A cooperação como agente do progresso
Recentemente passei por um processo cirúrgico. Deitado
na mesa de operação, em conversa com o cirurgião e o
anestesista, observei a quantidade de profissionais
naquela sala, todos eles com as mais diversas
habilidades para que, juntos, num sistema de mútua
cooperação, pudessem realizar com eficácia a cirurgia.
Não sei se eram amigos, se frequentavam um a casa do
outro ou se nutriam antipatias e simpatias; o que sei,
apenas, é que estavam ali para tratar não somente o meu
problema, mas, também, o de outras tantas pessoas.
A cooperação entre as criaturas parece ser uma das
poucas certezas da vida. Pessoas que não conhecem umas
às outras ou até que não têm simpatia são levadas à
cooperação mútua para que um objetivo comum se realize.
Esse fato ocorre nas empresas, universidades, times de
futebol e em qualquer local que tenha duas ou mais
pessoas.
O processo civilizatório da humanidade deu-se e
prolonga-se por meio dessas voluntárias e involuntárias
cooperações. A inteligência suprema dotou-nos com esse
instinto cooperativo, mesmo que não tenhamos a intenção
somos levados pelas leis do progresso a cooperar uns com
os outros.
Basta olharmos os avanços efetuados pelo ser humano ao
longo do tempo que encontraremos uma obra de cooperação
de muitos homens e várias gerações. E não poderia ser
diferente, sendo a vida material finita, dificilmente um
indivíduo começará e terminará um trabalho, deixando,
portanto, para a posteridade um legado de avanço e luzes
para que outros venham e prossigam essa tarefa.
Pelas leis de reencarnação, aliás, é bem provável que
muitas descobertas ou invenções, nas suas várias fases
de desenvolvimento e melhorias, tenham contado com a
mesma individualidade em ação. Reencarna, trabalha numa
descoberta, desencarna e pode seguir trabalhando na
erraticidade, depois retorna ao corpo físico e prossegue
na tarefa que havia iniciado há 300, 200 anos.
Estar encarnado ou desencarnado não apresenta qualquer
distinção para Deus, pois que em ambos os estados somos,
sempre, espíritos. Logo, nada de anormal na ideia acima,
tudo dentro dos padrões estabelecidos por Deus.
O vínculo entre cooperação e progresso é estreito.
Quando estudamos a Lei do Progresso, em O Livro dos
Espíritos, entendemos com as informações da obra que
a tentativa de deter a marcha do progresso é uma tarefa
infrutífera. Aqueles, então, que buscam atrapalhar ao
invés de cooperar serão ultrapassados pela força das
coisas, ficarão para trás, comendo a poeira de quem
avançou e busca deliberadamente práticas colaborativas.
Indivíduos imaturos emocionalmente apelam para
atrapalhar a fim de destoarem e chamarem atenção, tal
qual faz uma criança birrenta para que os pais a notem.
Constatarão, com o tempo, que foram mais eficazes em
atravancar o caminho de si próprios do que o progresso
do meio em que viviam. Perderam tempo, largo tempo e,
como se diz, a fila andou...
Quando se percebe que todas as águas da vida correm,
inevitavelmente, para um processo de colaboração,
aproxima-se das leis naturais, cujo cumprimento tornam o
homem mais feliz.