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por Paulo Hayashi Jr

 

A lição de humildade do polegar


A humildade é virtude ímpar para se manter produtivo e fértil na Terra. Aliás, a própria origem da palavra conota tal questão. Ser humilde é não se inflar de falsos conhecimentos ou falsas impressões de seu próprio valor. Manter-se humilde é saber o seu lugar, a sua missão, sem aumentar, tampouco sem se diminuir. Quem é humilde mantém-se aberta a porta da aprendizagem, pois sabe de suas limitações de conhecimento frente a Deus e a imensidão do universo. É se curvar frente a Deus, bem como também a seus semelhantes. Uma pessoa humilde é útil aos seus irmãos e trabalha de maneira prática para resolver os problemas. Absorve conselhos de terceiros e pratica o bem para todos. Diferentemente da pessoa orgulhosa e vaidosa, que se coloca acima dos outros e que aparenta ser o que não é. A falsa aparência reflete a verdadeira ilusão da vida. Não apenas em seu julgamento, mas também na ajuda ao próximo. Seja não ajudando para não se contaminar, seja ajudando com humilhações e rebaixamentos. Sem humildade não há a caridade perfeita.

Nas lições da vida sobre humildade, cabe destacar o papel de relevância do dedo polegar. Dentre os dedos, é o que está em posição estrutural inferior aos demais. Mantém-se isolado dos outros irmãos. Sua aparência também é diferente dos demais dedos e está em ângulo diferente. Todavia, graças a estas diferenças e características é possível a mão realizar a função de preensão ou pinça. Para Sande e Coury (1998, p. 72): “Apesar da mão possuir funções múltiplas, sua função essencial é a preensão. Esta faculdade encontra-se desde a pinça da lagosta até a mão do macaco, mas é no homem que a pinça atinge seu maior grau de funcionalidade. Isto se deve a uma disposição absolutamente particular do polegar, que pode opor-se a todos os outros dedos”.[1]

Sem o polegar, a vida seria bem mais difícil e penosa. O que resplandece na própria origem da palavra polegar, que significa poder. O polegar mantém o trabalho silencioso de ser útil aos demais, mesmo com todas as peculiaridades. É a humildade em ação. Talvez por isso o polegar seja o dedo que se leva à boca pelo infante como substituto do peito da mãe. Ou como expressão de otimismo e positividade. Ou ainda, é o polegar que representa por meio da sua digital a identidade pessoal. Se a humildade é condição única para manter-se aberto à aprendizagem e ao trabalho útil que dignifica, talvez tenhamos no polegar o exemplo natural da benemerência da humildade e da caridade. O polegar não vive para ele. A mão não trabalha para si. Mas para toda uma vida superior sem que se confundam as hierarquias. “O servo não é superior ao seu senhor, assim como o mensageiro não é superior a quem o enviou.”[2] Nas lições imemoriais de Jesus, em sua mensagem de despedida aos seus discípulos onde lavou seus pés como lição do exemplo, as mãos representam o potencial de trabalho e de realizações do ser humano. O poder de servir.

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[1]Sande, L.A.P., Coury, H.J.C.G. Aspectos biomecânicos e ergonômicos associados ao movimento de preensão: uma revisão. Rev. Fisioter. Univ. São Paulo, v. 5, n. 2, p. 71 - 82, jul. / dez., 1998.
[2] João 13:16.



 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita