Brasil
por Paulo Salerno

Ano 11 - N° 561 - 1º de Abril de 2018


 

Divaldo Franco: “O amor, o perdão e a caridade moral devem viger entre os espíritas”


A frase acima sintetiza o recado que o estimado médium e orador transmitiu no encontro com dirigentes espíritas realizado em Pinhais, no dia 15 de março, na véspera da abertura oficial da Conferência Estadual Espírita realizada nos dias 16 a 18 de março na mesma localidade.

O encontro, promovido pela Federação Espírita do Paraná, representada no ato por seu presidente, Adriano Lino Greca, e seus dois vice-presidentes, Luiz Henrique da Silva e Nélio Mauro Aguirre de Castro, contou com a participação de dirigentes de mais de 80 Centros Espíritas e Entidades Associadas. Calcado em perguntas previamente elaboradas, Divaldo Franco teve a oportunidade de colaborar, esclarecendo à luz da Doutrina Espírita, dos ensinamentos de Jesus e de sua própria experiência adquirida ao longo de mais de sete décadas, apresentando reflexões doutrinárias sobre a caridade, o acolhimento, o amor ao próximo, o perdão, a ética e a moral.

As judiciosas informações e considerações tiveram por objetivo o aperfeiçoamento moral dos espíritas, o que por sua vez se reflete no Centro Espírita, com consequências na sociedade humana. Carinhosamente recebido, e após longo trabalho, Divaldo Franco foi demoradamente aplaudido, atestando o mútuo amor nutrido pelo tribuno baiano e pelo movimento espírita paranaense.

No dia seguinte, à noite, verificou-se a abertura da XX Conferência Estadual Espírita, promovida pela Federação Espírita do Paraná, a qual, ao longo de suas edições, tem alcançado um número quase incalculável de Espíritos nos dois planos da vida. A fraternidade e o acolhimento, prestando inigualável atendimento, são características facilmente percebidas. O importante evento realizou-se no Centro de Convenções Expotrade, em Pinhais, região metropolitana de Curitiba, reunindo cerca de 40.000 participantes.

Participaram da Conferência expositores de renome em nosso país. Divaldo Pereira Franco, Alberto Almeida, Haroldo Dutra Dias, Sandra Borba Pereira e Sandra Della Pola discorreram sobre assuntos de grande relevância nos três dias em que se desenvolveu a parte final da Conferência, iniciada, como vimos anteriormente, no dia 12 de março.

Sob o tema Construindo o Mundo do Amanhã, a obra basilar A Gênese, publicada originalmente em 6 de janeiro de 1868, foi enaltecida pelo transcurso dos seus 150 anos de lançamento, trazendo luzes aos homens sedentos de saber. Registre-se a presença na mesa diretora do evento do presidente da Federação Espírita Brasileira, Jorge Godinho Barreto Neri.

O Coral do Centro Espírita Ildefonso Correia apresentou riquíssimo recital, embalando em suaves e melodiosas vibrações os milhares de presente nesta magnífica atividade de congraçamento.

Arthur Lins de Vasconcellos Lopes (27 de março de 1891 - 21 de março de 1952), assumiu a Presidência da FEP pela primeira vez em 1916, retornando a esse cargo, por eleição, mais cinco vezes. Além de ocupar várias diretorias, foi secretário e tesoureiro. Quando precisou renunciar ao cargo de Presidente, em 1929, em virtude da sua transferência para o Rio de Janeiro, foi aclamado Presidente Honorário da FEP, dados os relevantes serviços prestados. Esse extraordinário espírita foi belamente homenageado, tendo sido a sua história e dedicação ao movimento espírita brasileiro relembrada. Erick de Almeida, caracterizado de Lins de Vasconcellos, apresentou-se narrando a sua saga, historiando sinteticamente o início do movimento espírita unificado e o ingente trabalho de construção da união dos espíritas brasileiros.

José Raul Teixeira, convidado especial, foi homenageado pela sua trajetória no campo da mediunidade e no trabalho de divulgação da Doutrina Espírita, sob a orientação segura de seu guia espiritual Camilo. São 50 anos de mediunidade. Materializando o fato, foi-lhe ofertada uma placa externando a gratidão dos espíritas paranaenses.

Conferência de abertura – Abordando o tema Os Tempos são Chegados, Divaldo Franco destacou que a humanidade vive momentos paradoxais. O homem busca construir a sua plenitude, e nesse afã nem sempre age consoante as leis divinas, amealhando para si algumas perturbações. A filosofia tem buscado responder o que é a vida, a razão para o sofrimento, o destino do homem. Ainda sob o véu de maya, o seja a ilusão, o homem confunde-a com a realidade. Desde os filósofos pré-socráticos aos atuais, as respostas para a ânsia de viver retamente estão em constante construção. A busca pela estética, a não materialidade, a alegria perfeita de viver, ocupam as mentes e corações de muitos que buscam sair de sob o manto dessa ilusão enganadora. O ideal da beleza só pode ter a alegria se estiver alicerçada na ética. (Cristiane Beira)

O homem, criatura inteligente da Criação Divina, vem tentando ao longo dos séculos, com o auxílio da ciência, dar respostas satisfatórias as suas indagações íntimas, em um ingente esforço de autoconhecimento. Nesse crescente vir a ser a criatura humana realiza as suas experiências, nem todas bem-sucedidas, na construção do ideal de libertação, construindo-se melhor, continuadamente.

Líderes e liderados se apresentam para as conquistas almejadas, e todos aqueles que fixaram seus objetivos nas expressões do poder temporal e na materialidade, sempre de curso transitório, não lograram êxito. Jesus, o incomparável Mestre, com sua mensagem de AMOR, sinalizou o caminho seguro para desvendar a realidade do ser, dentro de toda a sua complexidade, isto é, desenvolver o amor incondicional, a compaixão, a solidariedade e outras virtudes tão necessárias. A Doutrina Espírita, trazida aos homens pelas nobres entidades porta-vozes de Jesus e codificada pelo ínclito Allan Kardec, apresenta respostas e orientações de grande alcance para que o homem viva em harmonia, tão plena quão possa esse mesmo homem compreender-se.

A ciência vai se ampliando através de homens e mulheres notáveis que desvendam incógnitas, apresentando caminhos para o estabelecimento do progresso, quer no campo filosófico ou material. O Espiritismo, porém, remontando às causas, vai além do ponto onde a ciência acadêmica se deteve, e apresenta respostas e aponta caminhos seguros para que a criatura humana se plenifique através da caridade, a ação por excelência do amor. O Espiritismo é o Consolador Prometido conforme registra João Evangelista (Cap. XIV, 16, 17, 18 e 25 e 26).

Deus está no homem. Essa sentença está sendo equacionada pelas conquistas científicas do homem. A presença do Criador no ser humano, e no Universo, a pouco e pouco vai sendo demonstrada, até que não reste nenhuma dúvida, corroborando as imorredouras lições do Mestre Galileu e do Espiritismo.

A mensagem gloriosa de Jesus avança e apresenta os princípios éticos/morais a serem vividos pelos homens de todas as latitudes, construindo a fraternidade universal alicerçada no amor. Não fazer a outrem o que não deseja lhe seja feito é a atitude segura para uma vida plenificada, foi a orientação amorosa e acolhedora de Jesus. Na singeleza do monte, Jesus cantou as Bem-aventuranças, as mais belas sinfonias. Jesus é a resposta de Deus aos homens ávidos de amor, de ternura.

Jesus veio libertar almas. Essa é a missão do Espiritismo. O Espiritismo é Jesus de volta entre os homens. A ternura e a docilidade são necessárias para esses tempos atuais de turbulências de toda ordem. A vida possui um significado psicológico. Jesus está em nós através do amor, da solidariedade que se manifestam nos diversos exercícios da vida, nos indivíduos, nas famílias, na sociedade humana. O progresso é inexorável, e o ser humano, a cada nova geração, se renova e se apresenta mais bem equipado nos campos da ética e da moral.

São chegados os tempos, a ilusão e a fantasia, ou seja, o véu de Maya, vão sendo transformadas em ações de amor, progredindo sempre, inexoravelmente. Jesus nos espera! Francisco de Assis, cantando as Bem-aventuranças, enalteceu a alma imortal, a natureza em toda a sua exuberante plenitude, sinalizando ao homem atento que os tempos novos exigem transformações íntimas em profundidade.

Assim finalizou o insigne orador de Feira de Santana, que com seus 90 anos de idade, doando-se inteiramente ao seu próximo, é um exemplo de retidão e de incondicional amor, superando limites impostos até mesmo pela dor física e moral. Os milhares de presentes se puseram de pé, reverentes, aplaudindo intensamente o trator de Deus, conforme Chico Xavier ou o Semeador de Estrelas, cunhado por Suely Caldas Schubert.

Encontro com os Jovens – No dia seguinte, 17 de março, Divaldo Franco, além dos autógrafos, desincumbiu-se de mais três atividades doutrinárias: um encontro com os jovens espíritas, uma entrevista para a Band TV e a conferência da noite.

No momento jovem, Divaldo Franco, solícito, e atendendo programação com a juventude paranaense, respondeu perguntas adrede preparadas pelo movimento espírita juvenil. Reuniu-se com os representantes selecionados, contemplando a totalidade das instâncias juvenis do Paraná, apresentando judiciosas reflexões acerca dos assuntos da atualidade e que, em geral, preocupam os jovens que buscam viver retamente, exercendo as habilidades e aquisições intelectuais na prática do dever de amar-se, amando o próximo.

Respondendo sobre o grande número de suicídios entre os jovens, Divaldo citou uma frase de Mahatma Gandhi: Se um único homem alcançar a mais elevada qualidade de amor, isso será suficiente para neutralizar o ódio de milhões. A Organização Mundial de Saúde, em suas projeções, afirma que até o ano de 2025 a primeira causa de mortes será o suicídio, causado pela depressão. A maior incidência está na faixa dos 14 aos 25 anos de idade. A solidão interior, os conflitos sexuais, o número exagerado de informações e as problemáticas relativas à juventude são fatores desencadeantes para o suicídio.

Essa ocorrência permeia a sociedade humana em todos os quadrantes do planeta. Segundo Rollo Reece May, (1909 - 1994) a sociedade elegeu como parâmetros para a felicidade três fatores: o individualismo, o sexismo, e o consumismo. Na busca do prazer, a criatura humana busca satisfazer, tão somente, os sentidos físicos e, por não encontrar a felicidade, a alegria, o afeto, entra em melancolia, deprime-se. Por outro lado, ao viver os sentimentos, que são os da alma, o indivíduo plenifica-se. As relações afetivas sadias vividas no seio familiar e social sustentam o ser humano nas conquistas de ordem elevada. A religiosidade, a prática da oração é capaz de lograr êxito ante o suicídio.

Ilustrando a fragilidade do homem, com alicerce nas imperfeições morais, Divaldo narrou uma experiência vivida em sua juventude, quando, ante uma frustração, pensou no suicídio, sendo inclusive estimulado por um Espírito desencarnado a realizá-lo. Com essa experiência, Divaldo Franco alertou, assim, especificamente para as influências espirituais perniciosas. Cada jovem, cada ser humano, deve permanecer atento aos bons e aos maus pensamentos que os visitam. As ideias negativas devem ser prontamente rechaçadas, substituindo-as por pensamentos bons. Jamais se deve alimentar uma ideia negativa. A morte do corpo físico não livra o indivíduo de suas aflições, dores ou infortúnios. O suicídio é um tremendo engano. Suicídio nunca!

A participação nas manifestações políticas foi outro ponto de destaque. O jovem espírita, aconselhou o nobre tribuno, deve, em primeiro lugar transformar-se em alguém melhor, e com isso melhorará o mundo em que vive. As mudanças se darão de dentro para fora, nunca ao inverso. Ante as ocorrências do mundo, adotar a conduta que se coaduna com a Doutrina Espírita, atingindo um nível de dignidade para tornar-se um líder.

A alimentação, a educação familiar, os estudos nos Centros Espíritas, a vivência cristã, a autenticidade de pensamentos e atos, as quedas morais, foram outros tantos temas abordados cujo encaminhamento foi a estrita observância e a conduta ilibada com base no Espiritismo.

O Semeador de Estrelas, sempre muito solicitado, ao encerrar o encontro com os jovens, concedeu entrevista para a Band TV. Falando sobre a cultura da paz, disse que é hora de o ser humano tornar-se pacífico. A paz de Jesus, e de todos os profetas, é necessária e urgente. O amor é a solução. Respeitar o direito do próximo é dever. O que está faltando na sociedade humana é a presença de homens e mulheres de bem, tornando-se bons exemplos.

Conferência da noite – Dentro da programação ordinária da XX Conferência Estadual Espírita, Divaldo Franco desenvolveu o tema: O Herói Cristão. Antes, porém, o Dr. Juan Danilo Rodríguez, espírita, médico de família, psicólogo, homeopata e fundador do Centro Espírita Francisco de Assis e de uma fundação de acolhimento aos portadores da síndrome de autismo, em Quito, no Equador, dirigiu-se ao numeroso público externando o seu agradecimento pela participação em tão notável encontro de espíritas e destacando a necessidade de esforços cotidianos para a melhoria íntima. Jesus, a exemplo do que fez com seus discípulos, espera que os espíritas sejam, também, pescadores de alma, divulgando o Espiritismo.

Divaldo Franco apresentou as inúmeras qualificações e realizações desse trabalhador equatoriano e que atualmente está residindo na Mansão do Caminho, onde lança as pedras basilares de um projeto para atendimento de autistas sob o ponto de vista da Doutrina Espírita, construindo um novo mundo.

Estamos no limiar de uma era nova, assim se expressou Divaldo, e cansados das experiências fracassadas, o homem procura outras expressões das relações humanas para alcançar a plenitude, aplicando os ensinamentos em as Bem-aventuranças. O autoconhecimento é peça fundamental nestas conquistas do homem novo. Para tal será necessário conhecer-se a si mesmo, produzindo a felicidade.

Os verdadeiros heróis, cristãos ou não, estão em todos os quadrantes do planeta e em grande número de instituições orientais e ocidentais. O heroísmo maior é enfrentar a vida no corpo, é estar no corpo cuidando da vida espiritual. Apresentando a comovente história de uma mulher dedicada e aureolada pelo amor, Divaldo Franco, narra a experiência vivida juntamente com Nilson de Souza Pereira no bairro do Uruguai, em Salvador/BA. O local era uma invasão pantanosa, os dois atendiam os moribundos na Casa de Jesus, um barraco que acolhia aqueles que estavam deixando a vestimenta corporal, abandonados por todos.

Recebendo o chamado, dirigiram-se para o casebre de dois cômodos. O cenário era de angústia e de miséria humana. Sobre uma enxerga no chão do barraco encontrava-se uma trabalhadora do Centro Espírita Caminho da Redenção. Mulher dotada de grande pureza d´alma. Devotada ao bem, portadora de qualidades espirituais, aplicava passes. Heroína, lavava roupas e vendia acarajé na porta do Elevador Lacerda.

Acometida de tuberculose pulmonar, moribunda, contou-lhe que estava viajando para a outra vida, a espiritual. Seu tempo estava se esgotando. A amiga que aprendeu amar, ensinando-lhe o amor, estava deixando o veículo físico. Segreda a Divaldo a sua história, dizendo de antemão que seu filho iria procurá-lo mais tarde, após a sua morte, pedindo para dizer ao filho que sempre o amou.

Falou-lhe do filho, dedicado estudante desde criança, agora tornado médico famoso em Salvador. Narrou sua saga, desde jovem, os seus ingentes esforços em amealhar, com muito suor, os recursos para custear os estudos do filho amado. Os estratagemas para solicitar veladamente a ajuda dos professores ao filho, facilitando-lhe um aprendizado profissional de qualidade. Esse filho, muito preto, foi fruto de uma relação íntima em troca de alimentos, tal era sua condição famélica. O filho era conhecido por um apelido muito peculiar. Por que ela o vestia sempre com roupas brancas, impecavelmente brancas, e contrastando com a sua pele negra, passou a ser conhecido por o mosca no leite. A moribunda, febril, com tosse, falou-lhe sobre as alegrias em trabalhar e em economizar para adquirir belo vestido vermelho, sapatos para a formatura de seu amado filho, o anel de formatura acondicionado em caixa aveludada em azul. Foram três anos. Aproximava-se o dia da láurea. Na véspera, à noite, após já ter recolhido os pertences que lhe interessavam, dirigiu-se à mãe dizendo-lhe que tinha dois pedidos a fazer. Primeiro, que não necessitaria ir à cerimônia de formatura. Sua noiva, filha do diretor da faculdade, iria acompanhá-lo no ato solene. Mantendo serenidade, a mãe compreensiva, agradeceu-lhe a dispensa. O segundo pedido era uma condição: quando ela adoecesse, deveria ligar para o número de telefone que lhe passou em um cartão. Assim ele viria, ou mandaria um colega para atendê-la, ali mesmo naquele barraco. Dizia que desejava poupá-la de ser humilhada. Disse-lhe mais: que não telefonaria para ela.

Foi tudo muito simples, voltou a dizer a Divaldo aquela mãe heroína. Ele casou, não me avisou, mas estou feliz, disse. Meu filho está feliz e por ele estou feliz. Agora estou morrendo. A heroína saiu da vida para entrar na vida espiritual. Como uma fada iluminada saiu daquele corpo. Fulgurante, desapareceu no infinito. Ela havia expirado nos braços de Divaldo. Consumado o fato, Nilson e Divaldo recolheram o cadáver, velando-o sob uma árvore. Em estando contaminado aquele barraco, os dois atearam-lhe fogo.

Uma semana depois, no Centro Espírita Caminho da Redenção, Divaldo identificou aquele filho, que lhe perguntou se havia visitado aquela negra no Bairro do Uruguai. Justificou a pergunta informando que tinha tomado a si a tarefa de protegê-la, era sua amiga. Desejava saber o que ela havia contado a Divaldo, se havia lhe falado sobre a família. Respondendo, Divaldo disse que não poderia contar nada que pudesse interessar, indagando se ele era parente dela. Como disse que não, foi embora sem obter qualquer informação de Divaldo. Um mês depois, eis que o mosca no leite está de volta. Divaldo então pergunta: - É a respeito daquela negra? Confirmado, disse que desejava veementemente que lhe contasse o que sabia sobre ela e seus comentários. Após alguns momentos de titubeios, o visitante declarou que era o filho dela. Tinha vergonha de sua mãe.

Agora identificado o filho, que Divaldo já conhecia, disse-lhe que ela havia pedido para dizer que o amava muito. Caindo em si, o médico perguntou como poderia se reabilitar. Divaldo, então, disse-lhe que há no interior de cada indivíduo um herói, e que para a reabilitação são necessárias três etapas, o arrependimento, a expiação e a reparação. Assim, sintetizou o preclaro orador e orientador, faça para o próximo o que gostaria de fazer à sua mãe.

Compreendida a lição, o filho em reabilitação solicitou a sua inclusão nas atividades de assistência desenvolvida por Divaldo Franco e sua Instituição no bairro do Uruguai. A mãe prestimosa, dúlcida e amorosa, presente no diálogo, suplicou, de joelhos, ao Mestre que recebesse a ovelha tresmalhada. Era um anjo vestido de pobreza.

A essa altura da narrativa emocionante, o público parecia não respirar, tal era o silêncio e a emoção dominante no ambiente. Ame, deixe aberta a porta do coração. Amar é reabilitar-se dos erros. Assim, nesse grau de emoção, Divaldo Franco, narrador eloquente, apresentou heróis e heroínas, um verdadeiro desfilhe de anjos dedicados, que superando provas ingentes, venceram-se a si mesmos, tornando-se plenos e felizes, exemplos de dedicação e amor ao próximo.

Considerada heroína russa, condecorada, a jovem Catarina de Hueck (1896-1985), tendo adquirido o título de baronesa pelo casamento, tornou-se mãe muito cedo. Perseguida, buscou abrigo e sustento na América do Norte, tanto no Canadá como nos Estados Unidos da América. Esta emocionante e comovente história encontra-se narrada em detalhes no capítulo 8 – A Baronesa -, da obra A Estrela Verde, da Editoria LEAL, de Divaldo Franco e Délcio Carvalho. Como acontece com grande número de heróis e heroínas, a baronesa de Hueck é amplamente desconhecida.

As lágrimas brotavam em muitos olhos, pois que corações sensíveis foram tocados pelos dedos caridosos do orador nonagenário, fazendo com que as autoanálises se fizessem presentes, pelos questionamentos óbvios. Como alcançar tal alto grau de amor incondicional a ponto de doar-se inteiramente ao próximo, tomando Jesus por exemplo maior e os heróis como a prova da possibilidade real de amar? Declamando o Poema Meu Deus e Meu Senhor, de Amélia Rodrigues, Divaldo Franco encerrou a atividade, recebendo caloroso e demorado aplauso.

Encerramento – Estando presentes alguns dirigentes de federações espíritas estaduais, Jorge Godinho, da Federação Espírita Brasileira, e os diversos expositores que desenvolveram suas atividades tanto no interior do estado, como os que se apresentaram na culminância da XX Conferência Estadual Espírita, bem como a Diretoria Executiva da Federação Espírita do Paraná, Adriano Lino Greca conduziu o encerramento do evento na manhã do dia 18 de março de 2018. Após os agradecimentos, Divaldo Franco foi recebido com a canção Paz pela Paz, de Nando Cordel.

No amor que Jesus nos ensinou está a resposta para todas as amarguras. Está a resposta para a nossa busca no amor. (Divaldo Franco)

Divaldo Franco, superando as dores cruciantes que o atingem e mantendo sua jovialidade e alegria de viver, disse que aqueles eram dias diferentes. Referia-se aos dias em que Jesus se apresentou na Terra. Fazia 400 anos que a boca profética silenciara, Israel parecia totalmente sem rumo, acostumado que estava, o país, a ser conduzido pelas vozes da imortalidade.

Magdala era uma formosa e celebre cidade à beira do mar da Galileia. Em razão de seu clima era considerada uma região amena, situada em posição privilegiada. Célebre porque a Rainha Cleópatra, por duas vezes, passou o verão tórrido do Egito, na calma e agradável cidade, que também tinha fama pelo seu mercado e pelo câmbio de importantes moedas.

Para desenvolver o tema proposto: Nunca desista do Amor, Divaldo narrou a comovente história de Maria de Magdala, a meretriz que, conhecendo Jesus, tornou-se uma nova mulher, abandonando, de chofre, todos os maus hábitos, distribuindo todos os seus bens, dispensando empregados e escravos, para seguir Jesus incondicionalmente.

A vida da famosa meretriz de Magdala era visitada periodicamente por forças misteriosas que a deixavam prostrada, hebetada. E porque procurara Jesus, ao encontrar um mendigo leproso que lhe pedia dinheiro, este disse-lhe que naquelas imediações havia um homem bom que curava os doentes. Maria, então, solicita-lhe que se o encontrasse fosse ter com ela, informando-a sobre o paradeiro. Ele tinha lepra por fora, mas ela a possuía por dentro, na alma, isto é, na consciência em tormento. Era uma pecadora, uma vendedora de ilusões.

Assim sucedeu. O leproso encontrou o Messias, foi ter com Ele e ficou curado. Imediatamente foi informar a equivocada de Magdala. A noite se fazia presente. Ela se encontrava aturdida pelo acometimento que a visitava inesperadamente. Nessas ocasiões não recebia a ninguém. Mas o mendigo insistiu tanto que logrou o seu tentame. Informou-lhe que o Messias estava em Cafarnaum, pernoitando no lar de Simão, o pescador, filho de Jonas. Não poderia perder tempo. Seria agora ou nunca mais. Algo me diz, senhora, que Ele a espera, insistiu o mendigo. De barco, atravessaram o mar da Galileia e foram ter com Ele ao amanhecer.

Ao encontrar Jesus, Maria de Magdala atirou-se aos seus pés, chamando-o de Mestre querido (Raboni). Jesus se dirige a ela chamando-a pelo nome – o Mestre a conhecia, tal qual o pastor conhece as suas ovelhas. Maria disse que desejava seguir-lhe os passos, acompanhá-lo. Porém, o Nazareno disse-lhe não, por ora não seria possível, não agora, mas depois. Por ora, Maria, por ora ame. Ame os filhos do mundo, tome conta deles e depois venha a mim. Vá, Maria, eu a esperarei. Vá e ame.

A meretriz experimentou algo diferente dentro de si, tinha vontade de dar a sua vida a Jesus. Ela saiu fascinada. No dia seguinte a cidade se encontrava alvoroçada. Corria o boato de que a meretriz havia enlouquecido. Ninguém a compreendia. Ela atirava pelas janelas de sua imensa casa luxuosa as joias, seus bens preciosos, moedas e outros valores, perfumes raros e caros. Dispensou seus empregados. Libertou os escravos. Apanhou um vaso de alabastro onde guardava um caro perfume de nardo especial e foi ter com o Mestre, servindo-o com deferência e sublime amor.

O amor é libertador. A meretriz de Magdala amou-O como nunca. Passou a fazer parte das atividades de Jesus. Ela assistiu-O entrar triunfante em Jerusalém, no domingo que se celebrizaria pelos ramos de oliveira e de palmas que o povo agitava. Esteve presente, também, quando o Mestre iria, pouco depois, para o suplício no Gólgota. Jesus foi para o seu martírio, João e a pecadora convertida acompanharam-nO de perto.

No percurso do caminho de dor imposto pelos poderosos temporários, no monte da caveira, ou do calvário, e na hora da crucificação Maria de Nazaré, a Santíssima, acompanhada de Maria de Magdala e de Mônica, que lhe secou o suor sanguinolento, experimentaram a dor da angústia, do medo e o tormento do suplício aplicado ao inocente. A cena era tenebrosa, Jesus tomba pendurado na cruz. Tudo estava consumado.

A noite caiu sobre a terra antes mesmo de o sol se pôr. Aqueles últimos momentos foram de terrível angústia e tristeza. A ex-meretriz permaneceu ali, constrita, em profunda tristeza e ao amanhecer foi ao sepulcro e lá já não encontrara o corpo do Messias. Vislumbra, na penumbra da madrugada, uma silhueta, imagina ser um zelador, e pergunta para onde haviam levado o seu Senhor. Ele, então, se volta, ela se viu diante do Mestre, que não se deixa tocar.

Maria de Magdala saiu dali e foi ter com os demais discípulos, informando-os sobre o sucedido. O Mestre está vivo, exclama ela. Não acreditaram nela. Maria Santíssima, disse-lhe, então: - Minha filha, meu coração de mãe diz que tu o viste. Já Tomé, somente mais tarde foi acreditar, desejava tocar em suas chagas para que tivesse certeza de era realmente o Mestre.

Depois desta aparição, Jesus ainda teve outras oportunidades para se fazer notar pelos circunstantes, reafirmando a sua natureza espiritual ímpar. Estimulou e encorajou aos que estiveram com Ele a saírem por toda a parte para pregarem o Evangelho para todos.

No passado, como na atualidade, o preconceito vige soberano. Maria de Magdala não conseguia trabalhar. E por não encontrar, ao passar uma caravana de assírios leprosos que procuravam pelo Mestre, no desejo de serem curados e não sabendo do que havia sucedido no Gólgota, Maria de Magdala dá-lhes a notícia.

Ela falou aos leprosos sírios com ternura como nunca, e como não tinha a ninguém, foi ter com eles, passando a falar de Jesus para aqueles doentes. Em estando no meio de leprosos, adquiriu a peste. A lepra se alastrou, tomou-lhe o corpo outrora belo e, agora, quando falava aos leprosos, se dirigia não mais a vós, mas a nós, pois que, então, fazia parte do número dos contaminados.

Maria de Magdala decidiu, então, visitar a Mãe Santíssima, em Éfeso. Viajava à noite, para não ser importunada. Depois de longas noites caminhando, chegou a Éfeso pela manhã. Já quase sem forças, desfaleceu, e um casal de cristãos recolheu-a, levando-a para a casa de Maria Santíssima e de João.

Por três dias e duas noites Maria de Magdala permaneceu em delírio. Na manhã do terceiro dia sentiu algo estranho e uma força arrancou-a da carcaça. Viu-se à beira do mar, ouvia suave melodia e aquela luz, pairando sobre as águas, arrebatou-a às alturas, acolhendo-a. Era Jesus. Luz fulgurante rasgou os céus. Maria de Magdala havia transposto a porta estreita. No amor que Jesus nos ensinou está a resposta para todas as amarguras. Está a resposta para a nossa busca no amor.

A esse respeito, conta uma lenda grega que naquela noite, na Babilônia, um astrólogo, fitando o firmamento, viu uma claridade intensa. Imaginou ser uma estrela novíssima e fez suas anotações. Em verdade não era uma estrela. Era o rastro luminoso de Maria de Magdala em viagem para a LUZ. Esse relato, em detalhes, se encontra estampado no capítulo 3 – Mírian de Migdal, da obra A Estrela Verde, de Divaldo Franco e Délcio Carvalho, da Editora Leal.

Mensagem de Bezerra – Ao final da XX Conferência Estadual Espírita, Divaldo Franco transmitiu, pela psicofonia, a seguinte mensagem do dr. Bezerra de Menezes:

“Se nos amarmos quanto Ele nos pediu, as nossas dores serão transformadas em alegrias no Reino de Deus. Lembrai-vos, filhos da alma, Jesus é os dois extremos da vida, o zênite e o nadir, das nossas aspirações. Quando as dores vos parecerem insuportáveis, quando a solidão se vos apresentar tenebrosa e fria, lembrai-vos de Jesus. Uma voz sequer levantou-se para inocentá-lo, e eram centenas aqueles a quem Ele atendeu. Quando vos sentirdes desamado ou rejeitado mantende a irrestrita confiança no amor e entregai-vos àquele que é a vida da própria vida. Não temais nunca, porque Ele nunca nos deixa a sós.

Elegemos o tema da mulher equivocada, porque todos nós carregamos um espinho na carne. E nas carnes da alma, todos nós, ainda imperfeitos, somos algo Maria de Magdala ou Mírian de Migdal. Que o amor de Jesus nos receba com ternura infinita sem nos perguntar quem fomos, mas nos propor o que seremos. Tende ânimo, são horas muito difíceis, de testemunho e de lágrimas, de ansiedade e de desamor, mas crede, filhos da alma, Jesus não venceu no mundo, venceu o mundo das paixões. Sede vós aqueles que podeis vencer as sombras do pretérito que vos arrebatam muitas vezes de volta aos abismos da alucinação. Amai, pagai o preço do amor, socorrei por amor, erguei por amor, libertai por amor e vos sentireis salvos, erguidos, amparados por alguém que distenderá as mãos e dirá com sorriso: - Vinde, já atravessastes a porta estreita, vinde à casa de Meu Pai.

Nestes dias, meus filhos, o endereço de Deus chegou aos vossos corações. Tendes agora o mapa da vitória, cabe-vos alcançar pela rota abençoada da bondade, da misericórdia, do amor e da doutrina libertadora dos imortais para que a plenitude do Reino dos Céus, desde hoje, se vos instale no coração. Muita paz. O servidor humílimo de sempre que vos fala em nome dos Espíritos Espíritas aqui presentes. Ide em paz! Bezerra.”

 

 

Nota do Autor:


As fotos que ilustram esta reportagem são de Jorge Moehlecke.


 

     
     

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 Revista Semanal de Divulgação Espírita