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por Wellington Balbo

 

Os jovens e as automutilações


A autolesão é um comportamento que, em geral, ocorre com jovens entre 13 e 16 anos.

Os fatores que levam os jovens à autolesão são os mais variados e, naturalmente, vinculados às dores da alma.

É inegável: o sofrimento que traz um jovem para lesar seu próprio corpo é deveras vigoroso.

Alguns estudos apontam para dois pontos que merecem destaque no tema da automutilação.

São esses dois fatores de ordem interpessoal e intrapessoal.

1 – Intrapessoal:

Ao se automutilar o jovem tenta, de alguma forma, autopunir-se. Um outro aspecto é, ainda, o alívio da dor emocional, mais ou menos num sistema de compensação, ou de troca de uma dor pela outra na ânsia de algum alívio.

2 – Interpessoal:

A circunstância interpessoal é a de punir alguém, pertencer a determinado grupo, ou, ainda, mandar um aviso de seu sofrimento. Não raras vezes em busca de atenção o jovem pode autolesar-se, num brado: Estou aqui!

Conhecer a gênese dos problemas é muito importante para poder tratá-los convenientemente. Ao entender o drama do jovem que tem o comportamento autolesivo poderão ser elaboradas estratégias para o tratamento eficaz.

Como a autolesão, segundo alguns, proporciona certo alívio às dores da alma, pode-se trabalhar outras questões para o alívio das dores do indivíduo. Prática de esportes, construção de laços de amizade, inserção em grupos com interesses e afinidades parecidos são alguns pontos que podem ajudar o jovem a aliviar esta angústia sem ter de recorrer à autolesão.

Uma boa sugestão para a sociedade é incentivar o treinamento de pessoas que possam identificar comportamentos suicidas e de autolesão.

Capacitar indivíduos para que desenvolvam esta habilidade de perceber e abordar pessoas com transtornos mentais, problemas no lar, uso de substâncias tóxicas, ansiedade e outras circunstâncias que podem levar ao comportamento autolesivo ou suicida.

As igrejas, centros espíritas, escolas e demais instituições podem exercer tarefa das mais importantes neste assunto ao identificar e treinar pessoas para que possam ser gatekeeper, ou seja, anjos de outras vidas, capazes de reconhecer e abordar adequadamente quem passa pelo comportamento autolesivo.

Treinar alguém para ser um anjo de outra vida é um exercício que requer muitos cuidados, pois palavras ditas de forma equivocada ou expressões inadequadas, ao invés de ajudarem, no caso de comportamento autolesivo, podem atrapalhar muito.

Sendo os temas autolesão e suicídio tabus, há, claramente, um total desconhecimento de ambos, e eis que o desconhecimento leva, não raro, a abordagens sensacionalistas ou extremamente moralistas e que, por isso, tendem a construir muros e não pontes.

O ideal é que se construa ponte de confiança com a pessoa que tem comportamento autolesivo. É preciso, em primeiro momento, trabalhar a confiança para que haja, de fato, uma real e produtiva comunicação entre o anjo de outra vida e aquele que está com comportamento autolesivo.

Jamais julgar, apurar os ouvidos e tentar compreender os fatores principais que levam ao comportamento de autolesão devem ser requisitos básicos para os anjos de outras vidas.

As conversas no tocante aos assuntos tratados neste texto, principalmente com crianças e jovens, devem ser diretas e com o objetivo de levá-los a conhecer os próprios sentimentos.

É sempre saudável criar ambientes em que os jovens, crianças ou quem quer que passe por dificuldades existenciais possam manifestar-se de forma livre e plena, sem receios de intervenções indevidas e inadequadas e puxões de orelha que mais constrangem do que ajudam.

Onde o centro espírita pode entrar nesta história?

Sendo o centro espírita uma escola de Espiritismo, que ensina, preliminarmente, ser o Espírito imortal, sua função no que se refere à prevenção desses dois comportamentos, tanto o autolesivo quanto o suicida, é de vital importância.

Ao privilegiar o ensino de que a alma sobrevive à morte do corpo físico e de que estamos neste mundo para o progresso, o Espiritismo, se não elimina, ao menos abre um campo de maior perspectiva para quem está passando pelos problemas que já abordamos no texto.

Via de regra as angústias e dificuldades de quem tem o comportamento de autolesão e suicida fazem com que não se enxergue a chamada “Luz no fim do túnel”. É como se a vida toda se resumisse naquele problema e, numa tentativa de livrar-se do percalço, ou, ainda, de aliviar a tensão emocional, é que se recorre ao comportamento de autolesão ou suicídio.

Enfim, se pudéssemos de forma resumida falar algo, este tipo de comportamento é uma fuga da dor, por mais paradoxal que possa parecer, a ideia é libertar-se do sofrimento que abala o espírito.

Porém, como já dito acima, o centro espírita, para bem atender este público, necessitará capacitar aqueles que se disponibilizarem a trabalhar neste campo, posto que a abordagem adequada é tão importante quanto o conhecimento doutrinário.

Diante das dores do espírito imortal que, implacáveis, avolumam-se, cabe ao colaborador espírita, portador de lições tão preciosas, capacitar-se com os conhecimentos das ciências do mundo para que, em posse de ambos os saberes, material e espiritual, possa aliviar, tanto quando lhe seja possível, as angústias e dificuldades de quem vive na Terra.

Eis a sugestão para as casas espíritas: capacitar seus trabalhadores no que se refere a este tipo de problema.


 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita