O
caminho da
simplicidade
Não podemos
desconsiderar a
importância de
que se revestem
em nossas vidas
a humildade e a
simplicidade que
se fizeram
presentes na
singela
manjedoura.
“Que cada um
proceda pouco a
pouco à
demolição dos
altares que
todos
ergueram ao
orgulho”. -
Lacordaire
“Os
desentendimentos
faziam-se
constantes;
amigos ameaçavam
abandonar as
tarefas; lutas
internas eram
sufocadas a
custo; diálogos
ásperos;
ciumeira
injustificável;
melindres aos
montes...”
A frase acima,
extratada de uma
página de
Hilário Silva,
psicografada
pelo médium
Carlos A.
Baccelli, e
inserta no
livro Irmãos
do caminho,
capítulo 14,
retrata
fielmente o
lamentável status
quo de
algumas Casas
Espíritas!
Na sequência da
página
mencionada, o
Mentor Amigo
continua
contando que em
um determinado
Centro Espírita
que
experimentava
grandes
crescimentos nas
tarefas e na
qual o Amor
havia batido em
retirada,
multiplicando-se,
em consequência,
os despautérios,
um Benfeitor
Espiritual,
controlando as
faculdades
psicofônicas de
uma das médiuns
do grupo
declarou: “meus
irmãos, os
amigos
desencarnados
que nos
encontramos em
serviço na
instituição,
sentimo-nos no
dever de
trazer-lhes o
nosso humilde
parecer acerca
da questão em
pauta...”
Pegos de
surpresa, os
confrades
encarnados como
que aguçaram os
ouvidos na
expectativa de
uma bombástica
revelação. O
Espírito Amigo,
então,
arrematou: “o
problema, meus
irmãos, não é o
crescimento da
nossa
instituição em
si nas múltiplas
tarefas que
foram
criadas... A
causa dos
problemas que
enfrentamos em
nosso
relacionamento
uns com os
outros é que nós
não conseguimos
nos manter
pequeninos diante
da inevitável
expansão de
nossas
atividades, em
nome do
Cristo!...”
Em 1862, já
antevendo os
dias atuais,
declarou Adolfo,
bispo de Argel: “(...)
generaliza-se o
mal-estar... A
quem inculpar,
senão a vós que
incessantemente
procurais
esmagar-vos uns
aos outros? Não
podeis ser
felizes, sem
mútua
benevolência;
mas, como pode a
benevolência
coexistir com o
orgulho? O
orgulho, eis a
fonte de todos
os vossos males.
Aplicai-vos,
portanto, em
destruí-lo, se
não lhe
quiserdes
perpetuar as
funestas
consequências.
Um único meio se
vos oferece para
isso, mas
infalível:
tomardes para
regra invariável
do vosso proceder
a lei do Cristo, lei
que tendes
repelido ou
falseado”.
Esclarece
Lacordaire que
a humildade,
esse eficiente e
singular
antídoto do
orgulho, é
virtude muito
esquecida entre
nós, concluindo1: “(...)
todos vós que
dos homens
sofreis
injustiças, sede
indulgentes para
as faltas dos
vossos irmãos,
ponderando que
também vós não
vos achais
isentos de
culpas; é isso
caridade, mas é
igualmente
humildade.
(...) Se
permanecerdes
insensíveis à
voz dos
Espíritos
enviados para
depurar e
renovar a vossa
sociedade
civilizada, rica
de ciências,
mas, tão pobre
de bons
sentimentos,
então não vos
restará senão
chorar e gemer
pela vossa
sina”.
O mais triste e
danoso é que
quem se deixa
embalar nas
redes do
orgulho, do
personalismo, da
presunção e da
vaidade, nem
sequer desconfia
disso. É muito
sutil o processo
utilizado pelos
obsessores, para
imobilizar o
trabalhador
espírita, mas é
muito
eficiente! (É
bom dar uma
conferida na
questão 459 de O
Livro dos
Espíritos.)
Complementando o
pensamento de
Hilário Silva,
aduz Irmão José,
no capítulo
dezessete da
obra citada: “(...)
Quantos se
afastam do
caminho da
simplicidade,
sem saberem
depois como
regressar às
origens!...
Quantos
enveredam por
complexos
atalhos da vida,
supondo seguir
por estradas de
ouro que
acabarão por
conduzi-los aos
vales do
desencanto!...
Não são poucos
os espíritos que
voluntariamente
se complicam,
distanciando-se
da alegria das
coisas simples,
onde a
verdadeira
sabedoria
transcende as
teorias dos
cérebros que se
ensandecem à
procura da
verdade.
Jesus, o maior
sábio que já
transitou entre
os homens,
trajava-Se com
singela túnica,
calçava humildes
sandálias,
alimentava-Se
frugalmente, não
tinha uma pedra
onde reclinar a
cabeça e
ensinava a Boa
Nova às margens
de um lago,
rodeado de
crianças, homens
e mulheres de
vida simples...
Quantos sobem,
vertiginosamente,
perdendo o
próprio rumo nas
alturas, sem
condições de
descerem para o
encontro consigo
mesmos?!...
Nicodemos,
doutor em
Israel, foi
ternamente
advertido pelo
Mestre por
ignorar a Lei da
Reencarnação,
revelando a sua
ingenuidade das
coisas divinas
ao indagar do
Senhor de que
maneira um
homem, sendo
velho, poderia
tornar-se
criança e voltar
ao ventre de sua
mãe... Quantos
não conseguem
entregarem-se
aos exercícios
espirituais mais
simples da vida,
quais sejam: o
hábito da oração
cotidiana, a
contemplação da
Natureza, a
partilha do pão
com os famintos,
o gesto de
carinho para com
as crianças, a
visita rápida ao
enfermo, o
sorriso de
fraternidade aos
companheiros, o
cultivo de uma
flor...
Entretanto,
parece ser da
lei que o homem
se complique,
perdendo-se nos
escuros
labirintos de
sua vaidade e de
seu
personalismo,
para, depois,
retomar o
caminho da
simplicidade em
que se despojará
do peso das
aflições
desnecessárias!
Sabedores disto,
porém,
procuremos,
simplificar ao
máximo a nossa
vida, limitando
as nossas
exigências ao
que nos seja
absolutamente
imprescindível
vez que o homem
nada trará
consigo para o
além-túmulo, a
não ser as
conquistas
intelecto-morais
que houver
efetuado na
escola da Terra,
visto que a vida
espírita, para
quantos se
dispõem a
vivenciar o
Evangelho, é a
retomada do
caminho da
simplicidade do
qual, em
sucessivas
existências, nos
apartamos.
Esqueçamos os
aplausos com que
a glória efêmera
do mundo nos
incensa e,
recolhidos à
nossa própria
pequenez diante
da grandeza da
vida, à
semelhança dos
pastores
primitivos,
cajado às mãos e
pés descalços,
trilhemos o
caminho da
simplicidade no
retorno à Casa
Paterna!”
O caminho da
evolução não é
fácil de ser
trilhado, pois
às nossas
próprias
limitações
somam-se os
percalços
provocados
também por
nossos
companheiros da
atual
vilegiatura
carnal. Com
raciocínio
lúcido e
proteção
espiritual,
haveremos de
superar todos
esses obstáculos
internos e
externos,
compreendendo,
com Albino
Teixeira que “esses
companheiros da
Terra: que
nos desfiguram
as melhores
intenções; que
nos falham à
confiança; que
nos criam
problemas; que
nos abandonam
nas horas
difíceis; que
nos induzem à
tentação; que
nos impõem
prejuízos; que
nos criticam os
gestos; que nos
desencorajam as
esperanças; que
nos estimulam à
cólera; que nos
dificultam o
trabalho; que
nos agravam os
obstáculos; que
nos perseguem e
injuriam; são
geralmente os
examinadores
utilizados pela
Espiritualidade
Maior – através
do mecanismo das
provas – a fim
de saber como
vamos seguindo
na obra
libertadora da
própria
desobsessão.
Junto deles,
acalme-se,
observe,
aproveite,
agradeça e
abençoe”.
Afirma Eurípedes
Barsanulfo
(Espírito): “(...)
no coração
governado pelo
amor de Jesus,
não há lugar
para a dignidade
ferida, porque a
dignidade do
discípulo do
Evangelho
brilha, acima de
tudo, no perdão
incondicional
das ofensas e no
serviço
incessante à
extensão do
Bem”.
Assim, após nos
inteirarmos de
tão importantes
conceitos e
pontos de vista
de nossos Irmãos
Maiores da
Espiritualidade,
não podemos
desconsiderar a
importância de
que se revestem
em nossas vidas
a humildade e a
simplicidade que
se fizeram
presentes na
singela
manjedoura,
berço d`Aquele a
Quem nos
propomos servir.
Também não
podemos perder
de vista que –
hodiernamente –
a convivência em
tão adversas
condições,
constitui o
nosso
desafiador,
porém necessário
e inevitável “gólgota” emancipador
que nos abrirá
os Portais do
Infinito de
ventura e
plenitude,
porque já
teremos
compreendido que
entre Deus e nós
a “ponte” é
o próximo.
O Dr. Bezerra de
Menezes faz
votos de que “a
prece se nos
faça luz no
caminho, a fim
de que saibamos
encontrar, cada
dia, o rumo
certo e nele
permanecer,
buscando sempre
os desígnios do
Senhor, acima
dos nossos”.
-
KARDEC,
Allan. O
Evangelho
Seg. o
Espiritismo. 125.ed.
Rio [de
Janeiro]:
FEB,
2006,
cap.
VII,
item 11.