|
Na véspera de Natal, na noite do dia 24, sem que ninguém
o visse, Chico Xavier saía com reduzido número de amigos
para visitar aqueles que nem sequer podem se locomover
de seus barracos.
Acobertado pelo manto da noite, percorria vários bairros
carentes de Uberaba, visitando pessoalmente, em nome de Jesus,
os doentes, as viúvas, os filhos do infortúnio oculto.
Além de levar algum presente para cada um, Chico contava casos,
sorria com eles, lembrava sua infância, tomava café e, depois de
orar, seguia em frente.
Poucas pessoas sabem que Chico passava o Natal peregrinando.
Enquanto muitos se reúnem em torno da mesa faustosa, sem
qualquer crítica a eles, ou a nós, esse verdadeiro apóstolo de
Jesus na Terra caminhava quase solitário, levando um pouco de
alegria aos lares e aos corações dos que enfrentam rudes provas.
Para muitos, Chico era, por isso, considerado um verdadeiro pai.
Certa vez uma senhora já bastante velhinha disse:
- O sêo Chico tem sido nem sei o quê pra mim... Deus é que vai
abençoá ele pro resto da vida... Quando o meu marido morreu,
mandei avisá ele... Nóis num tinha dinheiro nem pro enterro...
Ele feiz tudo e mandô me dizê que vai me interrá tumém...
Chico não era só o médium missionário que conhecemos, cuja
produção mediúnica não encontra similar no mundo inteiro, seja
em volume ou em variedade de temas de incontestável qualidade.
Na simplicidade de suas atitudes está a grandeza do seu
Espírito.
Se a vida de Chico nas páginas abertas é bonita, nas páginas que
ninguém conhece, naquelas que só o Senhor pode ler, ela é muito
mais, porquanto o seu amor pelo Cristo é algo que transcende,
perdendo-se na noite insondável dos séculos.
O Natal de Chico Xavier era assim!
Do livro Chico Xavier - mediunidade e coração, de Carlos
Antônio Baccelli.
|