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por Bruno Abreu

 

A felicidade é uma escolha


A forma de vida agitada, confusa e conflituosa que levamos, faz parecer que a felicidade é uma utopia.

Para percebermos se podemos ser felizes, primeiro temos de tentar perceber o que é a felicidade.

felicidade é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude são transformados em emoções ou sentimentos que vão desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo. A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar espiritual ou paz interior. (Fonte: Wikipedia.)

Parece-me que a Wikipedia faz uma descrição aceite pela maioria das pessoas.

Segundo esta descrição, podemos afirmar que a felicidade é uma escolha nossa?

A mim parece, porque fala essencialmente no nosso interior e esse deveria ser comandado por nós.

Por que não conseguimos ser felizes? E o mais grave é que a maioria das pessoas são infelizes. Podem não dar conta disso, mas podemos ver na forma como vivem.

Existe algum medidor para a felicidade? Neurologicamente, existe, mas a maioria de nós não tem acesso a este. Um monge, Matthieu Ricard, após ser estudado pela ciência neurológica, foi considerado o homem mais feliz do mundo, através dos instrumentos neurológicos para a leitura do cérebro.

Fora estes instrumentos neurológicos, não existe qualquer medidor de felicidade, mas existem diversos medidores para a infelicidade.

A reclamação, a raiva, a ira, a inquietação, a impaciência, a angústia, a tristeza, a indignação e alguns outros que se podem lembrar.

Reparem que todas estas emoções são negativas, mostrando a infelicidade, mas não temos nenhuma para a felicidade.

O riso pode acontecer, mesmo quando estamos envoltos em tristeza, o sorriso, de forma igual. A alegria pode ser temporária e voltamos a tristeza e a felicidade é um estado mais permanente.

Também não existem atos diretos, que nos levem a felicidade. Existem alguns, que nos levam a uma alegria temporária, como comermos uma refeição que gostamos, comprar algo novo, uma roupa, uns óculos, um carro ou até uma casa, mas rapidamente estaremos a desejar mais e a entrar num campo que nos traz infelicidade.

Se nada podemos fazer para conquistar a felicidade, como chegaremos a ela?

A felicidade é como uma planta, não podemos fazer nada, diretamente, para a planta crescer, não pudemos puxá-la ou empurrá-la, mas podemos criar as condições necessárias para que nasça, cresça e dê a sua flor.

Não é possível criarmos felicidade diretamente, mas sabemos o que nos tira dela. A raiva, a ira, a inquietação, a inveja, a reclamação, a maledicência, a angústia, a impaciência, a tristeza, a indignação e outras coisas que criamos em nossa mente. Reparou que são tudo criações mentais? E quando estas existem a felicidade não existe, não podem coabitar o mesmo coração.

Já vê uma luz no fundo do túnel?

Quando chega a altura da praia, ouvimos muitas pessoas dizerem que um dia de praia, lhes traz muita paz e felicidade. O que acreditamos ser da praia, é um “ritual” mental em que dizemos, hoje vou tirar partido da praia e não quero saber de mais nada.

Se estivermos na praia com os problemas na mente, ou qualquer dos estados negativos descritos em cima, estaríamos em paz e em felicidade?

O que nos traz paz e felicidade num dia de praia, é a praia ou o estado mental de desapego, que nos oferta a libertação momentânea dos problemas e das suas formações mentais negativas, que nos permitimos?

Entende qual pode ser realmente a nossa escolha em relação à felicidade?

O que é criado por nós, são os estados negativos, os positivos são naturais do nosso ser. A paciência é um estado natural, que acontece quando não existe impaciência. A paz é um estado natural do nosso ser, quando não existem os sentimentos negativos. Estes estados naturais são um retorno a nossa casa interior, quando não existem as nossas formações mentais que criam o nevoeiro e nos fazem perder o rumo de volta.

Por isso, todas as crianças o têm, porque ainda não começaram a criar os estados mentais negativos, que os afastam do caminho para a felicidade.

A nossa verdadeira escolha para o caminho da felicidade, é abandonarmos o apego às más tendências. Estas surgem, e nós não as seguramos, deixamos que sigam o seu caminho, sem nos envolvermos nelas. Ignoramos então o famoso “Vigiai e Orai” de Jesus Cristo.

Mas, seguindo semelhante recomendação, elas começam a deixar de ter força em nós e vão aparecendo cada vez menos, até o dia em que são mais raras.

Se não existem más tendências, o que sobra?

Paz, amor e felicidade. Por isso, os Mestres que passam no planeta dizem que a paz e o amor são nossa essência. Jesus, o Mestre da Vida, diz que o Reino de Deus está dentro de nós.

Recapitulando:

A felicidade é uma escolha? Sim, é.

Como podemos escolher? Criando as condições, abandonando as más tendências, para que ela – a felicidade – surja, espontaneamente.    

 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita