WEB

BUSCA NO SITE

Página Inicial
Capa desta edição
Edições Anteriores
Quem somos
Estudos Espíritas
Biblioteca Virtual
Livros Espíritas em Português Libros Espíritas en Español  Spiritist Books in English Livres Spirites en Français  
Jornal O Imortal
Vocabulário Espírita
Biografias
Livros Espíritas em Português Libros Espíritas en Español  Spiritist Books in English Livres Spirites en Français Spiritisma Libroj en Esperanto 
Mensagens de Voz
Filmes Espiritualistas
Livros Espíritas em Português Libros Espíritas en Español  Spiritist Books in English    
Efemérides
Esperanto sem mestre
Links
Fale Conosco
Crônicas e Artigos
Ano 1 - N° 35 - 16 de Dezembro de 2007

MARCELO HENRIQUE PEREIRA
cellosc@floripa.com.br
Florianópolis, Santa Catarina (Brasil)

Determinismo ou livre-arbítrio?

A comunidade catarinense amanheceu chocada com mais um caso de morte durante procedimento cirúrgico de caráter estético. Uma senhora de 55 anos se preparava para uma lipoaspiração e teve complicações cardíacas em reação à anestesia. Segundo fontes clínicas oficiais, a paciente estava tomando um medicamento e omitiu tal informação ao corpo médico, ocasionando uma fibrilação (espécie de parada cardíaca, em que o coração, ao invés de bater, vibra e não tem força para bombear o sangue para o restante do corpo).

O evento, drástico, é um excelente mote para nossas digressões espíritas, sobretudo pela questão de estar ou não “prevista” espiritualmente a sua ocorrência. Ou se a conseqüência (desencarnação) decorreu de ato voluntário, dentro do contexto do livre-arbítrio que pertence a todos os Espíritos.

Há, conhecidamente, no meio espírita, o uso da expressão “planejamento encarnatório” que consagra um conjunto de probabilidades, decorrentes de escolhas e compromissos que o indivíduo, ainda desencarnado, no Plano Espiritual, possa ter efetuado. A teoria espírita, assim, apresenta a perspectiva de, em considerando a experiência encarnatória, no estágio em que nos encontramos, uma oportunidade para “provas”, “expiações” e “missões”, haver certos condicionamentos para determinadas situações ou circunstâncias da vida física (que se estará iniciando, com o retorno à carne). Assim, por exemplo, pode ficar prevista a vinculação do ser com determinadas pessoas, por afinidade, e que farão parte dos ambientes em que o mesmo esteja vinculado, para auxiliar, colaborar ou participar diretamente da “sua” vida, bem como será possível conviver com determinadas individualidades que estejam em desajuste com tal Espírito, proporcionando chances de reajuste, reconciliação e perdão recíprocos. De outra sorte, a (prévia) escolha de determinadas contingências (educação, trabalho, habilidades e capacidades) poderá ocorrer em função dos aprendizados pretéritos do ser, favorecendo (em tese) a sua busca pela sobrevivência e a sua felicidade. Tudo isto, no entanto, de modo “provável”.

Há pessoas que, mesmo em ambientes espíritas e com base em “teorias espíritas”, advogam que Deus esteja por detrás de tudo o que acontece conosco, em nossas vidas. É comum o adágio “não cai um fio de cabelo da sua cabeça se não for por vontade de Deus”, legitimando a crença de que Deus esteja “administrando” diretamente a vida de cada uma de suas criaturas. Ou, então, que esteja preocupado, vigilante, acompanhando cada passo de todos os Espíritos. Esta, verdadeiramente, é uma teoria equivocada. A criação divina pressupõe o estabelecimento de um conjunto de Leis Divinas que são auto-executáveis e que não dependem da “presença” divina em sua direção e condução. Do contrário, o Universo perfeito, regido por normas igualmente perfeitas, dá a cada um “segundo suas obras”, mensagem que significa, nada mais, nada menos, que a própria aplicação da lei de causa e efeito e a submissão de todos nós aos seus desígnios operacionais.

No episódio que ilustra este ensaio, a personagem principal não estava “fadada” a morrer daquele jeito, nem, tampouco, sua morte significaria, a princípio, qualquer “necessidade” de ocorrer daquela forma, por algum tipo de “resgate”, ou para aprendizado obrigatório, pessoal e de seus entes queridos, como condicionante de um tempo pretérito. Evidentemente que a situação, em si, trará para todos os envolvidos um aprendizado, mas seria incorreto vincular o evento a certas ocorrências passadas. Ela, sem qualquer dúvida, “assumiu o risco”, o próprio risco de viver, já que não sabemos, de antemão, nas diversificadas trajetórias no curso diário, o que nos espera na esquina seguinte. Ao optar pela cirurgia – que, como qualquer procedimento médico deste jaez exige e envolve cuidados e riscos – a companheira colocou-se na encruzilhada “vida-morte”, ou seja, poderia ter sobrevivido, assim como faleceu. Dá a entender o relato jornalístico de que sua omissão (em não informar o uso de determinada substância química) tenha estabelecido o nexo causal para o evento morte.

Não é possível, assim, “culpar” a vida, ou o “planejamento encarnatório” daquilo que nos acontece diariamente. Se há uma diretriz que é o conjunto das vivências passadas, que estabelecem certas conexões e perspectivas, na condução do rumo da vida, considerando-se as premissas de evolução e reestruturação do ser, ela não significa nenhuma algema, amarra ou obrigação que vincula necessariamente os acontecimentos presentes. Há que ter muita cautela na definição das questões que envolvem tanto a existência física quanto a espiritual, para não corrermos o risco de “enxertar”, na Doutrina Espírita, nossas opiniões e comentários, as mais das vezes precários, desconexos e desconformes à teoria espiritista.

Por obra do livre-arbítrio, este apanágio inerente à condição de individualidade espiritual, somos os “senhores” de nossas vidas, os personagens principais do cenário de nossas vidas atuais. E como podemos escolher sempre que nossa inteligência e nosso sentimento possam estar sempre aclarados e equilibrados, para que as conseqüências de nossas decisões sejam as melhores possíveis, na conjuntura espiritual.
 


Voltar à página anterior


O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita