Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha: 23 anos
servindo e instruindo
O Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha, que
completou 23 anos de atividades no dia 3 de janeiro
deste ano, comemorou o fato com a conferência proferida
no dia 2 por Paula Venâncio, de Alcobaça, sobre o tema "A
nova geração e o que nos cabe fazer".
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Fotos de
eventos promovidos pela instituição |
A conferência, como ocorre com todas as palestras
promovidas pela Casa, pode ser vista gratuitamente no
canal que a instituição mantém no YouTube. Para
acessá-lo, clique aqui: CCE
Caldas da Rainha
O Centro de Cultura Espírita tem sua sede na
Rua Francisco Ramos, 34, r/c, no Bairro das Morenas, em
Caldas da Rainha, Portugal, e tem página na Internet em cceespirita.wordpress.com
Entrevistámos na ocasião sua presidente, a profª
Catarina Fernandes, que gentilmente nos deu o seguinte
depoimento:
- Nestes 23 anos de actividade acha que o Espiritismo
tem contribuído para a paz social, apesar da Guerra em
Gaza, Ucrânia e outras?
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Catarina Fernandes - A influência do Espiritismo depende
da adesão e da prática dos seus princípios pelas pessoas
e comunidades; em |
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sociedades fortemente polarizadas ou sob tensões
geopolíticas, a sua capacidade de evitar guerras
ou conflitos internacionais é limitada — mas
pode atenuar tensões locais, promover
reconciliação e amparar vítimas. |
O Espiritismo, ao promover a reforma íntima, a caridade,
a humildade e solidariedade, contribui de forma
significativa para a paz social nas comunidades onde tem
influência, ajudando a diminuir ódios e fortalecer redes
de apoio — elementos que, em conjunto, sustentam
sociedades mais pacíficas e resilientes.
- A violência doméstica é um flagelo no mundo e também
em Portugal. Na ótica espírita, como resolver este
drama?
CF - Na ótica espírita a resolução da violência
doméstica exige uma ação dupla: transformação moral
individual (arrependimento, educação e reforma íntima) e
intervenções práticas e comunitárias (proteção, apoio e
medidas legais). Auxilia, na medida em que, ao promover
a educação afetiva, o respeito mútuo e a humildade
dentro do lar, desenvolve a empatia e o autocontrolo,
prevenindo as agressões. Não obstante, somos criaturas
humanas, e o sentimento de amor, nesse momento, é
dilacerado. Recordo que a Organização Mundial da Saúde
(OMS) estabeleceu que a violência é uma doença da alma
e, deve ser tratada na alma, tanto do ponto de vista
espiritual quanto de natureza psíquica.
- O Espiritismo é contra a imigração, à semelhança de
alguns movimentos que se têm criado um pouco por todo o
mundo?
CF - Não. O Espiritismo, tal como expresso na obra de
Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, não é contra
a imigração. Pelo contrário, os ensinamentos espíritas
realçam princípios que favorecem o acolhimento, a
fraternidade e a caridade entre os povos. A Doutrina
Espírita sustenta que todos somos filhos de Deus e
irmãos, pelo que as fronteiras nacionais não anulam a
obrigação moral de amparar o próximo. A caridade,
implica ajudar quem sofre, seja por miséria, perseguição
ou necessidade — circunstâncias frequentes na vida dos
imigrantes. A caridade prática inclui o acolhimento,
assistência material e orientação. A Doutrina não
prescreve políticas públicas concretas, os aspetos
administrativos, económicos e de segurança nacional
devem ser geridos com responsabilidade, de forma a obter
soluções equilibradas.
- Sendo o Espiritismo uma força de ação social em prol
de uma vida melhor para todos, como vê a questão das
alterações climáticas?
CF - Na ótica espírita, as alterações climáticas são um
problema que exige responsabilidade moral individual e
coletiva, ação prática e educação. O caminho passa por
escolhas e comportamentos, pela promoção da justiça
social e pelo apoio a medidas técnico-científicas e
políticas que preservem a vida no planeta. Assim, o
combate às alterações climáticas torna‑se também uma
expressão concreta da caridade e do amor ao próximo. A
Terra é um bem comum e o uso responsável dos seus
recursos é um dever moral, onde os fenómenos que afetam
o planeta podem ser vistos como resultado das leis
naturais combinadas com as escolhas humanas.
- A corrupção generalizada é uma fatalidade na Terra ou
tem solução?
CF - A corrupção generalizada não é uma fatalidade
irreversível, mas uma consequência das imperfeições
morais dos indivíduos e dos seus hábitos coletivos e,
portanto, tem solução através do progresso moral. A
solução exige trabalho moral e educativo dos indivíduos
e das comunidades: educação das consciências, exercício
da caridade, combate ao orgulho e ao egoísmo, prática
constante da honestidade e das boas influências. Na
prática devemos promover a ética pessoal, a educação
cívica, criar ambientes que incentivem a
responsabilidade e não a impunidade, e apoiar exemplos
de integridade. Mudanças institucionais e legais são
importantes, mas sem a elevação moral dos cidadãos serão
apenas paliativos.
– Como o Espiritismo encara o drama da pedofilia?
CF - O Espiritismo encara a pedofilia como uma grave
expressão das imperfeições morais e das más inclinações
humanas. A origem de actos perversos como a pedofilia
está ligada a paixões e inclinações desordenadas —
orgulho, egoísmo, cupidez, sensualidade desregrada, etc.
Esses vícios comprometem a evolução moral do indivíduo e
conduzem-no a prejudicar os outros. As crianças vítimas
de abuso não são culpadas; pelo contrário, o Espiritismo
realça a necessidade de protecção, caridade e socorro. O
combate à pedofilia implica formação da consciência
ética, educação das famílias, vigilância social, apoio
às vítimas, sanções legais e trabalho de reeducação dos
ofensores. O Espiritismo não preconiza impunidade nem
fatalismo. Haverá consequências para os culpados segundo
a lei humana (processo penal, prisão, terapias
obrigatórias) e consequências espirituais que
impulsionam a necessidade de arrependimento e reparação.
A verdadeira reabilitação exige reconhecimento do mal
cometido, arrependimento sincero e trabalho para reparar
os danos.
– Porque existem milhões de deslocados no planeta
enquanto outros vivem com luxo e sem dificuldades?
CF - A existência de milhões de deslocados e a riqueza
de outros não é uma “injustiça eterna”, mas um reflexo
da condição de mundo de provas e expiações, da
pluralidade das existências e das escolhas individuais.
A justiça tem de ser vista no tempo longo das
reencarnações, onde a distribuição desigual de bens e
males na Terra é vista como relativa e provisória. A
reencarnação permite que cada Espírito passe por várias
existências, recebendo nas diferentes vidas as provas e
expiações necessárias. Assim, o que parece injusto numa
vida pode encontrar equilíbrio noutra. Portanto, parte
da diferença de condição resulta das escolhas e do
percurso evolutivo de cada Espírito. Entretanto, devemos
agir no presente com caridade, educação e esforço moral
para diminuir o sofrimento e ajudar no progresso
coletivo.
- Como vê o Espiritismo a violência urbana (nos EUA e
outros)
CF - A violência urbana é interpretada sobretudo como
consequência de causas morais e espirituais ligadas ao
estado íntimo das pessoas e ao meio social. Os males
sociais são vistos como resultado da acumulação de
imperfeições coletivas e também como provas e
oportunidades de progresso moral. A transformação social
depende da evolução moral dos indivíduos. A violência
urbana, na visão espírita, não é apenas um problema
socioeconómico ou criminal, mas sobretudo um sintoma de
desequilíbrios morais individuais e coletivos,
exacerbados por ambientes negativos e por influências
espirituais.
- Quer deixar uma última mensagem aos nossos leitores?
CF - Jesus disse: "Amar". No momento em que conseguirmos
amar, sem nenhum interesse, sem objetivo de receber uma
resposta, nós encontraremos a plenitude. Na visão
espírita, as provações, as imperfeições e até as
obsessões e as desordens da vida são oportunidades de
expiação e de progresso da nossa alma. Essa perspetiva
dá sentido ao sofrimento — transforma‑o em lição — e
incentiva a esperança e a responsabilidade. Não somos
vítimas passivas, podemos trabalhar a nossa reforma
íntima, cultivar a caridade e a educação moral, e assim
atrair influências melhores e favorecer a nossa
evolução. Além disso, a certeza de que existem Espíritos
superiores prontos a ajudar, conforta quem sofre, indica
que o auxílio é possível e que o destino é evolutivo.
Estas ideias explicam-nos porque o Espiritismo é
considerado o Consolador.
Procurámos ao longo destes 23 anos mostrar que a vida
continua, através de provas científicas que existem da
imortalidade, da comunicabilidade dos espíritos, da
reencarnação, levando as pessoas a entender que, afinal,
há uma justiça divina, igual para todos.
José Lucas reside em Óbidos, Portugal.