Quero me livrar dos fantasmas!
Não é incomum que pessoas busquem as casas espíritas
para relatarem casos de avistamentos de fantasmas,
inclusive situações quando há a ocorrência de ruídos,
barulhos, estalos, entre outros fenômenos físicos, em
locais sem a presença de qualquer ser vivo, além daquele
que, trêmulo, relata o inusitado fato.
De modo geral, são vistos como figuras malignas, alguns
mesmo buscando capturar a alma do escolhido para
vê-los, pois nem todos os veem, afinal, fantasma bom só
o Gasparzinho, o fantasma camarada.
Certamente uma preocupação e tanto para quem desconhece
quem são os fantasmas.
Desde tempos remotos, a Humanidade lida com estas
entidades, e elas nada mais são do que almas que
ocupavam corpos que morreram, mas como não há morte de
fato, algumas destas almas permanecem junto àqueles que
lhe fizeram companhia quando estavam vivos e,
eventualmente, são vistos no lado de lá por
alguns dotados da capacidade de observar detalhes do
mundo invisível.
Como não se sabia o que eram estes entes, fomos
desenvolvendo um verdadeiro pavor por estes avistamentos
e, junto com a ignorância total, da maioria, sobre as
leis divinas, criamos muitas fábulas e mitos sobre estas
aparições - repetindo que nada mais são do que Espíritos
como todos nós -, e acabamos por fantasiar ainda mais
estas visões emprestando aos fantasmas vestimentas
absurdas, feições grotescas e arrepiantes.
É por esta razão, aliada ao medo, que eles são vistos,
preferencialmente, em antigos castelos medievais
arrastando pesadas correntes, deslizando pelo piso
envoltos em um lençol alvo e brilhante. Há outros
lugares favoritos: cemitérios, ambientes lúgubres e,
mesmo no nosso cotidiano, em nossas habitações, locais
de trabalho após o expediente, em edifícios antigos,
praças mal iluminadas, parques abandonados, pátios de
grandes proporções, e mesmo na Natureza. Curiosamente,
muitas vezes, quando soam as 12 badaladas da meia noite
e, de preferência, à luz da lua cheia.
A morte é uma ilusão, contudo, infelizmente, por conta
de milênios de desconhecimento da realidade, este
natural fenômeno que pode atingir a todos nós favorece
um cenário de apreensão quando há o aparecimento de
fantasmas. Entretanto, no século XIX, surgiram todas as
explicações sobre este ainda obscuro fato,
desmistificando-o, totalmente. Esta nova etapa de
esclarecimentos à Humanidade, a primeira veio por
Moisés, a segunda por Jesus, foi materializada pela
Terceira Revelação: a Doutrina Espírita, vinda por Allan
Kardec.
Nos compêndios do Espiritismo foram revelados todos os
segredos sobre a morte e seus muitos mistérios.
Os mortos são os nossos parentes, amigos, inimigos...,
que nos antecederam na grande transição e, em função de
muitos não terem se preparado adequadamente para este
significativo momento, permanecem no outro plano
desorientados uns, angustiados outros, sem conseguirem
entender o que aconteceu, e mais, aqueles que provocaram
a própria morte em um momento de significativa angústia
e desilusão, não compreendem por qual razão não
morreram, conforme haviam desejado e esperado.
Dentro desta incerteza sobre o ocorrido, incontáveis
permanecem confusos se dirigindo aos locais por eles
anteriormente conhecidos: residências, clubes, locais de
trabalho, botequins..., tentando entrar em contato com
seus amigos, parentes e conhecidos, entretanto, a
esmagadora maioria, evidentemente, sem sucesso, pois
estão fora do corpo e não articulam mais palavras para
chamarem a atenção dos que ainda permanecem encarnados.
Às vezes, sob condições específicas, conseguem se
mostrar aos chamados vivos, arrepiando seus cabelos,
caso os últimos ainda os tenham, provocando o surgimento
de lendas, de toda a sorte, que acompanham o caminhar da
Humanidade, tempos afora.
Diante desta realidade, podemos afirmar que, por hora,
nós não nos livraremos dos fantasmas, até que tenhamos
evoluído bastante, ganhando confiança e certeza na
imortalidade da alma, quando a visão destes Espíritos se
tornará corriqueira, natural, pois não há morte, só a
continuação da vida.
Alguém já disse que não há razão para temer os mortos,
ao invés, é preciso temer os vivos e, principalmente, a
nós mesmos, em razão dos primeiros não terem condições
materiais de nos prejudicar, muito pelo contrário, podem
mesmo nos ajudar, caso não os temamos e cuidemos para
não alimentar pensamentos de ódio ou revolta, pelo fato
de continuarem vivos.
Mas o que podemos fazer por eles enquanto permanecem
neste estado de perturbação?
A providência é simples, antiga e sem contraindicações:
oremos por todos eles. A prece possui um poder
inimaginável, desconhecido de muitos de nós. Pela
oração, podemos tranquilizá-los, comunicando vibrações
de paz, aceitação da nova condição, ajudando-os a
entender que a vida continua, e, mais, que eles não
estão desamparados, perdidos na imensidão do Universo.
As nossas palavras mentais, ao atingi-los, possuem o
poder de renovação, fortalecimento do ânimo, revigorando
a fé e muito mais.
A condição de desespero em que, temporariamente, muitos
se encontram, pode ser aliviada com as nossas sinceras e
corriqueiras orações, com as mentalizações positivas que
façamos, a sós, ou em família.
Assim, antes de temê-los, enderecemos-lhes bons
pensamentos, afinal, muitos deles são nossos conhecidos
e mesmo entes amados, não havendo razão alguma para
fugir deles. Ajudando-os, logo se reequilibram e
seguirão seus particulares caminhos, deixando de ser os
indesejados fantasmas, tão temidos e assustadores.