Férias: o brincar, os ritmos lentos
Se a gente pudesse escolher a infância que teria vivido,
com enternecimento eu não
recordaria agora aquele velho tio de perna de pau, que
nunca existiu na família, e aquele arroio que nunca
passou aos fundos do quintal,
e onde íamos pescar e sestear nas tardes de verão,
sob o zumbido inquietante dos besouros...
Mário Quintana
Período de férias, recesso escolar para a criança. Mais
tempo livre para brincar, experimentar imaginação, a
espontaneidade, e seguindo um ritmo naturalmente mais
desacelerado.
Em um cotidiano marcado pelo excesso das telas, pressão
por desempenho e agenda tomada por diversas atividades,
o período de férias se revela uma chance de restaurar
experiências essenciais ao desenvolvimento da criança:
correr, jogar bola, brincar de casinha, fazer piquenique
na pracinha, inventar histórias, ler livros, cantar
contente…
Na realidade, o fim do ano cria uma oportunidade de
recuperar sentimentos, estados e sensações que compõem a
experiência da infância: vínculos familiares, histórias
inventadas, brincadeiras orientadas por ritmos mais
lentos, segundo a alegria de viver sem pressa.
Insisto com os pais: a pausa desta época do ano nos
lembra que a infância não é apenas uma fase de
preparação. Ela é vida acontecendo simplesmente no
presente. E brincar livre é o refrão principal dessa
fase bonita e essencial do existir humano…
Notinha
As férias são o momento perfeito para tirar as crianças
de frente das telas. Passeios de bicicleta, caminhadas
ou visitas a parques são experiências que aproximam os
filhos da natureza e estimulam os sentidos e
sentimentos. Observar os detalhes do ambiente, como sons
e aromas, pode ser um exercício divertido. Além disso,
brincar em praças, parques, e interagir com outras
crianças sem a pressão do relógio ou do calendário
escolar contribui de modo natural para o desenvolvimento
infantil.