O conceito de religião intrínseca segundo o psicólogo
Gordon Allport está integrado ao núcleo da personalidade
do indivíduo, sendo a religião uma busca autêntica e
central para a vida, que guia valores morais e éticos e
oferece significado à existência.
Por outro lado, a religiosidade extrínseca é utilizada
para benefícios externos, como status social ou
segurança.
Allport via a religiosidade intrínseca como uma
expressão de uma personalidade madura e menos propensa
ao preconceito. A religião é o eixo principal em torno
do qual a pessoa organiza sua vida e valores. É uma
busca pessoal e genuína, em vez de uma adesão a normas
sociais ou conveniências.
Allport sugeriu que essa forma de religiosidade está
ligada a uma personalidade madura e a uma menor
propensão a atitudes discriminatórias.
Portanto, está em contraste com a religiosidade
extrínseca que é usada para obter vantagens, como fazer
amigos, ganhar prestígio ou se sentir seguro. A
religiosidade extrínseca é vista como mais superficial,
utilitária e menos integrada à personalidade do
indivíduo. Numa relação superficial a religião serve
como um meio para um fim, e não como um propósito em si
Allport citou o exemplo de indivíduos que usam a
religião para justificar o preconceito, indicando que
seu uso não era genuinamente motivado pela fé.
As crenças religiosas intrínsecas são totalmente
internalizadas e moldam as atitudes, os valores morais e
a visão de mundo do indivíduo. A religião se torna um
"motivo mestre" que inunda toda a vida da pessoa,
oferecendo significado e direção para suas ações.
Há uma adoção da doutrina da "irmandade humana", em que
os praticantes se preocupam com os outros e não usam a
religião para fins egoístas.
Allport via a religiosidade intrínseca como uma forma
mais madura de fé, que se desenvolve e integra na vida
adulta, em contraste com a religião mais imatura e
extrínseca da infância.
Visto por outro prisma, a religião intrínseca de
Einstein era a "religião cósmica", uma espiritualidade
sem dogmas ou um Deus pessoal, centrada na admiração
pela ordem e harmonia do universo.
Em abreviada divagação sobre as religiões extrínsecas
(dogmáticas), trazemos para discussão o artigo Cosmic
religion, de Albert Einstein, contido no livro Out
of my later years, onde são publicadas as coerções
das autoridades escravizantes e encarcerantes da
religião extrínseca (sectária).
Einstein acerca-se da questão da religiosidade
intrínseca como sendo a nossa comunhão perfeita com o
Criador, sopesando a superfluidade dos procuradores
intermediários do Senhor da Vida, habitualmente impondo
práticas coativas, punitivas e negocistas de coisas
“sacras”, sob o tacão das obrigações dos pactos
impudicos.
No nível elevado de religião cósmica conseguimos nos
conectar com liberdade nas coisas e circunstâncias mais
profundas do Universo. Livres, construímos uma relação
profundamente harmoniosa, a partir da qual nos
abastecemos da energia amorosa do Criador da Vida.
Numa relação de subnível religioso Einstein denominou
a religião do medo quando o homem teme a Deus e rende
culto externo para ser supostamente protegido das
adversidades da vida, alimentando sempre a insegurança e
temor dos castigos do Deus extrínseco.
Noutro desnível de subserviência religiosa o Pai da
Teoria da Relatividade denominou de religião da
angústia aquela em que o homem é totalmente manipulado
pelas castas sacerdotais dotadas de poderes para
advogarem junto ao Deus antropomórfico alvitrando
libertação das angústias sociais os seus seguidores.
Já no elevado nível da religiosidade intrínseca Einstein
nomeia-a de religião cósmica, recordando que os grandes
gênios religiosos de todos os tempos se distinguiram por
possuírem este senso de religiosidade intrínseca
cósmica. Por não reconhecerem necessidades dos dogmas e
muito menos um Deus concebido à imagem humana.
Por isso, a religião dita tradicional abomina a religião
cósmica sugerida por Einstein. Até porque é precisamente
entre os denominados heréticos de todos os tempos,
afirma o Gênio da física, que encontramos homens que
foram inspirados por essa elevada experiência religiosa
cósmica, porém foram considerados eventualmente pelos
seus contemporâneos como ateus, ou até, às vezes, também
como santos.
Por este ângulo, homens como Demócrito, Francisco de
Assis e Espinoza se assemelham. Como pode o sentimento
religioso cósmico intrínseco ser transmitido de uma
pessoa a outra se ela destrói a noção limitante de Deus
e a dogmática teologia humana?
Na perspectiva do Einstein a função mais importante da
arte e da ciência consiste em despertar e manter vivo
este sentimento de religião cósmica em todos os que
sejam receptivos a Deus. O homem que está profundamente
convencido da função universal da lei da causalidade não
pode considerar a ideia de um Deus como um ser mesquinho
que interfere no curso dos acontecimentos mais
comezinhos.