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por Rodinei Moura

 

Você é feliz?


Se você ainda não se fez essa pergunta, você pode estar deixando de aproveitar ao máximo a sua vida, no verdadeiro sentido dessa expressão, pelo simples fato de não querer usar um dos atributos que o diferenciam de todos os outros seres que hoje habitam o nosso planeta: a inteligência.

O filósofo, escritor e palestrante Clóvis de Barros Filho afirmou certa vez, no programa Provocações, que a felicidade é uma pretensão ilusória de transformar um momento em eternidade.

Para o espírita e para todo aquele que entende que esta existência é apenas um pequeno instante diante da vida do Espírito, a realidade, no entanto, é outra.

A busca a que o famoso orador se refere, aliás, é extremamente perigosa. Pois quando queremos viver ininterruptamente diante de situações agradáveis e festivas, estamos apenas fugindo da realidade. O fato é que vamos encontrar momentos alegres e de euforia e momentos conturbados e até mesmo de grande tristeza.

Mas quando entendemos a nossa natureza espiritual e divina, todos esses momentos difíceis passam a ter um peso totalmente diferente. Pois quem passa por um momento de luto de um ente querido, por exemplo, e tem conhecimento de que a vida continua sempre, vai ficar triste, mas com a certeza de que é uma separação momentânea. Aquele que passa por dificuldades de qualquer natureza vai entender que isso é apenas uma provação ou, ainda, uma expiação devido ao mau uso de seu livre-arbítrio. Mas também uma ferramenta para seu crescimento como ser humano, como Espírito, como instrumento de Deus para auxiliar seu semelhante.

Já o também filósofo, escritor e palestrante Leandro Karnal, nos orienta a buscar o autoconhecimento para que tenhamos paz de consciência. Segundo ele, ainda assim não seremos felizes. Num outro momento nos orienta e conhecermos os nossos valores e a buscarmos isso obsessivamente.

O conselho vai de encontro com outro filósofo, muito mais famoso que esse, Sócrates: conhece a ti mesmo e conhecerás Deus e o universo. Conselhos parecidos, mas com justificativas diferentes.

Quando nós trabalhamos o autoconhecimento, podemos, então, trabalhar nossa transformação moral, sem a qual não teremos paz íntima. E também nos permite desabrochar nossa natureza divina. Única capaz de nos proporcionar a verdadeira felicidade. Pois quando colocamos nossa felicidade na posse dos bens materiais, estamos fadados a ser infelizes pelo fato de que nunca estaremos contentes com o que temos. Vamos querer sempre mais e mais. Quando colocamos nossa felicidade nas costas de outra pessoa estamos fadados à infelicidade, porque um dia ela vai embora, seja para outro relacionamento ou levada pela desencarnação. N’ O Livro dos Espíritos, questão 922, Allan Kardec pergunta à espiritualidade: Haverá, contudo, alguma soma de felicidade comum a todos os homens? - “Com relação à vida material, é a posse do necessário. Com relação à vida moral, a consciência tranquila e a fé no futuro.” Esse é um norte para que não nos percamos numa busca sem fim de coisas que não nos farão felizes.

Agora, quando conciliamos nossa consciência tranquila com o fato de sermos deuses, como afirmou Jesus, vamos buscar acima de tudo entender o que viemos fazer aqui nessa existência. O que está em nossa programação espiritual? De que forma poderemos ser úteis? Viver dessa forma constitui para nós grande felicidade. Pois essa não é a ausência de problemas, mas um estado de espírito de quem já entendeu que a existência no nosso mundo tem momentos alegres e tristes. Momentos suaves e outros desafiadores. E que esses últimos são os que mais nos proporcionam oportunidades de aprendizado e crescimento. Seja através da satisfação pela superação ou pela resignação diante do inevitável.

Diante do conhecimento que Jesus nos trouxe e o que a doutrina espírita nos ensina, já podemos responder a pergunta inicial: - Você é feliz?


 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita