Um minuto
com Chico Xavier

por Regina Stella Spagnuolo

   

Em 1985, o bancário Francisco João de Deus estava prestes a ir para a cadeia por ter matado com um tiro no pescoço sua mulher, Gleide Dutra de Deus, ex-miss Campo Grande.

As circunstâncias da morte apontavam para mais um crime passional sem muita imaginação. O casal voltava de uma festa. Gleide era linda, Francisco era ciumento e vivia armado. Pronto. Homicídio.

Mas o bancário insistia: o tiro tinha sido acidental. Poucos acreditavam. Sete meses após o crime, ele recorreu a Chico Xavier. Precisava de conforto e conseguiu muito mais. Um depoimento foi decisivo no tribunal. A testemunha chave: Gleide. Ela voltou à tona, em carta escrita por Chico, para garantir ter sido vítima mesmo de um tiro acidental, disparado quando seu marido tirava a arma da cintura.

O "testemunho" coincidiu com o de duas enfermeiras que atenderam a vítima, já em agonia no hospital. Pouco antes de morrer, ela defendeu a inocência do marido. Resultado: Francisco foi absolvido por sete votos a zero.

A influência de Chico Xavier nos tribunais começou a incomodar. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Hermann Assis Baeta, pediu a seus colegas de Mato Grosso do Sul cópias do processo. O presidente da OAB regional do estado, Hélvio Freitas Pissurno, reagiu à intromissão: no Tribunal do Júri, onde vale a vontade dos jurados, não se pode impedir esses procedimentos. Mas admitiu que, num julgamento estritamente jurídico, a psicografia não teria validade.

O criminalista Evaristo de Moraes Filho também protestou. Enquanto não provarem cientificamente que a alma existe, esse tipo de prova não deveria ser aceito pelos juízes. Casos como esse causavam polêmica e levavam multidões ao Grupo Espírita da Prece. Os vivos precisavam de notícias de seus mortos e Chico Xavier ainda era o médium mais confiável do país.

Do livro As vidas de Chico Xavier, de Marcel Souto Maior.


 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita