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por Eder Andrade

 

Arrependimento, expiação e reparação segundo a doutrina espírita


Para muitos seguidores da doutrina espírita, existe uma dúvida que permanece por décadas na mesma encarnação: quando e como iremos reparar as faltas que cometemos em outras vidas e até mesmo nesta atual.

A leitura das obras básicas complementada pelas obras secundárias nos ajuda a ter uma ideia de que todo processo de reparação implica em um amadurecimento por parte do espírito. Apenas em alguns casos, devido ao endurecimento ou cristalização das emoções, ocorrem reencarnações compulsórias.

A providência divina procura auxiliar de diversas formas o espírito preso às mágoas do passado, de maneira a perceber ou sentir a necessidade de um acerto de contas com sua consciência, pois existe algo errado e que precisa ser corrigido e tratado.

Essa tomada de consciência é individual, exigindo um tempo de amadurecimento, relativamente proporcional ao nível evolutivo que o espírito se encontra.

Várias obras secundárias apresentam histórias com um traço de semelhança, onde em uma nova reencarnação, para ter sucesso, depende de uma mudança de postura do Espírito. É necessário que ele deseje melhorar em primeiro lugar, reconhecer que errou, de forma ingênua ou proposital, mas errou. Com essa tomada de consciência, pode ocorrer culpa ou remorso e ele viverá uma expiação relativamente proporcional ao seu grau evolutivo quando cometeu os equívocos.

O processo de reparação implica no exercício da humildade e prática de amor ao próximo. Deus em sua infinita misericórdia ajuda ao encarnado saldar seus compromissos de outras existências, por intermédio do próprio encarnado, principalmente através do exercício da caridade moral e material.

Faltas cometidas em diferentes encarnações não são resolvidas ao mesmo tempo. Todo esse processo pode se repetir, até que o indivíduo vá aparando as arestas que precisam ser acertadas. O nosso acerto de contas com nossa consciência é muito particular, o que aplica a um, nem sempre serve para outro, mas pode ser utilizado como parâmetro, para estarmos em paz com nós mesmos, pois essa quitação pode durar várias encarnações.

Dentro de uma visão holística, poderíamos dizer que o processo de arrependimento das faltas cometidas em outras vidas, gerando desconforto no nosso inconsciente, é diagnosticado muitas vezes como culpa, pode até acarretar uma depressão.

Em O Livro dos Espíritos1, das págs. 990 até 1002, “A expiação se cumprirá mediante as provas da vida corporal e, na vida espiritual, pelos sofrimentos morais inerentes à nossa inferioridade”.

Em outras palavras, inicialmente o indivíduo deverá se arrepender do ato cometido na condição de espírito imortal, fato que pode acontecer na condição de vigília ou na erraticidade entre uma encarnação e outra. Para depois, sob a lei da ação e reação expiar o equívoco cometido, aqui no mundo físico, porém, pela misericórdia do Pai Celeste, cada caso é uma situação diferente, devido às variantes que envolvem a história de vida de todos nós. Deus leva em conta a verdadeira intenção de cada um, quando uma nova encarnação é programada.

Já no livro O Céu e o Inferno2, encontraremos uma relação de trinta e três recomendações que, se forem seguidas, poderão auxiliar no processo de reparação das faltas cometidas. Segundo orientação do Espírito da Verdade, torna-se possível remediar o ato imprudente através de atitudes acertadas em uma nova encarnação, como por exemplo:

“Em virtude da lei do progresso que dá a toda alma a possibilidade de adquirir o bem que lhe falta, como de despojar-se do que tem de mau, conforme o esforço e vontade próprios, temos que o futuro é aberto a todas as criaturas. Deus não repudia nenhum de seus filhos, antes, recebe-os em seu seio à medida que atingem a perfeição, deixando a cada qual o mérito das suas obras”.

O processo de reparação corresponde à última etapa, pois não basta apenas se arrepender e sofrer pelo arrependimento, pela culpa ou remorso consciente ou não que venha à tona na atual encarnação. Precisamos, uma vez remidos do erro do passado, praticarmos o bem em favor de todos que nos cercam. Ajudando sempre que possível aqueles que cruzam o nosso caminho.

 

Referências:

1) Kardec, Allan; O Livro dos Espíritos; 4ª parte; Cap. II - Expiação e Arrependimento; FEB.

2) Kardec, Allan; O Céu e o Inferno; 1ª parte; Cap. VII - Código penal da vida futura; FEB.


 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita