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por Rogério Miguez

 

Quero me livrar dos fantasmas!


Não é incomum que pessoas busquem as casas espíritas para relatarem casos de avistamentos de fantasmas, inclusive situações quando há a ocorrência de ruídos, barulhos, estalos, entre outros fenômenos físicos, em locais sem a presença de qualquer ser vivo, além daquele que, trêmulo, relata o inusitado fato.

De modo geral, são vistos como figuras malignas, alguns mesmo buscando capturar a alma do escolhido para vê-los, pois nem todos os veem, afinal, fantasma bom só o Gasparzinho, o fantasma camarada.

Certamente uma preocupação e tanto para quem desconhece quem são os fantasmas.

Desde tempos remotos, a Humanidade lida com estas entidades, e elas nada mais são do que almas que ocupavam corpos que morreram, mas como não há morte de fato, algumas destas almas permanecem junto àqueles que lhe fizeram companhia quando estavam vivos e, eventualmente, são vistos no lado de lá por alguns dotados da capacidade de observar detalhes do mundo invisível.

Como não se sabia o que eram estes entes, fomos desenvolvendo um verdadeiro pavor por estes avistamentos e, junto com a ignorância total, da maioria, sobre as leis divinas, criamos muitas fábulas e mitos sobre estas aparições - repetindo que nada mais são do que Espíritos como todos nós -, e acabamos por fantasiar ainda mais estas visões emprestando aos fantasmas vestimentas absurdas, feições grotescas e arrepiantes.

É por esta razão, aliada ao medo, que eles são vistos, preferencialmente, em antigos castelos medievais arrastando pesadas correntes, deslizando pelo piso envoltos em um lençol alvo e brilhante. Há outros lugares favoritos: cemitérios, ambientes lúgubres e, mesmo no nosso cotidiano, em nossas habitações, locais de trabalho após o expediente, em edifícios antigos, praças mal iluminadas, parques abandonados, pátios de grandes proporções, e mesmo na Natureza. Curiosamente, muitas vezes, quando soam as 12 badaladas da meia noite e, de preferência, à luz da lua cheia.

A morte é uma ilusão, contudo, infelizmente, por conta de milênios de desconhecimento da realidade, este natural fenômeno que pode atingir a todos nós favorece um cenário de apreensão quando há o aparecimento de fantasmas. Entretanto, no século XIX, surgiram todas as explicações sobre este ainda obscuro fato, desmistificando-o, totalmente. Esta nova etapa de esclarecimentos à Humanidade, a primeira veio por Moisés, a segunda por Jesus, foi materializada pela Terceira Revelação: a Doutrina Espírita, vinda por Allan Kardec.

Nos compêndios do Espiritismo foram revelados todos os segredos sobre a morte e seus muitos mistérios.

Os mortos são os nossos parentes, amigos, inimigos..., que nos antecederam na grande transição e, em função de muitos não terem se preparado adequadamente para este significativo momento, permanecem no outro plano desorientados uns, angustiados outros, sem conseguirem entender o que aconteceu, e mais, aqueles que provocaram a própria morte em um momento de significativa angústia e desilusão, não compreendem por qual razão não morreram, conforme haviam desejado e esperado.

Dentro desta incerteza sobre o ocorrido, incontáveis permanecem confusos se dirigindo aos locais por eles anteriormente conhecidos: residências, clubes, locais de trabalho, botequins..., tentando entrar em contato com seus amigos, parentes e conhecidos, entretanto, a esmagadora maioria, evidentemente, sem sucesso, pois estão fora do corpo e não articulam mais palavras para chamarem a atenção dos que ainda permanecem encarnados.

Às vezes, sob condições específicas, conseguem se mostrar aos chamados vivos, arrepiando seus cabelos, caso os últimos ainda os tenham, provocando o surgimento de lendas, de toda a sorte, que acompanham o caminhar da Humanidade, tempos afora.

Diante desta realidade, podemos afirmar que, por hora, nós não nos livraremos dos fantasmas, até que tenhamos evoluído bastante, ganhando confiança e certeza na imortalidade da alma, quando a visão destes Espíritos se tornará corriqueira, natural, pois não há morte, só a continuação da vida.

Alguém já disse que não há razão para temer os mortos, ao invés, é preciso temer os vivos e, principalmente, a nós mesmos, em razão dos primeiros não terem condições materiais de nos prejudicar, muito pelo contrário, podem mesmo nos ajudar, caso não os temamos e cuidemos para não alimentar pensamentos de ódio ou revolta, pelo fato de continuarem vivos.

Mas o que podemos fazer por eles enquanto permanecem neste estado de perturbação?

A providência é simples, antiga e sem contraindicações: oremos por todos eles. A prece possui um poder inimaginável, desconhecido de muitos de nós. Pela oração, podemos tranquilizá-los, comunicando vibrações de paz, aceitação da nova condição, ajudando-os a entender que a vida continua, e, mais, que eles não estão desamparados, perdidos na imensidão do Universo. As nossas palavras mentais, ao atingi-los, possuem o poder de renovação, fortalecimento do ânimo, revigorando a fé e muito mais.

A condição de desespero em que, temporariamente, muitos se encontram, pode ser aliviada com as nossas sinceras e corriqueiras orações, com as mentalizações positivas que façamos, a sós, ou em família.

Assim, antes de temê-los, enderecemos-lhes bons pensamentos, afinal, muitos deles são nossos conhecidos e mesmo entes amados, não havendo razão alguma para fugir deles. Ajudando-os, logo se reequilibram e seguirão seus particulares caminhos, deixando de ser os indesejados fantasmas, tão temidos e assustadores.    

 
  
    

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita