Artigos

por Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

 

O programa que salva 
vidas – AA


Hoje se sabe que o tratamento mais barato para a dependência química é gratuito, e salva vidas no mundo todo: é o programa desenvolvido pelo grupo de ajuda mútua de Alcoólicos Anônimos – AA.

Ele oferece um conjunto de ferramentas que podem auxiliar o doente em alcoolismo em sua recuperação, com o programa dos doze passos, das doze tradições, com os serviços em favor de outros alcoólicos que precisem de ajuda, com os lemas, as partilhas e o apadrinhamento (por isso é chamada de “terapia de espelho”), a oração da serenidade, e muito mais.

Mas afinal o que é a doença do alcoolismo?

É uma doença primária, crônica, progressiva, e que pode ser fatal se não for contida, levando o indivíduo à clínica, ao cárcere ou ao cemitério. Infelizmente, não tem cura, mas tem recuperação. Ela é semelhante ao diabetes, à pressão arterial, a doenças cardíacas que têm tratamento mas não têm cura plena.

Duas coisas quero destacar sobre o programa de Alcoólicos Anônimos:

1) É um programa espiritual e não religioso; pessoas de qualquer denominação religiosa podem participar. É um equívoco que os religiosos cometem quando prometem a cura, pois a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a doença como crônica (incurável).

2) Outro aspecto interessante do programa do AA é a partilha. Essa mesma técnica da partilha já era aconselhada há dois mil anos por Tiago, em carta apostólica: “Conversai uns com outros e orai uns pelos outros, para que sareis”. E, hoje, a moderna medicina psicossomática nos recomenda: “Se você não quiser adoecer, fale de seus sentimentos” – partilhe.

Ter o desejo de parar de beber é muito importante, e ir à sala de reuniões do AA, melhor ainda para a recuperação.

Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) traz uma boa notícia para dependentes de álcool que decidiram apostar em grupos de autoajuda para livrar-se do vício: entre os alcoólicos que frequentam ao menos duas vezes por mês as reuniões do AA, 45% conseguem ficar abstêmios por seis meses, período mínimo necessário para se considerar o resultado do tratamento satisfatório.

 

Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA.

 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita