas dos meus filhos. A esposa já é falecida.

Esteve aqui duas ou três vezes e eu não entendi as explicações dela.

Claro, não podia ser diferente, pois ela quis me convencer de que eu também não estou mais vivo em nossa casa. Ela tenta me iludir.

Estou muito bem vivo. Sinto as mesmas dores no peito que me atormentavam. A falta de ar desapareceu. Vejo e escuto muito bem as enfermeiras que me trazem remédios. Não é possível que eu esteja morto.

Agora é uma mulher que se manifesta:

– Quero meu filho nos meus braços, ele não pode continuar nessa vida. Não escuta meus conselhos.

São as más companhias que o levaram aos maus caminhos. Eles o levaram para as drogas. Já abandonou a esposa. Não dá a mínima para os filhos e não se anima a procurar emprego.

Prefiro que ele morra e venha ficar ao meu lado. O Céu não é lugar para as mães enquanto seus filhos sofrem na Terra.

Depois manifesta-se um jovem:

– Mãe, estou bem, fique tranquila. Foi tudo muito rápido. Percebi que a morte chegava de surpresa e não havia retorno. O rins pararam de funcionar. A falta de ar me oprimia. O coração falhava como se tropeçasse.

Quando perdi a consciência perdi a noção de tempo. Não sei como fui parar no hospital onde me encontro. Percebo que não tentam me consolar. Me dão amparo, isso sim. Atendem minhas necessidades.

Tenho de corresponder com disciplina já que aqui tudo é respeitoso, tudo na medida certa. Obedecemos à hierarquia da serenidade.

Mãezinha, sempre que for autorizado estarei ao seu lado.

O próximo a se comunicar mostra-se ofegante e agitado; o médium se esforça, mas o comunicante não se acalma:

– Onde está Marina?

Estou procurando desesperadamente por ela.

Vasculho nas casas onde morou. Sacudo os parentes do interior para me revelarem um sinal dela. Vou aos hospitais. Corro até ao cemitério.

Eu preciso matá-la. Ela não pode viver com aquele monstro.

Eu morri num acidente que me surpreendeu numa estrada movimentada. Mas... Marina é minha e sempre será.

Lição de casa

A Doutrina Espírita descortinou a vida além-túmulo.

E a reunião mediúnica nos põe em contato ostensivo com Espíritos desencarnados que, buscando nosso auxílio, trazem lições esclarecedoras.

Essas histórias nos alertam. O trabalho nos dois lados da vida exige muito estudo e dedicação por longo prazo. 
  
    

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita