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por Ricardo Baesso de Oliveira

 

Ressonância progressiva da aprendizagem


Os seres humanos deveriam ser capazes de aprender mais facilmente o que outros já aprenderam? Aplicada a certos animais – ratos, pelo menos – esta indagação poderia ter uma resposta afirmativa. Estudos bem fundamentados mostraram que se ratos aprendem um novo truque em algum lugar, então ratos do mundo todo deverão ser capazes de aprender o mesmo truque mais rapidamente. Uma das mais longas séries de experimentos realizados na história da psicologia revelou evidências de que os ratos realmente parecem aprender mais rápido aquilo que outros ratos já aprenderam.

Quanto mais ratos aprendiam a escapar de um labirinto de água, mais fácil ficava para outros ratos fazerem o mesmo. Esses experimentos, realizados primeiramente na Harvard University e depois nas universidades de Edimburgo e Melbourne, mostraram que ratos escoceses e australianos começaram mais ou menos de onde os ratos de Harvard haviam terminado, e seus descendentes aprenderam ainda mais rápido. Alguns se saíram bem da primeira vez, sem necessidade de aprendizagem alguma.

Tal fenômeno poderia ser encontrado em seres humanos? Rupert Sheldrake, biólogo e bioquímico inglês, acredita que sim. Em seu livro Ciência sem dogmas, ele levanta essa possibilidade e lança mão dela para explicar o denominado Efeito Flynn, a evidência de que o QI (coeficiente de inteligência) vem aumentando através das décadas.

James Flynn, filósofo norte-americano, examinou a evolução do QI durante grande parte do século XX, em 30 países do mundo. Estudos mostram um aumento do QI de três pontos a cada dez anos. Calculou-se que um cidadão de inteligência mediana no ano de 1920 se hoje fizesse um teste comum de QI teria na faixa de 70 pontos, quando a média é 100. 70 pontos no QI colocam-no no limite do retardo mental. Flynn acredita que respondemos melhor que nossos ancestrais às mesmas perguntas. Alguns fatores têm sido relacionados ao Efeito Flynn: um ambiente crescentemente tecnológico, uma vida muito rica em símbolos e a popularização da ciência, levando o raciocínio abstrato dos centros acadêmicos de pesquisa para as ruas. As pessoas tornaram-se mais habituadas à abstração mental e ao raciocínio lógico.

Sheldrake, no entanto, levanta a possibilidade de que as pontuações dos testes se elevaram não porque as pessoas estão ficando mais inteligentes, mas porque está ficando mais fácil fazer os testes, na medida em que outras fizeram antes. A explicação de Sheldrake se baseia na ideia de que cada um de nós cria em torno de sua individualidade um campo vibratório, que se irmana aos campos vibratórios de todos os seres da mesma espécie, construindo um imenso campo magnético espécie/específica, onde permutamos ideias, impressões, comportamentos e habilidades.

Tal pensamento parece ter sido apresentado por Kardec, já em sua época. Em dois textos produzidos pelo codificador, em que estuda a fotografia e telegrafia do pensamento. Apresentados em Obras póstumas, nosso codificador, antecipando-se à proposta de Sheldrake, colocou que existem relações ocultas que ligam, de maneira inconsciente, os pensamentos dos homens. Denominou esse fenômeno de telegrafia espiritual.

Através desse processo, comenta Kardec, o homem exerce ação direta sobre as coisas, assim como sobre as pessoas que o cercam e se pode atuar sobre o espírito dos homens, à revelia deles. Um pensamento superior, fortemente pensado, pode, conforme a sua força e a sua elevação, tocar de perto ou de longe homens que não fazem a mínima ideia da maneira por que ele lhes chega, da mesma maneira que aquele que o emite não faz ideia do efeito produzido pela sua emissão.

Acrescenta Kardec que aí se encontra um jogo constante das inteligências humanas e da ação recíproca de umas sobre as outras: Juntai-lhe a ação das inteligências dos desencarnados e imaginai o poder incalculável dessa força composta de tantas forças reunidas.

E ainda Kardec:

Se se pudesse suspeitar do imenso mecanismo que o pensamento aciona e dos efeitos que ele produz de um indivíduo a outro, de um grupo de seres a outro grupo e, afinal, da ação universal dos pensamentos das criaturas umas sobre as outras, o homem ficaria assombrado.

E conclui:

Não há um pensamento, seja criminoso, seja virtuoso, ou de outro gênero, que não tenha ação real sobre o conjunto dos pensamentos humanos e sobre cada um deles.




 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita