O admirável livro Paulo e Estêvão, ditado por
Emmanuel ao dedicado médium Francisco Cândido Xavier,
nos envolve em profundas reflexões; para isso,
explanaremos sucintamente as duas partes dessa magistral
obra, cada parte composta de dez capítulos. O personagem
central foi um vencedor de si mesmo.
Na Primeira Parte, a história inicia-se em Corinto,
Acaia (região Sul da Grécia), dominada pelo Império
Romano. O ancião Jochedeb andava devagar com um cesto;
por isso foi desprezado por soldados imperiais e,
acusado infamemente de afrontar os tribunos, foi preso e
maltratado por meio de uma injustiça. O filho Jeziel
tentou interceder pelo pai, mas também foi preso e
enviado ao cativeiro. O idoso foi supliciado. A filha
do ancião - Abigail - ficou abrigada na casa de Zacarias
ben Hanan, em Jerusalém.
No ano 35, o jovem Saulo – procedente de Tarso (cidade
ao sul da Turquia) – destacava-se no Sinédrio e na
sinagoga em Jerusalém. Doutor, exímio conhecedor da Lei
de Moisés, ele enamorou-se com Abigail, que ele
conhecera na casa do amigo Zacarias. Perseguidor
ferrenho dos homens simples que viviam na Casa do
Caminho. Logo, prendeu Simão Pedro, João, Filipe e
Estêvão (nome dado a Jeziel, o qual se abrigara na casa
dos apóstolos nas cercanias de Jerusalém, após
libertação do cativeiro). Na sequência dos
acontecimentos, Pedro e Filipe foram liberados, João
deveria foragir-se da cidade, Tiago - por ter
ascendência no estudo na lei mosaica ficou livre e
Estêvão condenado ao apedrejamento, apesar do mestre
Gamaliel tentar impedir Saulo de tamanha insensatez.
Perante o Tribunal de Israel, a turba ensandecida
atirava pedras no mártir Estêvão. Abigail, que fora
convidada para assistir ao infeliz julgamento,
reconheceu o irmão flagelado, correu ao seu encontro.
Saulo resolveu retirar o cunhado moribundo, no entanto,
era tarde, ainda assim, Estêvão recolhido a um gabinete
falou à irmã sobre o Mestre Jesus e perdoou o noivo
dela, que o condenara, antes do seu derradeiro final.
Abigail dedicou-se ao Evangelho de Jesus, através das
palavras de Ananias. Muito fragilizada, adoeceu, mas
antes de expirar falou ao noivo sobre Jesus. Saulo
empreendeu uma busca contra a igreja do “Caminho”,
martirizou um jovem adepto da causa do “carpinteiro”,
uma referência a Jesus e seguiu ao encontro de seu alvo
- Ananias na cidade de Damasco. No caminho, Saulo e
sua caravana foram surpreendidos por uma luz
diferenciada, o doutor da lei caiu do camelo na areia
desértica. A visão do jovem perseguidor, entre tamanha
luminosidade, alcançara o alvo de sua meta – Jesus.
Na Segunda Parte, deparemos com Saulo abalado e cego,
depois de ter se encontrado com o Mestre, e por ele ter
sido indagado por aquela perseguição. Saulo foi
conduzido até Sadoc, este o desprezou. Então, o
combalido foi para uma estalagem. E, por meio da
introspecção, ou seja, através do autoconhecimento, ele
trabalhou sua personalidade altiva e dominadora,
sujeitava-se à dependência de estranhos. Buscou o
atenuante da prece. Dias depois, ele foi procurado por
Ananias que o curou a pedido de Jesus. O doutor da Lei
iniciaria sua conversão. Ananias recomendou-lhe
prudência. Novamente, Saulo procurou Sadoc, o antigo
amigo entranhou-lhe a transformação repentina, e na
sinagoga, Saulo foi enxotado da tribuna. Brotou-lhe a
dor moral.
Daí, aconselhou-se com Ananias e viajou para divulgar o
Evangelho. Chegou à cidade de Palmira (Síria), doou o
camelo e procurou Gamaliel, direcionado por Ezequias
(irmão do seu instrutor) encontrou o antigo mestre
abrigado em uma cabana no deserto acompanhado por
Prisca e Áquila. Ganhou o Evangelho de Levi doado por
Gamaliel. Um ano no deserto e reconciliado com o casal
Prisca e Áquila (antigos perseguidos dele). Saulo
começaria a se reencontrar noutro propósito espiritual.
O espírito de Estêvão passou a acompanhá-lo e
orientá-lo. Mediante sentimentos desalentadores gotejava
no íntimo do ex-doutor outros ímpetos renovadores.
Reencontrou-se com Ananias, em Damasco, instalou-se na
casa de amigos, logo, ele iniciou as pregações do
Evangelho do Mestre Nazareno.
Em Dalmanuta, conheceu Madalena, passou por Nazaré,
reencontrou-se com a irmã Dalila, a qual se mudara da
cidade, visitou o colega israelita, Alexandre.
Humilhado pelo velho companheiro foi procurar Simão
Pedro na Casa do Caminho, com a estranheza de todos.
Barnabé era favorável ao ex-rabino redimido e votou para
o receberem. Filipe e Tiago eram contrários àquela
recepção. Tiago demonstrou atitudes em cumprimento à Lei
de Moisés, destoava dos demais em ações não era
favorável à chegada de Saulo. Pedro, com a peculiar
fortaleza, recebeu o perseguidor visivelmente retratado.
O pescador exemplificou o que ouviu, estudou, praticou
com Jesus e acolheu o ex-algoz.
Pedro e Saulo firmaram-se em sintonia, tornar-se-iam
amigos dali para frente. Saulo procurou o pai e foi
desprezado pelo genitor, saiu da residência arrasado,
porém, na rua recebeu de um antigo servo a doação
enviada pelo velho pai. O espírito de Abigail passou a
assisti-lo e recomendou-lhe o perdão. Em Antioquia,
conheceu o médico de nome Lucas, o qual recomendou a
alteração da atribuição aos seguidores de Jesus para
cristãos, o que foi unanimemente aprovado. Desse modo,
nasceu o termo Cristianismo para ficar na História da
Humanidade. Paulo passou a viajar acompanhado por
Barnabé e João Marcos, este autorizado pela mãe - Maria
Marcos. Em Nea Pafos, ilha do Chipre, aconteceu algo
determinante, Saulo e Barnabé com as imposições das mãos
curaram sofredores, doentes, angustiados...
O procônsul, Sérgio Paulo, convidou-os ao palácio em
decorrência da fama das curas por eles realizadas. O
profeta Barjesus sentiu-se tomado pela inveja e tentou
desmascarar Saulo; sem sucesso, pois, o procônsul se
convertera e o profeta ficou cegado, depois, Barjesus
procurou Paulo a fim de se desculpar e recebeu lições de
fé e remissão perante o Evangelho. Barnabé ficou
impressionado com a mediunidade aflorada em Saulo, por
isso apresentou-lhe a mudança de nome Saulo para Paulo,
fato este, que ficou aceito. Em novas viagens, Paulo,
Barnabé e João Marcos visitaram regiões rudes. Em
Listra, eles hospedaram na casa de Loide, que possuía
a filha Eunice e o neto Timóteo.
Paulo realizou diversas peregrinações para divulgar o
Evangelho. Na Grécia, em face do domínio mitológico, ele
foi apedrejado pelos populares; daí, recordou-se do
martírio ordenado por ele a Estêvão, ficou bastante
machucado e foi acudido por Gaio e Timóteo. Retornaram a
Antioquia. Prosseguiu sua luta na conversão dos gentios
aos preceitos cristãos por meio de suas andanças.
Acompanhado por Silas, Paulo caminhou por lugares
diferenciados, montanhosos ou desprovidos de alimentos;
passaram por Tarso e abrigaram-se na casa de Loide, em
Listra.
Nova viagem, eles chegaram a Tessalônica na cidade de
Filipes, e se hospedaram na casa da generosa Lídia para
a criação de uma nova Igreja. Os dois peregrinos
ficaram presos e foram flagelados pela população
revoltada, conseguiram libertação com ajuda de um
carcereiro convertido, o que facilitou os juízes
filipenses na liberação dos pregadores, viajaram e se
reencontraram com Lucas e Timóteo. Novos rumos e ensinos
foram concretizados. Em Jerusalém, ele foi denunciado
pelos ardilosos fariseus, novamente apedrejado. Foi
supliciado na prisão, Lucas e Timóteo intercederam pelo
amigo e Paulo ficou liberado das agressões, lanhado no
rosto e corpo, não perdeu a calma, ele disciplinou a sua
dor. Contudo, o ex-rabino continuou preso por dois
anos.
Nesse meio tempo, foi trocado o governador, assumiu
Pôncio Festo; este logo reconheceu na personalidade de
Paulo os gestos nobres e bom caráter e junto ao rei
Herodes Agripa ambos liberaram-no da crucificação e o
mandaram para a prisão em Roma. No navio, Paulo
conquistou a confiança do comandante e demais marujos,
transformou-se em conselheiro da tripulação. O navio
chegou ao destino. Júlio, o chefe da embarcação,
hospedou-se na região do Régio e levou Paulo e os
amigos, acompanhantes Lucas e Aristarco, em face da
fraternidade entre eles. Era o ano 61. Paulo aumentava o
prestígio nas comunidades cristãs, mesmo preso, ele
realizava reuniões em torno do Evangelho, sob a anuência
de Júlio. No entanto, ele soube das perseguições aos
cristãos levados às arenas do circo, em Roma, acusados
de inimigos do Estado.
No ano 64, um incêndio de várias proporções atingiu do
Monte Célio ao Platino. A catástrofe fez vítimas em
quantidade, pessoas, animais, casas suntuosas e moradias
simples. Nero, ausentado propositalmente, tendo em vista
que o próprio idealizou a tragédia para construir nova
capital, com recursos poupados através dos impostos
arrecadados, atribuiu a culpa aos cristãos. Um grande
grupo de cristãos foi levado ao Grande Circo do
Martírio. Tigelino, prefeito dos pretorianos e homem de
confiança do Imperador, liberou Paulo e o acompanhou sob
suspeita de pregações. Paulo reencontrou-se com João
Marcos que fora vê-lo.
Ao lado dos inseparáveis Timóteo e Lucas, escreveu
cartas (as últimas). Tigelino mandou capturar Paulo.
Recapturado pelo poder romano e conduzido à região da
Via Ápia, o soldado destinado à execução titubeou, a
princípio, por estar na frente de um ser humano com
superioridade espiritual ostensiva. Paulo solicitou-lhe
o cumprimento do dever. Foi assassinado a golpe de
pesada, Na Espiritualidade, decorrido o tempo da
recomposição, após a vida corporal sacrificada, o
espírito do missionário teve o acolhimento de Ananias.
Em seguida, os irmãos Estêvão e Abigail o receberam,
para finalmente encontrar-se com o Mestre Amado: Jesus!
A obra mediúnica narra a trajetória de um homem que se
permitiu recomeçar. Paulo utilizou-se do amor para
consigo e o próximo, aliado ou algoz, indistintamente,
para lhe acalmar as dores experimentadas. Um amor
estudado, vivido, sofrido, absorvido de forma
complacente, em espírito, o qual vivifica. Todavia,
mesmo desacreditado, foi autossuficiente na luta
pessoal, manteve sua fé radiante nos ensinamentos de
Jesus. Por conseguinte, Paulo conquistou por mérito
próprio, sem se reconhecer, a condição de fiel discípulo
do Cristo. Ele entendeu uma melhor razão de “ser” e nos
apresentou uma possibilidade de se recuperar e, pelo
seu modelo, transformado, o Cristianismo se
estabeleceu como religião do mundo. Além disso, Paulo,
apóstolo, legou seu contributo à doutrina libertadora
de almas.
Roni Ricardo Osorio Maia reside em
Volta Redonda (RJ).