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por Wellington Balbo

 

A cooperação como agente do progresso


Recentemente passei por um processo cirúrgico. Deitado na mesa de operação, em conversa com o cirurgião e o anestesista, observei a quantidade de profissionais naquela sala, todos eles com as mais diversas habilidades para que, juntos, num sistema de mútua cooperação, pudessem realizar com eficácia a cirurgia.

Não sei se eram amigos, se frequentavam um a casa do outro ou se nutriam antipatias e simpatias; o que sei, apenas, é que estavam ali para tratar não somente o meu problema, mas, também, o de outras tantas pessoas.

A cooperação entre as criaturas parece ser uma das poucas certezas da vida. Pessoas que não conhecem umas às outras ou até que não têm simpatia são levadas à cooperação mútua para que um objetivo comum se realize. Esse fato ocorre nas empresas, universidades, times de futebol e em qualquer local que tenha duas ou mais pessoas.

O processo civilizatório da humanidade deu-se e prolonga-se por meio dessas voluntárias e involuntárias cooperações.  A inteligência suprema dotou-nos com esse instinto cooperativo, mesmo que não tenhamos a intenção somos levados pelas leis do progresso a cooperar uns com os outros.

Basta olharmos os avanços efetuados pelo ser humano ao longo do tempo que encontraremos uma obra de cooperação de muitos homens e várias gerações. E não poderia ser diferente, sendo a vida material finita, dificilmente um indivíduo começará e terminará um trabalho, deixando, portanto, para a posteridade um legado de avanço e luzes para que outros venham e prossigam essa tarefa.

Pelas leis de reencarnação, aliás, é bem provável que muitas descobertas ou invenções, nas suas várias fases de desenvolvimento e melhorias, tenham contado com a mesma individualidade em ação. Reencarna, trabalha numa descoberta, desencarna e pode seguir trabalhando na erraticidade, depois retorna ao corpo físico e prossegue na tarefa que havia iniciado há 300, 200 anos.

Estar encarnado ou desencarnado não apresenta qualquer distinção para Deus, pois que em ambos os estados somos, sempre, espíritos. Logo, nada de anormal na ideia acima, tudo dentro dos padrões estabelecidos por Deus.

O vínculo entre cooperação e progresso é estreito. Quando estudamos a Lei do Progresso, em O Livro dos Espíritos, entendemos com as informações da obra que a tentativa de deter a marcha do progresso é uma tarefa infrutífera. Aqueles, então, que buscam atrapalhar ao invés de cooperar serão ultrapassados pela força das coisas, ficarão para trás, comendo a poeira de quem avançou e busca deliberadamente práticas colaborativas.

Indivíduos imaturos emocionalmente apelam para atrapalhar a fim de destoarem e chamarem atenção, tal qual faz uma criança birrenta para que os pais a notem. Constatarão, com o tempo, que foram mais eficazes em atravancar o caminho de si próprios do que o progresso do meio em que viviam. Perderam tempo, largo tempo e, como se diz, a fila andou...

Quando se percebe que todas as águas da vida correm, inevitavelmente, para um processo de colaboração, aproxima-se das leis naturais, cujo cumprimento tornam o homem mais feliz.


 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita