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por Eleni Frangatos

 

Doom Scrolling


Aparece hoje na CNN um neologismo em inglês: “Doom Scrolling”. Ainda não tem tradução.

O que é “Doom”? Pronuncia-se, mais ou menos, como “Duuumme”.

Doom é tudo o que é ruim, desgraçado, catastrófico, maligno, negativo, tenebroso.

Para o leitor ter uma ideia, quando se aproxima aquele personagem que só fala coisas ruins, dizemos “there comes doom’s voice” (lá vem a voz do inferno, das desgraças). E a sua aproximação automaticamente “varre uma feira” como se diz no popular.

Scrolling é rolagem (de texto).

Acredito que vai ficar mesmo o Doom Scrolling até pela tendência global de se usar termos em inglês.

Poderia ser: Rolagem desgraçada? Rolagem maldita? Rolagem infernal?

Melhor deixar mesmo Doom Scrolling e incorporar esse termo como fizemos com tantos outros.

O porquê dessa introdução?

Pelo mal que nos faz esse tipo de leitura diária. Ligamos o computador, o laptop, o celular, e aparecem as notícias e, sem querer, nos vemos rolando o texto para ler o resumo de notícias tendenciosas, manipuladas, propositalmente falsas, tenebrosas, horríveis, algumas impensáveis. Instintivamente, ficamos como animais acuados e alertas ou entramos em depressão com a sensação de que a vida não tem propósito e que tudo está errado, tudo é ruim, todos são irresponsáveis, corruptos, cruéis, sem ética e sem moral... e a ansiedade toma conta de nós, sensação de impotência, de pânico, um aperto na garganta e até nossa respiração se altera inconscientemente.

Podemos reverter isso? Sim.

Comecemos a ver o que o mundo tem de bom também. Lembre-se que tudo é dual: lado bom e lado mau. O que podemos ver no lado bom? Adolescentes, a nova geração, estudando e fabricando próteses em impressoras 3D para aliviar a dor e as deficiências de pessoas mutiladas por acidentes; em laboratórios, jovens procuram formas e medicamentos para minimizar a dor; outros trabalham gratuitamente em movimentos sociais, levando alimentos aos mais necessitados; milhares de médicos e enfermeiros colocam suas próprias vidas em risco, em total doação, para tentar salvar pacientes não só com COVID; casais adotam crianças abandonadas; o morador de rua, mesmo na sua condição de pobreza, nos comove quando o vemos compartilhar, repartir a pouca comida que tem com o cachorro que o acompanha e protege durante a noite numa fidelidade total...

Levantemos mais nosso olhar em vez de tanto olhar o chão. Isso é um hábito que o ser humano tem na sua maior parte: olha mais o chão e levanta menos os olhos para contemplar os pássaros, as nuvens, o céu, o sol, até mesmo as nuvens negras antes de uma chuva, ou um arco-íris estonteante – a beleza, as nuances do Universo! Só esse simples gesto muda a vibração ruim para a suavidade da calma que penetra mansamente no seu coração. O contato com a Natureza nos leva de volta – na nossa memória akáshika – às nossas origens.

Permita que o trate por Amigo ou Amiga e que possa sugerir isto a Você. Você que é um ser único e belo.

Cuide de Você mesmo, como ser maravilhoso que é, faça o lado bom vir à superfície, contemple-se, mime-se a si mesmo, você é único, e agradeça tudo o que tem.

Procure ver a vida pelo lado bom.

Você tomaria diariamente, e de castigo, um copo cheio de fel de sabor horrível, nauseabundo? Tenho a certeza que não. Esse é o Doom Scrolling. Deixe esse bicho feio para lá. Posso lhe garantir que não lhe acrescenta absolutamente NADA. Só o derruba, agonia e desalenta. Livre-se dele!


 
 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita