Cinco-marias

por Eugênia Pickina

 

A empatia pode ser ensinada?


Como a flor anuncia o fruto, assim a infância do homem é a promessa da sua vida futura
. (Rudolf Steiner)


Desde o nascimento, conseguimos notar comportamentos que seriam uma espécie de precursores da empatia, como o choro reativo de um bebê ao ouvir outra criança chorando. Mas é a partir do primeiro e segundo ano de vida que os fatores ambientais – como o convívio com os pais – começam a preponderar no desenvolvimento da empatia.

A empatia pode ser ensinada?

Uma das funções mais importantes da inteligência, a empatia pode e deve ser ensinada à criança. E esse aprendizado será mais eficaz se começar já na primeira infância.

Na vida normal, em uma briga com um irmão, por exemplo, o pai, a mãe ou o cuidador não deve apenas corrigir a criança, mas procurar explicar a ela as consequências que o ato praticado teve no outro, elucidando os motivos por que o ato agressivo não deve ser repetido. Isso irá estruturando pouco a pouco na criança a importância de se colocar no lugar do outro e estar disponível para cooperar.

Há uns dez dias, na escola da minha filha, durante o intervalo, uma criança de seis anos jogou água em um coleguinha, molhando a sua camiseta. Ambas foram parar na sala da coordenadora. De um modo firme, gentil e respeitoso, a criança que molhou a outra foi convidada a realizar a seguinte atitude: enxugar a camiseta da criança com papel-toalha até que fosse alcançado um estado mais seco e confortável, porque, além do incômodo, o colega poderia resfriar-se por estar usando uma roupa úmida àquela hora do dia. No decorrer do “enxuga-enxuga”, já envergonhada, a criança pediu desculpas ao colega, reconhecendo por si mesma que seu ato tinha sido danoso porque nele causou “frio e tristeza”…

Quando uma criança cresce estimulada a se colocar no lugar do outro, respeitando os próprios sentimentos e os sentimentos alheios, tem mais chance de se tornar um adulto solidário e resiliente, mais disponível para enriquecer-se em compreensão e amor...

Um velho tio, viúvo e marcado pela vida áspera, um dia me disse: “se a gente pudesse escolher a infância que teria vivido, com que alegria eu não recordaria aquele pai empático e gentil, que nunca existiu, que me levava para pescar no riozinho à beira da estrada poeirenta, obrigando-me à noite, ao lado dele, a limpar, cortar e grelhar os peixes para minha mãe, pois o dia dela havia sido monótono e enfadonho, enquanto nós dois tínhamos passado bonitos instantes de entretenimento e sesta naquela morna tarde de verão...”

A família pode sim ensinar a criança a cultivar carinho e compaixão. E não se trata apenas de fazer o exercício mental de se colocar no lugar do outro. Aprender a ser empático essencialmente diz respeito a de fato estar pronto para servir e ajudar...

Bom domingo, feliz semana!

Notinha

Empatia, em termos simples, é a capacidade de perceber o que as outras pessoas sentem sem que elas o digam (Daniel Goleman). As pesquisas neurológicas recentes mostram que desde que nascemos, nós, os seres humanos, já somos interligados pela empatia. Contudo, a empatia precisa ser desenvolvida, principalmente no período entre 0 e 6 anos – pois é na primeira infância que o nosso cérebro passa pelo maior número de conexões neuronais (sinapses), criando uma janela de oportunidade para o aprendizado.

 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita