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por Arlene Paes Dias

 

No trato com os entes queridos


Em suas orientações, Emmanuel nos conclama a reflexões profundas, chamando a nossa atenção para questões que deixamos passar sem percebê-las. Por exemplo, a forma como tratamos aqueles que conosco convivem cotidianamente.

Geralmente, nossos companheiros de caminhada mais próximos são os membros que compõem o grupo familiar. Juridicamente, o conceito atual de família é a união de pessoas ligadas pelo afeto. Portanto, é nesse grupo que aprenderemos o impositivo do respeito ético recíproco, entre todos os que fazem parte dela e no qual desenvolveremos a capacidade de renunciar, dividir, zelar e nos dedicarmos ao próximo. Podemos dizer que é o nosso laboratório, a nossa primeira escola de amor.

Espíritas que somos, sabemos que é através da vida material que evoluímos, burilamos o Espírito nas lutas do dia a dia, enfrentando as provas necessárias para tal. E sabemos, também, que na maioria das vezes é no núcleo familiar que encontramos os maiores desafios para nosso reajuste.

Mas precisamos lembrar que nossos entes amados nem sempre são aqueles que fazem parte da família (grupo restrito), podendo ser os pais, irmãos, demais parentes, amigos (grupo amplo) com os quais mantemos laços de afinidade e que nos trazem conforto e tranquilidade. Por vezes, por conta do imenso amor que a eles dedicamos, não enxergamos suas imperfeições. Aceitamos seus comportamentos inadequados sem apontá-los, para não ferir seus sentimentos. Outras vezes, dedicamos tanta atenção a eles, suprimindo suas necessidades, na certeza de que terão conosco essa mesma atitude quando for necessário.

Nossa atitude, que parte de um coração que só quer ajudar a tornar a vida do próximo melhor, pode provocar uma transformação em sua vida. Primeiramente, porque podemos atrapalhar sua evolução, pois, com nossa ajuda, influenciaremos demais as suas escolhas. Passam a ser nossas escolhas em suas vidas, o que trará, certamente, em algum momento, algum problema nessa relação. Sem perceber, tornamos esses seres prisioneiros do nosso afeto, exigindo uma dedicação que às vezes não querem assumir. Acabamos, nesse envolvimento, por esquecer que temos tarefas a cumprir, débitos a resgatar, comprometendo, assim, também, a nossa evolução.

Podemos ter, sim, amor por essas pessoas tão queridas, porém, respeitando suas diferenças, sem tentar moldá-las à forma de agir que julgamos mais correta. Deus nos concedeu o livre-arbítrio e a inteligência para serem usados da forma que julgarmos mais adequada, mas, eles, como nós, estão caminhando neste grande educandário para evoluir, e isso só acontecerá quando forem responsáveis por suas escolhas.

É imprescindível que nos amemos sem a intenção de modificar quem conosco caminha. Ser o apoio necessário nos momentos difíceis e não o amigo que chega com soluções mágicas para acabar com a dor, muitas vezes tão necessária à evolução de cada um.

No livro “Ceifa de Luz”, lição 4, psicografado por Francisco Cândido Xavier, o estimado benfeitor Emmanuel lembra que “devemos a cada um a lição da estima sem requisições descabidas, acatando as experiências para as quais se inclinam e respeitando os tipos de felicidade que elejam para si”.

Então, se realmente quisermos ser úteis aos nossos entes queridos, atentemos para os seguintes pontos: todos somos seres viajantes do Universo, buscando nos aperfeiçoar, pois, como Espíritos imortais, viveremos eternamente; marchamos juntos, porém cada um de acordo com o que já aprendeu. Portanto, todos nós necessitamos da atenção daqueles que nos amam, na medida das suas disponibilidades afetivas, assim como procuramos auxiliar a cada um deles, na medida das nossas possibilidades amorosas. Todavia, todos nós somos responsáveis pelas práticas indispensáveis à evolução de cada um, pois é com respeito e tolerância que a harmonia se estabelece. 

 

Bibliografia:

XAVIER, F.C. Encontro Marcado, ditado pelo Espírito Emmanuel – 13ª edição – Editora FEB – BRASILIA/DF – lição 54 – 2009.

 
 

 

     
     

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